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Cereja de Alfândega da Fé recupera após intempéries e investimento no regadio reforça futuro da produção

Cereja de Alfândega da Fé recupera após intempéries e investimento no regadio reforça futuro da produção
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  • 7 de Junho de 2026, 15:38

A campanha da cereja em Alfândega da Fé está a registar uma recuperação significativa após um arranque marcado por fortes quebras devido às condições meteorológicas, com os produtores a destacarem agora uma melhoria no calibre e na doçura do fruto, impulsionada pelos últimos dias de sol.

Filipe Quintela, produtor na Serra de Bornes, descreveu um início de campanha particularmente difícil. “Foi bastante complicado, foi 90% de perda, só 10% é que conseguimos aproveitar”, afirmou, acrescentando que as variedades mais recentes apresentam agora melhor qualidade e doçura.

Também Filomena Peredo confirmou o impacto inicial do mau tempo, embora sublinhe a melhoria verificada nas últimas semanas. “Agora estamos com uma boa quantidade, boa qualidade, um bom tamanho, embora tivéssemos tido algum percalço nas variedades mais precoces. Houve muita cereja estragada que acabou por rachar por excesso de água”, referiu, acrescentando que o mau tempo trouxe “um bocadinho de prejuízo porque nós trabalhamos um ano inteiro nos pomares para conseguir ter algum lucro nesta altura e a cereja que ficou na árvore para apanhar é um prejuízo bastante elevado para nós”. Questionada se tem expectativa de recuperar o que perdeu, a produtora mostrou incerteza, mas garantiu que não perdeu a esperança.

Já Luísa Cardoso destacou que a evolução da produção superou as expectativas. “O início de campanha foi um bocadinho atribulado com as chuvas e com os granizos, mas entretanto a cereja ganhou calibre e sabor com os últimos dias de sol”, disse.

O sol e a temperatura quente é que fazem a diferença

O regresso do sol tem sido apontado como determinante para a recuperação da qualidade da cereja.

Filipe Quintela sublinhou esse efeito, explicando que as condições meteorológicas recentes estão a melhorar o produto. “O sol está a tirar a humidade e a provocar a doçura da cereja”, afirmou.

Também Luísa Cardoso destacou a importância do papel do sol para que a cereja seja doce. “O sol é, realmente, a chave e é o que vem fazer a diferença. A doçura da cereja só foi possível por causa do sol.”

Os produtores mostram agora maior confiança no escoamento da produção, sobretudo através de feiras e venda direta, que permitem contacto com consumidores de várias regiões do país.

IGP valoriza produto e abre novas perspetivas

A recente atribuição da Indicação Geográfica Protegida (IGP) à Cereja de Alfândega da Fé é vista pelos produtores como uma mais-valia, com impacto crescente na valorização do produto.

“Foi uma mais-valia para o nosso produto, para nós e para os outros produtores.”, disse Filipe Quintela.

Já Filomena Peredo destaca que é uma distinção que surgiu há pouco tempo e por isso há que esperar. Ainda assim acredita que vai fazer a diferença. “Vamos ver como é que as coisas vão se desenrolar, mas é óbvio que faz diferença. A partir do momento em que temos um produto certificado, conseguimos provar a nossa qualidade, que é aquilo que lutámos há vários anos.”

“Acho que tem tudo para correr muito bem, porque acaba por ser uma marca que ajuda na promoção do produto”, referiu Luísa Cardoso, sublinhando que a certificação permite uma divulgação mais ampla da cereja da região.

Município quer duplicar área de regadio até 2027

À margem da Feira da Cereja & Co, o presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, destacou o investimento em curso no regadio como peça central para o futuro da agricultura no concelho.

“O Bloco Norte do Vale da Vilariça já foi lançado a concurso e, com este projeto e com o de Vilar chão, pretendemos, até 2027, duplicar a área de regadio face a 2010”, afirmou.

O autarca sublinhou que este é um compromisso de longa data assumido com os agricultores do concelho e que estão prestes “a concluir esse objetivo” referiu, acrescentando que o investimento global no regadio pode chegar aos 50 milhões de euros.

Eduardo Tavares destacou ainda a importância da água para a sustentabilidade da produção agrícola local. “A água é essencial. O regadio é fundamental para termos uma agricultura sustentável, moderna e atrativa”, afirmou.

Ministro destaca investimento no regadio e apoios ao setor agrícola

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, destacou por sua vez o volume de investimento e apoios dirigidos ao distrito de Bragança, sublinhando a importância estratégica da região no setor agrícola.

“O distrito de Bragança é campeão nacional em candidaturas aprovadas no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), com mais de mil candidaturas e 73 milhões de euros aprovados”, referiu.

“Em 2025, no âmbito do pedido único, os agricultores receberam mais de 131 milhões de euros. É um montante que temos vindo a aumentar. O rendimento do agricultor é um objetivo central e por isso temos reforçado estes apoios. Aumentámos cerca de 20%, o rendimento ao agricultor.”, afirmou.

O governante referiu ainda vários investimentos em curso no concelho de Alfândega da Fé, nomeadamente no domínio do regadio e da gestão da água. “Temos, por exemplo, nove charcas aprovadas e 25 candidaturas de jovens agricultores.”

José Manuel Fernandes adiantou ainda que foram consignados novos contratos para o território.

“Hoje foi consignado um contrato de 8 milhões de euros, integrado num pacote de 26,9 milhões de euros para empreendimentos hidroagrícolas em Alfândega da Fé”, referiu.

O ministro sublinhou que o investimento no regadio é essencial para garantir a sustentabilidade da agricultura, sobretudo face às alterações climáticas e à necessidade de reforçar a competitividade do setor.

José Manuel Fernandes destacou ainda a estratégia nacional para a gestão da água, através do programa “Água que Une”, defendendo uma utilização mais eficiente dos recursos hídricos.

Feira reforça importância da agricultura na região

A Feira da Cereja & Co voltou a afirmar-se como uma montra da produção local e regional, reunindo produtores, visitantes e responsáveis políticos num evento que os autarcas consideram já uma referência nacional.

“Mais do que Alfândega da Fé, é Trás-os-Montes que está aqui representado”, destacou Eduardo Tavares, sublinhando a importância de continuar a apostar na valorização do território e na captação de investimento e jovens agricultores.

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Cindy Tomé