"Longe de Perto" aproxima a arte contemporânea do território

A mostra integra a programação da VIII edição do Festival PAN – Encontro e Festival Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda em Meio Rural

28 jul. 2026, 07:44

Com obras de Balbina Mendes, Acácio de Carvalho, Cabral Pinto, Domingos Loureiro, Fernanda Araújo, Felícia, Mafalda Rocha, Rodrigo Dias e Victoria Chezner, foi inaugurada, no sábado, na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, a exposição coletiva "Longe de Perto". A mostra integra a programação da VIII edição do Festival PAN – Encontro e Festival Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda em Meio Rural.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Balbina Mendes junto à sua obra dedicada à vice-presidente da câmara de Alfândega da Fé

A exposição nasceu de um convite inicialmente dirigido à artista plástica Balbina Mendes, natural de Miranda do Douro, para realizar uma mostra individual no âmbito do festival. A artista propôs transformar esse convite numa exposição coletiva, reunindo um grupo de criadores com quem mantém uma estreita ligação artística. "Desafiei artistas da minha confiança, todos com percursos consolidados e linguagens muito próprias, para participarem nesta experiência", explicou.

A diversidade de linguagens, segundo a artista, torna "Longe de Perto" uma exposição singular. "São nove artistas completamente diferentes. Cada um tem a sua narrativa, a sua forma de expressão e o seu percurso. Quem visita esta exposição encontra uma grande diversidade de linguagens e uma mostra de elevada qualidade, capaz de agradar a diferentes públicos”, clarificou sobre a mostra.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Embora a maioria dos artistas desenvolva a sua atividade sobretudo na área metropolitana do Porto e participe regularmente em exposições e bienais nacionais e internacionais, a artista considera que a ligação ultrapassa a distância geográfica. O próprio título da exposição traduz esse sentimento. "Estamos longe fisicamente, mas sentimo-nos perto", rematou, destacando que é fulcral levar a arte contemporânea a territórios onde o acesso à programação cultural é mais reduzido. Na sua perspetiva, iniciativas como o Festival PAN contribuem para aproximar a criação artística do público e desmistificar a ideia de que a arte contemporânea é reservada a especialistas. "Democratizar a arte é aproximá-la das pessoas. Quando lhes damos acesso a programação de qualidade, as pessoas interessam-se, fazem perguntas, querem compreender as obras e descobrem novas formas de olhar para a arte”, terminou.

Essa visão é partilhada pelo município de Alfândega da Fé. Para a vice-presidente da Câmara Municipal, Maria Manuel Silva, o Festival PAN afirma-se como um instrumento de democratização cultural num território onde a oferta artística é naturalmente mais reduzida. "Queremos uma política cultural acessível a todos. Os nossos espaços culturais têm as portas abertas e procuramos quebrar a ideia de que a arte é apenas para especialistas. Qualquer pessoa tem o direito de observar uma obra, interpretá-la e criar a sua própria leitura", afirmou.

A inauguração da exposição integrou a programação da VIII edição do Festival PAN, que decorreu entre 24 e 26 de julho, sob o tema "H2O".

Exposição está patente na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues