Zamora prepara quatro dias dedicados ao queijo
Fromago Cheese Experience foi apresentado em Bragança porque a crescente participação portuguesa faze da região um parceiro estratégico.
Bragança foi a cidade portuguesa escolhida para apresentar a terceira edição da Fromago Cheese Experience, o maior festival de queijo do sul da Europa, que regressa às ruas de Zamora, em Espanha, entre 17 e 20 de setembro de 2026. A escolha da cidade não foi casual, a proximidade geográfica, os laços históricos entre os dois territórios e a crescente participação portuguesa fazem da região um parceiro estratégico.
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Durante quatro dias, o centro histórico de Zamora transformar-se-à num enorme espaço dedicado ao setor, com um percurso superior a 40 mil metros quadrados, cerca de 300 expositores distribuídos por mais de 400 stands, mais de 1200 variedades de queijo provenientes de vários países, túneis de degustação, provas comentadas, showcookings, concertos, oficinas para crianças e dezenas de atividades dirigidas tanto ao público em geral como aos profissionais.
Segundo esclareceu, na apresentação, Sara Fregeneda, presidente da Fundação Escola Internacional das Indústrias Lácteas de Zamora, entidade responsável pela organização, o objetivo passa por “transformar” a cidade num grande palco dedicado ao queijo e a tudo o que o envolve. “Estaremos quatro dias na rua, das 11 da manhã até à meia-noite. Será possível provar mais de mil tipos de queijo de todo o mundo, desde queijos da Suíça, França, Itália, Holanda ou Portugal. Queremos valorizar um produto tradicional, mas também mostrar toda a diversidade que existe”, explicou.
Portugal, conforme disse, voltará a marcar presença de forma significativa. Estão já confirmadas 14 queijarias portuguesas, às quais se juntam distribuidores e importadores convidados para reuniões de negócios com os produtores. Segundo Sara Fregeneda, os queijos portugueses continuam pouco conhecidos em grande parte de Espanha, apesar da enorme tradição existente do outro lado da fronteira. “Quem vive perto da fronteira conhece-os bem, mas grande parte dos espanhóis não. Esta é uma oportunidade extraordinária para os produtores portugueses mostrarem os seus produtos a mais de 300 mil visitantes”, rematou.
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A edição de 2024 confirmou precisamente essa dimensão internacional. A organização contabilizou mais de 300 mil visitantes, cerca de 170 mil quilos de queijo vendidos, ocupação hoteleira total em Zamora e um impacto económico superior a cinco milhões de euros.
Para Javier Faúndez Domínguez, presidente da Diputación Provincial de Zamora, também presente na apresentação da feira, em Bragança, a Fromago representa muito mais do que um evento gastronómico. É também uma “homenagem aos produtores de leite, aos agricultores, aos criadores de gado e às indústrias instaladas no meio rural”, muitas delas responsáveis por dezenas de postos de trabalho e por um importante contributo para a economia da província. “Aquilo que fazemos é promover um produto muito exclusivo da nossa terra, mas também criar um grande ponto de encontro internacional para todo o setor do queijo”, afirmou.
Além do queijo, a feira promove outros produtos gourmet de Zamora, como vinhos, enchidos e mel, criando harmonizações que reforçam a identidade gastronómica da região e ampliam a experiência dos visitantes.
Refira-se que, este ano, a feira contará com representantes de 34 países e cerca de meia centena de grandes importadores internacionais, convidados para estabelecer contactos comerciais com produtores e empresas do setor.
A aposta em Portugal assume um papel central nesta estratégia. Depois de ações promocionais realizadas em Espanha, Reino Unido, França e Suíça, a organização decidiu reforçar a divulgação junto dos portugueses, primeiro em Bragança e, depois, a feira será apresentada no Porto, procurando aumentar o número de visitantes vindos do outro lado da fronteira. Para Sara Fregeneda, rumar a Bragança fez todo o sentido, já que esta é a cidade portuguesa mais próxima de Zamora e “existe uma relação histórica muito forte entre os dois territórios”. “Queremos que Portugal tenha cada vez maior presença, tanto para mostrar os seus queijos como para criar novas oportunidades de negócio”, referiu.
A responsável disse ainda acreditar que Espanha e Portugal enfrentam desafios comuns no setor leiteiro, nomeadamente o problema da renovação geracional. Por isso, uma das conferências da edição de 2026 será dedicada ao modelo francês de produção do queijo Comté, procurando identificar soluções que possam ser aplicadas nos dois países. “Somos praticamente irmãos. Temos problemas semelhantes e faz sentido procurar respostas em conjunto”, esclareceu.















