Denúncia levanta dúvidas sobre qualidade da água na Praia Fluvial de Mirandela

A presença de manchas com aspeto “oleoso, espuma e partículas à superfície da água” no rio Tua, na Praia Fluvial Arquiteto Albino Mendo, em Mirandela, está a gerar preocupação entre os utilizadores daquele espaço balnear.

21 jul. 2026, 08:37

A situação foi denunciada por Pedro Peres, frequentador habitual da praia fluvial, que afirma ter observado estes indícios de possível poluição em diferentes dias ao longo dos meses de junho e julho. Segundo relata, as manchas e a acumulação de resíduos têm sido visíveis junto à zona delimitada pelas boias da praia fluvial, conforme documentado em fotografias por si recolhidas.

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Por considerar que poderá representar um risco ambiental e para a saúde pública, Pedro Peres apresentou denúncias à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e à Câmara Municipal de Mirandela, recorrendo aos serviços digitais de ambas as entidades.

No entanto, até ao momento, diz não ter recebido qualquer informação sobre as diligências realizadas. "Da Câmara Municipal ainda não obtive resposta. Também não recebi qualquer indicação da APA sobre o que foi feito", afirma.

O mirandelense sublinha que o objetivo da participação não é tirar conclusões precipitadas, mas sim alertar para uma situação que considera merecer uma investigação por parte das entidades competentes. "Não sou especialista, mas já frequentei vários rios e não me parece normal que a água apresente estas partículas e este aspeto. Nunca tinha visto nada assim", aponta.

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Pedro Peres explica que frequenta diariamente esta praia fluvial. "Preocupa-me porque vou lá diariamente e não sei até que ponto, mais tarde, posso vir a ter problemas por causa de uma bactéria ou de qualquer situação. Eu e outras pessoas que utilizam o rio também ficamos sem saber se é seguro ou não", afirma.

Segundo relata, nos anos anteriores nunca tinha observado este fenómeno. "Só este ano comecei a reparar nestas situações. Antes ia à praia em horários normais e nunca vi nada semelhante. Agora, quer vá de manhã, quer ao final do dia, encontro estas partículas. À tarde podem surgir em menor quantidade, mas continuam lá, até no meio do rio quando estou a nadar."

A Praia Fluvial de Mirandela é um dos espaços de lazer mais frequentados de Mirandela durante o verão, sendo utilizada por banhistas, famílias e praticantes de modalidades como a canoagem e a natação em águas abertas.

Pedro Peres espera que as entidades responsáveis esclareçam a origem das manchas observadas e garantam a segurança da água. "O que pretendo com esta denúncia é alertar para que seja feita alguma coisa, ou pelo menos que me digam que foi feita alguma avaliação. Quero ter a garantia de que posso continuar a utilizar o rio em segurança. Neste momento ninguém me garante que esta situação seja normal."

Em comunicado, a Câmara Municipal de Mirandela informa que está a acompanhar “de forma contínua a qualidade da água das zonas balneares”.

A autarquia liderada por Vítor Correia explica que “durante a época balnear, a qualidade da água é analisada semanalmente em todas estas zonas, no âmbito dos procedimentos legalmente estabelecidos e em articulação com as entidades competentes”. A monitorização é promovida pelo Município de Mirandela e pela APA.

Refere que “sempre que são identificadas situações concretas que possam indiciar eventuais inconformidades ou representar um risco para a saúde pública, são também realizadas análises adicionais pela Delegação Local de Saúde. Desde o início da época balnear, estabelecida entre 8 de junho e 13 de setembro de 2026, todos os resultados laboratoriais obtidos até à data cumprem integralmente os parâmetros microbiológicos definidos para as águas balneares. Com base nos resultados oficiais disponíveis, a água das zonas balneares do concelho encontra-se própria para banhos”.

Esclarece ainda que “qualquer alteração desta situação será comunicada à população, em articulação com as autoridades ambientais e de saúde. Embora uma alteração visual não permita, isoladamente, concluir pela existência de contaminação, qualquer ocorrência anómala deve ser comunicada e averiguada”, conclui.

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