Projeto BairroFolia quer dar nova vida aos bairros históricos de Bragança
Os bairros Além do Rio e dos Batoques vão ser palco, ao longo dos próximos dois meses, do projeto BairroFolia, uma iniciativa promovida pelo Município de Bragança que pretende envolver associações, artistas, artesãos e moradores na dinamização cultural daqueles dois bairros históricos da cidade.
A apresentação oficial decorreu no passado sábado, 18 de julho.
Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal de Bragança, Pedro Rego, trata-se de um projeto inédito no concelho, pensado para reforçar o sentimento de pertença da comunidade e valorizar a identidade cultural local.
"O BairroFolia é um projeto inovador que nunca se fez no nosso território e pretende trabalhar em rede com as associações locais, com os artistas, com os artesãos e, acima de tudo, com a comunidade local”, explicou.
O autarca referiu que a iniciativa arrancou nos bairros Além do Rio e dos Batoques por serem locais emblemáticos da cidade, procurando devolver-lhes uma nova dinâmica. "Pretende trazer uma vida nova aos nossos bairros, valorizar a comunidade, os locais históricos e dinamizar o trabalho em rede entre as associações."
Ao longo de dois meses serão desenvolvidas oito intervenções artísticas e culturais, que culminarão, a 19 de setembro, num grande evento aberto à população.
Entre as atividades previstas encontram-se instalações artísticas, artes circenses, teatro, música, ações de interpretação da natureza, valorização do património gastronómico, oficinas comunitárias e a criação do hino do bairro Além do Rio.
Segundo Pedro Rego, cerca de 250 pessoas estarão diretamente envolvidas no projeto, número que poderá aumentar para cerca de 350 participantes à medida que as atividades forem decorrendo. "São as próprias pessoas da comunidade que vão participar em todas as peças e atividades, sempre com o apoio das associações culturais”, apontou.
O vice-presidente adiantou ainda que o BairroFolia foi concebido como um projeto-piloto, com o objetivo de, futuramente, ser alargado a outros bairros da cidade. "Se correr como esperamos, pretendemos replicá-lo noutras zonas de Bragança nos próximos anos."
A produção executiva está a cargo da empresa Transmute. Pedro Cepeda explicou que o projeto pretende recuperar o espírito comunitário dos bairros através da cultura.
"O próprio nome indica que é um projeto dedicado aos bairros para recuperar um certo bairrismo, orgulho e sentimento de pertença." Na sua perspetiva, os bairros devem ser encarados como espaços de convivência e não apenas como locais de residência.
"Este projeto serve exatamente para valorizar as comunidades utilizando a arte como veículo para atingir esse objetivo”, afirmou.
O responsável explicou ainda que os processos de criação já começaram e envolvem um trabalho próximo com os moradores. "Quando é com comunidade exige ouvir as pessoas e criar com elas. São processos longos, mas muito gratificantes."
Uma das associações envolvidas é a Fisga, responsável pela componente teatral. O diretor artístico, Acácio Pradinhos, revelou que o espetáculo será inspirado na vida de José Joaquim Pereira, conhecido pelos presépios e pelas réplicas de monumentos que construiu num terreno junto ao rio Fervença.

A história procurará retratar a transformação de um terreno agrícola numa exposição ao ar livre que se tornou uma referência turística da cidade. "Vamos contar como teve a coragem de transformar aquele terreno numa exposição que hoje atrai muitos turistas”, revelou.
Também a gastronomia terá um papel de destaque. Bruno Lopes, profissional de pastelaria e descendente de uma família do bairro Além do Rio, será um dos participantes responsáveis pela confeção de produtos tradicionais no forno comunitário. "Aceitei este convite com grande entusiasmo. A ideia é juntar os habitantes do bairro e fazer tudo à moda antiga."
Durante as oficinas serão produzidos pão, folar e outros produtos tradicionais, recuperando métodos de confeção ancestrais. Para Bruno Lopes, o projeto representa uma oportunidade para devolver protagonismo a uma zona histórica da cidade.
"É uma forma de elevar este bairro, que nos caracteriza enquanto brigantinos e que merece voltar a ter o destaque que teve no passado”, disse.
Ao longo dos próximos dois meses vão decorrer ensaios, oficinas e atividades abertas à comunidade, culminando, a 19 de setembro, com uma programação que reunirá as oito intervenções desenvolvidas pelos diferentes parceiros.












