Quando os direitos humanos são apenas um slogan
Estará a Fifa a defender princípios ou a adaptação conforme quem está em causa?
Apesar de já anteriormente se ter falado em direitos humanos, já há algum tempo que venho a refletir sobre este tema e, apesar de Portugal já não estar a competir neste mundial, não deixa de ser relevante abordar este tema.
Em 2022 com a realização do Mundial no Qatar, a Fifa, e bem, veio pronunciar-se com um discurso de compromisso para com os direitos humanos, já em 2026 temos os Estado Unidos da América como anfitrião, um país que neste momento tem um ambiente político que gera bastante insegurança para determinados grupos, e um país onde ouve detenções e restrições de entrada que afetaram atletas, adeptos e jornalistas no entanto, eu questiono-me sobre se este compromisso se mantém ou se está apenas dependente de interesses políticos e económicos?
Para um evento como este que pretende ser universal, estas políticas levantam sérias preocupações.
Os jogadores do Irão sofreram restrições de entrada nos EUA, tal como atrasos e recusas de vistos, os jogadores do Senegal sofreram na pele as políticas migratórias persecutórias dos EUA, e depois temos também o caso do árbitro da Somália, Omar Abdulkadir Artan, que foi impedido de entrar nos EUA apesar da sua nomeação para arbitrar o mundial.
Tudo isto evidência que nem todos competem da mesma forma ou têm os mesmos direitos, mostrando também a falta de resposta e proteção por parte da Fifa.
Estará a Fifa a defender princípios ou a adaptação conforme quem está em causa?
O que me leva a um outro ponto: se a Rússia foi expulsa do mundial, também Israel deveria ter sido expulso pelo genocídio que está a levar a cabo na Palestina e na Cisjordânia, e os EUA pelo apoio constante a Israel e pelas suas práticas similares em outros tantos.
Não nos deveríamos perguntar do porquê de estes não terem sofrido sanções? Parece-me que para a Fifa estes direitos não são universais como nos querem fazer acreditar, são apenas instrumentos políticos aplicados conforme a sua conveniência. E sendo esta uma organização mundial de futebol, deveria não só promover como também respeitar aquilo que tanto apregoa como a paz, a coesão social, o respeito e o diálogo.






