Nova burla informática gera preocupação em Mirandela
Uma nova forma de burla informática está a gerar preocupar entre empresas e particulares. Em Mirandela, Joel Costa, proprietário de uma loja de informática, relata que cerca de 30 clientes procuram a NetStore, para pedir ajuda. Há quem tenha sido quase burlado, já outros caiaram mesmo na armadilha.
Os episódios são relativamente recentes, já que tem acontecido nos últimos três a quatro meses. “Há vários clientes que foram alvo de tentativas de fraude através de emails aparentemente legítimos”, explica Joel Costa, partilhando que há pelo menos “três ou quatro casos que os clientes perderam mesmo dinheiro”.
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Segundo o informático, um dos métodos que mais tem surgido passa pelo envio de falsos pedidos de orçamento. “Enviam um email a uma empresa, muitas vezes com um pedido para consultar um orçamento ou solicitar preços de determinado material”, começa por explicar. Depois o objetivo “é levar o destinatário a abrir um ficheiro que, em vez de conter um simples documento, pode instalar um programa malicioso no computador”.
Ao abrir determinados anexos, nomeadamente ficheiros executáveis ou ficheiros compactados, o utilizador pode estar, sem se aperceber, a instalar um programa de espionagem. A partir daí, “os atacantes podem acompanhar a atividade realizada no computador e tentar obter dados de acesso a contas de email ou bancárias”, refere.
O proprietário da NetStore explica ainda que o ataque pode não ser imediatamente percetível. “Não se vai notar logo depois de abrirmos o email. Vai-se notando com o tempo”, afirma, acrescentando que o objetivo pode passar por acompanhar aquilo que o utilizador faz no computador e recolher informação.
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Uma das características que mais preocupa Joel Costa é a possibilidade de o computador infetado ser utilizado para dar credibilidade a novos ataques.
Depois de uma empresa abrir um ficheiro malicioso, o vírus pode enviar mensagens semelhantes para os contactos existentes na caixa de correio. Desta forma, o pedido de orçamento parece ter sido enviado por uma empresa ou pessoa conhecida, aumentando a probabilidade de o destinatário confiar no email.
“Essa empresa vai enviar aos contactos deles exatamente um email com isso, a pedir um orçamento. Mas, na verdade, não é nenhum orçamento enviado pela empresa, é o próprio vírus que faz isso”, explica.
Falsas páginas de bancos também estão a ser usadas
O ataque pode não ficar pelo computador. De acordo com Joel Costa, os criminosos recorrem também à criação de páginas falsas que imitam os sites de instituições bancárias.
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“Eles arranjam maneira de copiar uma página dos bancos mais conhecidos, como a Caixa Geral de Depósitos, Santander, BPI, e vão para páginas muito parecidas. Nós chamamos isso phishing”, explica. O phishing é um ciberataque que usa mensagens falsas, que finge ser de empresas confiáveis para roubar dados confidenciais, como senhas e números de cartões de crédito.
A vítima acredita estar a entrar no site verdadeiro do banco e introduz os seus dados. Posteriormente, pode receber uma mensagem a solicitar um código de confirmação, aparentemente relacionado com o acesso à conta.
Joel Costa reforça que a introdução desse código pode, em determinadas situações, permitir aos criminosos validar uma operação bancária. “Há casos em que os clientes ficaram sem saldo na conta e outros em que a fraude foi detetada a tempo, permitindo bloquear a conta antes de ocorrerem transferências”, conta.
Primeiro passo é contactar o banco
Quando existe suspeita de que uma conta bancária foi comprometida, a recomendação é agir imediatamente e contactar a instituição bancária para bloquear o acesso.
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Só depois, explica Joel Costa, alguns clientes recorrem à NetStore para uma intervenção informática. Nesses casos, a loja procede à reinstalação do sistema operativo e à instalação de um antivírus, sobretudo quando se trata de computadores utilizados por empresas.
Ainda assim, o responsável sublinha que um antivírus, por si só, não é suficiente.
“É muito importante nós termos um antivírus e um bom antivírus às vezes não é suficiente”, alerta, destacando a necessidade de os utilizadores estarem atentos aos emails e aos ficheiros que abrem.
Desconfiar antes de abrir
Para Joel Costa, uma das principais formas de evitar este tipo de fraude é confirmar a origem dos emails antes de abrir qualquer anexo.
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Se uma empresa receber, por exemplo, uma mensagem de uma entidade com a qual mantém uma relação comercial, a recomendar o pagamento de uma dívida ou mensalidade, a indicação é contactar diretamente essa entidade através de um canal conhecido, em vez de utilizar os contactos fornecidos no próprio email.
O mesmo deve acontecer perante um pedido de orçamento inesperado.
“Se nós desconfiarmos um bocadinho daquela empresa pedir-nos um orçamento, é pegarmos no telefone: ‘Recebemos aqui este email com um pedido de orçamento, é vosso, posso abrir?’”, aconselha.
Também é importante verificar o tipo de ficheiro anexado. Um PDF é, em princípio, menos suspeito do que um ficheiro executável ou um ficheiro compactado, embora Joel Costa sublinhe que nenhum formato deve ser considerado automaticamente seguro quando existem outros sinais de alerta.
O responsável da NetStore afirma ter conhecimento de casos em que foram apresentadas queixas à PSP e considera fundamental que as vítimas denunciem as situações, mesmo quando não chegaram a perder dinheiro.
“Mesmo que não tenha acontecido, faça queixa”, aconselha Joel Costa, defendendo que a informação fornecida pelas vítimas pode ajudar as autoridades a identificar padrões e a investigar os responsáveis.
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