Especialistas internacionais reúnem-se em Bragança para discutir desafios dos moluscos de água doce
Especialistas de vários países vão reunir-se em Bragança, entre 7 e 10 de setembro, para discutir os principais desafios na conservação dos moluscos de água doce, um dos grupos faunísticos mais ameaçados a nível mundial.
A cidade de Bragança volta a ser palco de um encontro europeu dedicado à conservação dos moluscos de água doce, 14 anos depois de ter acolhido a primeira reunião científica europeia sobre a conservação de bivalves de água doce. A Universidade Politécnica de Bragança (UPB) recebeu, a partir desta segunda-feira, o 3.º Simpósio Europeu da Freshwater Mollusk Conservation Society, que reúne especialistas de referência internacional.
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Durante os quatro dias, investigadores e especialistas vão avaliar os progressos alcançados na conservação destes organismos e discutir prioridades e estratégias para a próxima década. O encontro pretende ainda reforçar a cooperação científica internacional e aproximar diferentes redes dedicadas à proteção da biodiversidade aquática.
Os moluscos de água doce desempenham funções importantes nos ecossistemas e têm também relevância económica e social. Apesar dos avanços no conhecimento da sua biologia, ecologia e conservação, continuam a integrar um dos grupos de animais mais ameaçados do mundo, o que tem aumentado a necessidade de articular a investigação científica com medidas concretas de proteção dos seus habitats e populações.
O programa científico do simpósio está dividido em dez áreas temáticas, que vão desde a ecotoxicologia, genética e reprodução até à sistemática, espécies invasoras, conservação de espécies e habitats, restauro de ecossistemas e biologia e ecologia.
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Entre os especialistas convidados estão David Aldridge, da Universidade de Cambridge, Jürgen Geist, da Universidade Técnica de Munique, Arthur Bogan, do North Carolina Museum of Natural Sciences, David Strayer, do Cary Institute of Ecosystem Studies, e Mary Seddon, presidente do Mollusc Specialist Group da Comissão para a Sobrevivência das Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O encontro conta também com a participação de Agustín Basso, da Universidad Nacional del Litoral, na Argentina, ligado à rede sul-americana BIVAAS.
A dimensão internacional é uma das apostas desta terceira edição, que pretende estreitar a colaboração entre a Freshwater Mollusk Conservation Society e a BIVAAS. A troca de experiências entre investigadores de diferentes regiões biogeográficas deverá contribuir para o desenvolvimento de estratégias de conservação mais coordenadas.
O programa termina, a 10 de setembro, com uma visita de campo ao Parque Natural do Douro Internacional e ao rio Rabaçal, na bacia do Tua. Os participantes vão observar populações de Unio delphinus, Anodonta anatina e Potomida littoralis, espécies que enfrentam diferentes pressões sobre os seus habitats.
A sessão de abertura do simpósio aconteceu, esta segunda-feira, no Auditório Alcínio Miguel, na ESTiG-UPB. O encontro é organizado pela Universidade Politécnica de Bragança e pela Freshwater Mollusk Conservation Society.
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