Da Junqueira para o futebol adaptado: a luta e a resiliência de Milton Martins
Natural da aldeia da Junqueira, no concelho de Vimioso, Milton Martins é um exemplo de superação e resiliência. Depois de um acidente que lhe obrigou à amputação de uma perna, viu-se afastado do desporto durante vários anos. No entanto, a paixão pela atividade física e a determinação em não desistir permitiram-lhe reencontrar um novo caminho através do futebol para amputados, modalidade que está agora a dar os primeiros passos em Portugal.
Atualmente, no Estrela da Amadora, Milton Martins é um dos principais impulsionadores do futebol para amputados no país. Em conjunto com Miguel Barbosa, antigo atleta do Famalicão que também perdeu uma perna na sequência de um grave acidente, tem trabalhado na divulgação da modalidade e na captação de novos praticantes.
“O projeto surgiu com o Miguel Barbosa e começou no Norte. Mais tarde estendeu-se à zona de Lisboa, onde sou responsável por recrutar atletas e orientar os treinos”, explica.
A modalidade, embora ainda recente em Portugal, está já bastante desenvolvida em vários países, como Brasil, Angola, Polónia e Turquia, onde existem campeonatos competitivos, equipas femininas e escalões de formação. Em território nacional, o projeto arrancou no Norte em outubro e chegou a Lisboa em fevereiro deste ano, estando, atualmente, sediado no Estrela da Amadora.
Para Milton Martins, a adaptação ao futebol para amputados exigiu um enorme esforço físico e mental. Habituado desde jovem à prática de diversas modalidades, entre as quais BTT, voleibol, andebol, atletismo e futebol, viu a sua rotina desportiva interrompida após o acidente.
“Estive quase cinco anos sem praticar qualquer modalidade. Depois comecei a frequentar o ginásio e surgiu esta oportunidade. É um desporto muito difícil, completamente diferente do futebol tradicional. Exige muito dos braços, dos ombros e da resistência física”, refere.
No futebol para amputados, os jogadores de campo têm amputação ou deficiência num dos membros inferiores, enquanto os guarda-redes apresentam amputação ou deficiência num dos membros superiores. A deslocação é feita com recurso a canadianas, o que torna o esforço físico particularmente intenso.
Apesar das dificuldades, os objetivos são ambiciosos. O grupo tem participado regularmente em estágios na Cidade do Futebol e sonha com a criação de uma seleção nacional capaz de competir ao mais alto nível internacional.
“O objetivo é representar Portugal, disputar qualificações para campeonatos da Europa e do Mundo e, no futuro, ver clubes portugueses a competir nas provas europeias da modalidade”, afirma.
Mais do que os resultados desportivos, Milton Martins acredita que o futebol para amputados pode ser uma ferramenta de inclusão e motivação para muitas pessoas que enfrentam situações semelhantes.
“Nunca devemos desistir. Pode custar muito, mas o trabalho acaba por ser recompensado. É essa a mensagem que deixo a todos: nunca desistam dos vossos sonhos e continuem a lutar por aquilo em que acreditam”, sublinha.
Milton Martins não só voltou ao desporto como ajuda a abrir caminho para que outros amputados encontrem no futebol uma oportunidade de superação, integração e esperança.
