Santulhão mostrou o melhor do mundo rural transmontano
Junho chegou. É o mês dos Santos Populares, das festas, dos reencontros e das aldeias cheias de vida. E foi precisamente com esse espírito de união, de tradição e de orgulho nas raízes que Santulhão, no concelho de Vimioso, viveu mais um fim de semana memorável, afirmando-se como uma das terras mais dinâmicas do nosso Nordeste Transmontano.
A Feira do Azeite e da Oliveira Santulhana voltou a ser um sucesso e demonstrou que o interior continua vivo quando acredita nas suas pessoas, nos seus produtos e nas suas tradições. A Rádio Brigantia e a Família do Tio João tiveram a honra de transmitir em direto a partir de Santulhão, levando o nome da aldeia para todo o país e para o mundo através da internet. Ainda a manhã mal tinha começado e já encontrávamos uma terra pronta para receber visitantes, expositores e amigos.
À nossa espera estava o presidente da Junta de Freguesia, Adrião Rodrigues, que nos falou do crescimento da feira e da grande novidade desta edição: a realização do Concurso de Raças Autóctones. Foi uma aposta feliz e acertada. Santulhão é uma terra profundamente ligada à agricultura e à pecuária e possui um património extraordinário ao nível das raças tradicionais.
O concurso reuniu cerca de quarenta produtores de ovinos e caprinos, que trouxeram os seus animais para uma mostra de grande qualidade. Estiveram representadas cinco raças autóctones de enorme importância para a região: a Cabra Serrana, a Cabra Preta de Montesinho, a Churra Mirandesa, a Churra Bragançana Branca e a Churra Bragançana Preta. Mais do que uma competição, foi uma homenagem aos pastores e criadores que continuam a preservar um património genético único, transmitido de geração em geração.
Mas a grande protagonista da feira continua a ser a oliveira e o azeite. Santulhão vive profundamente ligada ao olival. As oliveiras fazem parte da paisagem, da economia e da identidade da freguesia. Atualmente existem cinco marcas de azeite produzidas na aldeia, um sinal da vitalidade de um setor que continua a ser motivo de orgulho para a população.
Ao longo dos dois dias, cerca de quarenta e cinco expositores deram vida ao recinto, promovendo produtos locais, artesanato, gastronomia e o melhor que a região tem para oferecer. O ambiente foi de convívio, amizade e partilha, mostrando que as aldeias continuam a ter uma enorme capacidade de mobilização quando trabalham em conjunto. Houve reencontros de amigos, visitas de emigrantes, conversas demoradas entre gerações e a satisfação de ver tanta gente reunida em torno daquilo que melhor caracteriza esta terra: a autenticidade das suas tradições e a hospitalidade das suas gentes.
Santulhão deu um exemplo. Mostrou que é possível preservar tradições e, ao mesmo tempo, criar iniciativas capazes de atrair visitantes, promover a economia local e reforçar o orgulho da comunidade. Num tempo em que tantas vezes se fala das dificuldades do interior, esta aldeia respondeu com trabalho, organização e visão.
Foi um fim de semana que honrou o passado, valorizou o presente e lançou esperança para o futuro. E quem passou por Santulhão levou consigo a certeza de que há terras que nunca deixam morrer a sua alma. Terras onde as oliveiras continuam a dar fruto, os pastores continuam a guardar os rebanhos e as pessoas continuam a acreditar que o futuro se constrói sem esquecer as raízes. Santulhão é uma dessas terras. E por isso merece ser conhecida, visitada e aplaudida. Mais do que uma feira, viveu-se uma afirmação coletiva da identidade rural, uma demonstração de confiança nas capacidades da população local e uma prova de que as pequenas comunidades continuam a ter um papel fundamental na preservação da cultura, das tradições e dos valores que fazem a riqueza do nosso Nordeste Transmontano.
Estiveram de parabéns: Justina Nogueira (96) Lebução (Valpaços);; Isabel Santos (82) Torre Dona Chama; Nersinda Capela (81) Vilar de Ouro (Mirandela); António Fernandes (77) Jou (Murça); Artur Gonçalves (74) Atenor (Miranda do Douro); Alberto Beiroto (73) Bragança; Maria Mofreita (73) Mirandela; José Barreira (69) Valpaços; Carlos Pires (63) Mirandela; Irene Alves (58); Carla Pinela (55) Bragança; Vítor Ruano, Vítor Gonçalves (48) e Ana Meirinhos (23) São Martinho (Miranda do Douro); Carla Pinela (55) Bragança; Manuel Jardino (54) Bragança; Pedro dos Santos (53) Vila Nova de Monforte (Chaves); Amilcar Taveira (52) Valtelhas (Mirandela); Marco Ferreira (47) Genísio (Miranda do Douro); Carlos Felgueiras (44) Pereiros (Carrazeda de Ansiães); Manuel Pires (38) Sortes (Bragança); Sérgio Palas (37) Fradizela (Mirandela); Filipe Medeiros (31) Nozedo de Baixo (Vinhais); Arón Soeiro (10) Parada (Bragança); Lucas Pires (4) Bragança. Saúde e muitos anos de vida!
