Trabalhadores do Matadouro do Cachão anunciam greve por atrasos salariais
Os trabalhadores do Matadouro Industrial do Cachão anunciaram que vão estar em greve nos dias 27 e 28 de julho, em protesto pelo “não pagamento do subsídio de férias e pela total ausência de informação sobre o estado do processo de insolvência”, revelaram.
O administrador, Michel Monteiro, rejeitou as críticas. “Tinha acordado com os colaboradores pagar até ao dia 15 de julho o subsídio de férias e o pagamento acabou por ser efetuado no dia 17. O vencimento de junho foi pago dentro do prazo. Eu não percebo qual é o alarme por dois dias de atraso”, disse, salientando que “esta ameaça de fazer greve numa altura em que o Matadouro está com dificuldades financeiras, é um dia de abate que se perde, é um dia de receita que se perde, é os constrangimentos que isto traz para os clientes, fragiliza a imagem do Matadouro”.
Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) referiu que “esta greve é o resultado de meses de incerteza, de silêncio e de sucessivas promessas que nunca passaram das palavras”.
Michel Monteiro adiantou ainda que, esta segunda-feira, foi apresentado o novo administrador. “Eu vou continuar como presidente da administração do Matadouro Industrial do Cachão. Mas desde que assumi funções de vereador, a verdade é que não tenho a disponibilidade que tinha antes. E o vereador de Mirandela, o Luís Saraiva, foi nomeado muito recentemente, para este cargo e irá dedicar um pouco mais de tempo ao Complexo Agro-Industrial do Cachão.”
Recorde-se que desde a declaração de insolvência que os trabalhadores, por intermédio do SINTAB, têm procurado obter esclarecimentos sobre o alegado plano de recuperação anunciado publicamente pelas Câmaras Municipais de Mirandela e Vila Flor. Solicitaram uma reunião urgente aos presidentes das duas autarquias, mas “nunca obtiveram resposta”, segundo este sindicato, lembrando que foi ainda solicitada igualmente uma reunião ao Administrador de Insolvência, que “informou não a poder realizar, em virtude da existência de um pedido de impugnação da insolvência”.
Perante este cenário, o SINTAB conclui que o plano de recuperação continua “sem rosto, sem conteúdo e sem qualquer explicação pública. Os trabalhadores, principais interessados no futuro da empresa, permanecem completamente às escuras quanto ao destino dos seus postos de trabalho e da própria infraestrutura.”
Sobre o plano de recuperação, Michel Monteiro, explicou que “o plano de recuperação foi entregue na data em que a lei definia para que fosse entregue e foi enviado para o Tribunal de Bragança, para o juiz que está com este processo”, esclarecendo que “a administração tem culpa que nos últimos meses não se tenha desenrolado rigorosamente nada acerca deste processo. Ele está completamente parado. O que é que nós podemos dizer?”, questionou.
Acredita também que “há uma forte probabilidade da sentença de insolvência vir a ser anulada”, porque um credor que contestou esta ação, é um dos maiores, e tudo indica que venha a ser anulada pelo facto do Matadouro ser detido por uma empresa com capitais públicos. Agora, não sei se a opinião do juiz vai ser esta, mas a verdade é que esta opção está em cima da mesa”, frisou.
Entretanto, o SINTAB apelou às associações representativas dos criadores de gado, dos produtores pecuários e dos agentes económicos ligados ao comércio de carne bovina da região para que assumissem uma posição pública em defesa desta infraestrutura estratégica. “Até ao momento, também desse lado, reina um silêncio preocupante”, revelou.












