UIVO protesta contra mina junto à fronteira e exige avaliação ambiental transfronteiriça

A associação portuguesa UIVO junta-se, amanhã, aos Ecologistas em Ação da Galiza, numa concentração contra a mina de volfrâmio n’A Gudiña, a apenas dois quilómetros da fronteira portuguesa.

22 jul. 2026, 08:48

Segundo António Sá, da UIVO, a iniciativa pretende denunciar o avanço do projeto sem que tenha sido realizada a obrigatória avaliação de impacto ambiental transfronteiriço.

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“Os Ecologistas em Ação, eles também estão obviamente, tanto como nós, preocupados com a mina de San Juan, que está prestes a entrar em funcionamento sem os requisitos necessários, nomeadamente um estudo de impacto ambiental transfronteiriço, e resolveram convidar-nos também a estar presentes nesta concentração, que vai ter uma paragem n’A Gudiña, precisamente.”

A principal preocupação da associação prende-se com os impactos ambientais que a exploração poderá ter em território português, sobretudo ao nível dos recursos hídricos.

“As preocupações são as mesmas que temos vindo a repetir uma e outra vez desde 2024, nomeadamente a proximidade em relação à fronteira. Estamos a falar de uma mina que está apenas a dois quilómetros da nossa fronteira. Estamos a falar de uma mina que vai seguramente contaminar um dos rios mais importantes que atravessa a região, que é o Rio Rabaçal. Portanto, é um rio extremamente importante do ponto de vista ecológico, do ponto de vista de abastecimento de água às populações de Vinhais também, a várias aldeias do concelho de Vinhais. E portanto, com a entrada em funcionamento de uma mina a céu aberto, neste caso de volfrâmio, vai gerar um impacto enorme naquela região.”

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A UIVO denuncia ainda aquilo que considera serem irregularidades no processo de licenciamento da exploração mineira.

“A entrada em funcionamento desta mina estaria sujeita a requisitos fundamentais. Um deles é um estudo de impacto ambiental transfronteiriço, que aliás, como já havia sido sentenciado por um tribunal em Santiago de Compostela. Portanto, não poderia entrar em funcionamento esta mina, nem ser prolongado o seu prazo de concessão, sem haver um estudo de impacto ambiental transfronteiriço. E portanto, os promotores da mina estão a ignorar completamente essa decisão do tribunal.”

Durante a concentração, a associação portuguesa vai entregar uma carta ao presidente da Câmara d’A Gudiña, apelando ao cumprimento da legislação ambiental. António Sá deixa ainda críticas às autoridades portuguesas.

“A APA já sabe disto há muito tempo, o Ministério do Ambiente sabe disto há muito tempo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros também já foi alertado, porque isto também, a solução deste problema põe-se também no plano diplomático, portanto a Embaixada de Portugal tem, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros obviamente, tem que entrar em campo de forma muito decisiva para resolver esta matéria e não o tem feito com a determinação que os cidadãos esperam. É um pouco lamentável que tenha que ser a sociedade civil a mobilizar-se.”

A concentração está marcada para as oito e meia da manhã, junto à igreja de São Martinho, n’A Gudiña.