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Henrique Pedro

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Não é António Costa que está refém. É Portugal que está refém de António Costa!

Lá no palácio de São Bento que, como se sabe, é sede da Assembleia da República e residência oficial do primeiro-ministro, paira uma assombração que muito mal tem vindo a causar à democracia e à nação portuguesas. Não se trata de nenhum espirito maligno do tempo da outra senhora, porque esses já não fazem mal a ninguém, muito embora continuem a ser esconjurados pelos acólitos da dita esquerda que não param de meter medo às criancinhas com histórias de capitalistas, fascistas, racistas, colonialistas e outros que tais. Trata-se mesmo de um espectro sinistro recente que tem impedido que o Portugal democrático cresça e apareça de uma vez por todas, que saia dos subúrbios da Europa e se coloque a par dos parceiros mais ricos e socialmente mais justos. É o espirito do político fujão que em passado recente assombrou os ex-primeiros ministros António Guterres e Durão Barroso e os ex-ministros Victor Constâncio e António Vitorino, de entre outros destacados políticos que tiveram habilidade e descaramento bastantes para bater a asa e voar para poleiros de maior destaque na ONU e na União, abandonando o país caído na desgraça, entregue à pardalada partidária. Políticos estes que, possuídos pelo tal espirito fujão, renunciaram aos cargos para que haviam sido eleitos e optaram por fugir logo que oportunidade favorável se lhes deparou, apesar de terem jurado solenemente servir o povo português com total entrega e devoção. Claro que este espirito maligno do político fujão só encontra ambiente propício nos estados subservientes de instituições transnacionais de maior gabarito e em que reinam regimes políticos de duvidosa democraticidade. Tudo leva a crer que foi este espírito maligno do político fujão que o Presidente da República quis esconjurar com uma reza de mau presságio na tomada de posse do novo governo, porque se lhe terá metido na cabeça, sabe-se lá que por artes ou manhas, que também o empossado primeiro-ministro António Costa, já estaria possuído, ou em vias disso. Verdade ou não, certo é que António Costa não tugiu nem mugiu e se limitou a dizer o que sempre disse em circunstâncias tais, sem tirar nem pôr. Que ninguém duvide, porém: se por acaso António Costa, contra todas as rezas e esconjuras de outrem e juras do próprio, vier a ser tomado pelo tal espirito do político fujão, não fugirá sem primeiro garantir que a sua trupe fica confortavelmente instalada nos cadeirões da administração pública central e local. Ainda que deixe Portugal mais pobre, injusto e marginal, que é o mais certo. Essa nem será, sequer, a sua preocupação maior e muito menos o Presidente da República se afoitará com tal. Em Belém reina um espirito palrador e espectaculoso, vagamente patriótico e nada reformista, pelo que se António Costa decidir abandonar o barco e fugir, seguindo as pisadas de Guterres e Barroso, não será Marcelo de Sousa, que o aturou, apoiou e com ele coabitou, enquanto lhe interessou assegurar a própria reeleição, quem o irá impedir. Fica-lhe bem dizer agora que António Costa está refém, tão- -somente. Trata-se de um bonita figura de retórica, nada mais. A seu tempo se verá, porém, que António Costa não está refém de nada nem de ninguém, muito menos do espirito tagarela de Belém. Só mesmo uma lei para tanto competente, se existisse, poderia obstar a que António Costa, ou qualquer outro político do mesmo calibre, se pudessem dar ao desfrute de abandonar o País a meio do mandato para deliberadamente assumirem cargos estrangeiros pessoalmente mais aliciantes. Não é António Costa que está refém. São os portugueses que vergonhosamente mantidos na cauda da pródiga mãe Europa pela mão dos políticos fujões e dos oligarcas político- -partidários, estão reféns, não da democracia, mas de um regime político corrupto avesso a reformas. Não é António Costa que está refém! É Portugal que está refém de António Costa!

O diabo existe. Chama-se Vladimir Putin!

Lembro-me bem de ter ouvido o santo Papa João Paulo II afirmar, perentoriamente, que o diabo existe. Acredito que sim e que, no presente, se chama Vladimir Putin, face ao inferno que instalou na martirizada Ucrânia. Diabo que também já deu pelos nomes de Hitler, Lenine, Stalin e demais encarnações que capitanearam os maiores genocídios que a História Universal regista. Todavia, enquanto crente, não compreendo porque Deus ainda não acabou com a raça. Mas desçamos à Terra, por agora. Guerras sempre as houve, o que levou o sociólogo francês Gaston Bouthoul, especialista do fenómeno bélico, a sentenciar qualquer coisa como “ foi a guerra que gerou a História”. O que não deixa de ter sentido, muito embora outros factos históricos relevantes, como o nascimento, vida e morte de Jesus Cristo, por exemplo, tenham escrito mais História do que todas as guerras. Certo é que o contendor que toma a iniciativa de atacar injustificadamente outro país, não pode ser olhado da mesma forma que o agredido que tem todo o direito de se defender. Do lado do atacado poderemos então entender que a guerra é justa, muito embora Santo Agostinho enumere outros critérios e não explicitamente este. Lamentável é concluir, isso sim, que apesar de tanta guerra e tanta História o ser humano pouco ou nada evoluiu no que toca aos seus instintos mais básicos, sobretudo no que à agressividade e à tentação totalitária diz respeito. Só assim se compreende que todas as guerras sejam iguais em desumanidade, destruição e desgraça mas muito diferentes no espaço e no tempo em que decorrem, nos meios e nos métodos que utilizam, nas causas e nas razões que as originam. Por outras palavras: a natureza humana não melhorou significativamente depois de milénios de conflitos como paradoxalmente o demonstra a continuada sofisticação e diversificação dos instrumentos e modalidades de guerra que, com as armas nucleares, químicas, biológicas e cibernéticas, ganharam abrangência e poder de destruição nunca vistos. E o mais que se verá! A guerra em curso na Ucrânia é mais uma trágica aprendizagem para todos os homens de boa-fé ou de boa vontade. Uma guerra que, por mais que custe a acreditar, se iniciou com a surpreendente e cruel agressão a um país independente, livre e democrático, a Ucrânia, perpetrada pelos exércitos de um tirano desapiedado. Os geopolitólogos tradicionalistas, particularmente aqueles que se assumem como neutrais em benefício do sinistro Putin, apenas referem causas clássicas de natureza geoestratégica para explicar e justificar tão descarada agressão. Invocam ameaças teóricas, disputas territoriais e de matérias- -primas essenciais, causas eminentemente materiais, portanto, ignorando factores imateriais decisivos como sejam a velha tentação totalitária ou a religião. Muito menos referem o nacionalismo, o patriotismo, a cultura e a ideologia que explicam muitos conflitos passados e recentes, bem como, no caso vertente, a inesperada e heroica reacção da nação agredida. A causa primeira de todas as guerras sempre foi e continua a ser a atávica tentação totalitária, que gerou impérios sacrificando nações, sendo que a religião não é menos relevante nesta matéria. Para o Islão, por exemplo, a guerra é um dever para com o ente divino, acima de todo e qualquer factor material e tanto assim é que reserva um paraíso aos seus guerreiros. E que dizer da ideologia marxista-leninista, outro exemplo, que motivou os maiores massacres da história contemporânea? O agressor Putin aponta como razões para mais esta sua iniciativa bélica a ameaça de que diz ser alvo por parte da NATO, para lá do falso argumento de que a Ucrânia, historicamente, é parte integrante da Rússia. Putin que habilmente e de má-fé, ousou submeter os países mais poderosos da Europa às suas potencialidades energéticas. Putin que comprou livremente armas e componentes estratégicos nos mercados europeus enquanto a Europa estupidamente se desarmava. Putin que guerreou barbaramente na Chechênia, na Geórgia e na Síria sem que ninguém do chamado Ocidente se lhe tenha interposto. Putin que, tanto quanto se sabe, detém paradoxalmente uma imensa fortuna pessoal em países europeus que agora considera hostis. São malignas, sem dúvida, as motivações que agora levaram Putin a massacrar desapiedadamente o povo ucraniano sendo por demais evidente que a invasão da Ucrânia tem uma só causa que é a falta de razão de Putin, a sua mais que provável insanidade mental, a sua sinistra obsessão de pretender reerguer o antigo império russo, alargando-o ao império soviético de má memória. Mas talvez a psiquiatria não explique tudo. Talvez tudo ficasse mais claro se exorcistas qualificados expulsassem os demónios que desde 1917 moram no Kremlin. PS.: Jamais a Humanidade correu tão graves perigos. Enquanto crente associo-me a todas as orações pela paz dirigidas, sobretudo, a Nossa Senhora de Fátima.

Os “putinófilos”

Numa divertida expressão popularizada nas redes sociais, os amigos, simpatizantes, ou simplesmente fãs do déspota Vladimir Putin são designados por “putinófilos”, como se de um qualquer cantor ou futebolista se tratasse. Convém lembrar, por isso, que Vladimir Putin governa a Rússia desde a renúncia de Boris Iéltsin, em 1999, já lá vão 23 anos, portanto, e que entre os eventos notáveis de seu sinistro consulado estão os assassinatos, nunca devidamente esclarecidos, de vários opositores políticos, designadamente de Anna Politkovskaia e de Alexander Litvinenko, Foram estes factos e outros ainda mais graves, que celebrizaram Putin, não as cantigas ou o desporto, nem mesmo tocar piano para mundo ver enquanto esperava pelo presidente da China, Xi Jinping. Talvez também por estes dias se esteja divertindo a tocar a Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner, enquanto pelas janelas do Kremlin entra o som das explosões das bombas em Kiev. Vladimir Putin, que os pusilânimes líderes do Mundo Livre nunca tiveram discernimento e coragem suficientes para o enfrentar como merece, é uma personalidade sinistra que não canta, não chora, nem ri, como melhor agora se manifesta com as atrocidades que as suas tropas estão a cometer ma martirizada Ucrânia. Vladimir Putin que governa como lhe dá na real gana, prende e mata a eito, e manda despejar bombas a esmo sobre escolas, hospitais, bairros residenciais e até centrais nucleares como em Zaporíjia, para lá de ameaçar varrer a Terra com as bombas atómicas como se isso fosse a coisa mais banal deste mundo. Vladimir Putin que, ninguém duvide, entusiasmado com a patente inutilidade da NATO, a fraqueza dos governantes europeus e se acaso a heroica Nação ucraniana se lhe tivesse submetido sem disparar um tiro, como projectou, aproveitaria a oportunidade para, na passada, avançar sobre Berlim e Paris. Os fãs, amigos e simpatizantes do sinistro Putin, os divertidos “putinófilos”, não são, portanto, vulgares amigos, fãs, simpatizantes como os de um qualquer cantor, desportista ou indiscriminado perfil do Facebook. Os “putinófilos” são, isso sim, apoiantes, apologistas, cúmplices das atrocidades do sinistro “big brother” Vladimir, mesmo se disso não têm consciência. Os “putinófilos” são uma espécie rara, venenosa, da exuberante fauna do Mundo Livre, que não deve ser confundido com Ocidente porquanto este é um conceito meramente geográfico cuja associação apenas serve os maléficos desígnios do dito cujo e de outros que tais. Assim é que do Mundo Livre, em que a democracia é lei, fazem parte, entre outros, o Japão, a Coreia do Sul ou a Austrália situados bem lá no Oriente, em contraposição com a China de Xi Jinping, a Rússia de Putin ou a Coreia do Norte de Kim Jong-un, que são partes integrantes do oposto Mundo da Tirania, a que também pertencem a Venezuela de Nicolas Maduro ou a Cuba de Mario Díaz-Canel, muito embora situados no hemisfério ocidental. Os “putinófilos” vegetam livremente nas democracias do Mundo Livre que, diga-se em abono da verdade, não possui apenas virtudes porquanto também enferma de grandes maldades, como sejam a corrupção generalizada ou o aborto livre que só no ano passado ceifou a vida a mais de 200 milhões de nascituros, almas que boa falta lhe faziam. Os “putinófilos” mais fervorosos trazem no cérebro um martelo e uma foice no coração com que martelam a liberdade e ceifam a democracia a seu jeito, relevando os genocídios perpetrados por Josef Stalin, Mao Tsé-Tung ou pelo mais recente Pol Pot que, entre 1975 e 1979, promoveu a execução de cerca de 2 milhões de pessoas. Mas também há “putinófilos” que trazem a cruz gamada ao peito, o que não é de espantar dado que fascismo e comunismo são farinha do mesmo saco, embora amassada e cozida com receitas diferentes. E também há, entre nós, jornalistas, intelectuais de pacotilha e até generais de aviário que são “putinófilos”. Compõem lindos ramalhetes de intelectualidade, neutralidade e tolices sem nexo, que embrulham em lustroso papel de celofane para presentear o camarada Vladimir. Já se tornou fastidioso vê-los e ouvi-los perante as câmaras de televisão, a adoçar subtilmente as bombas amargas que incessantemente martirizam os povos da Ucrânia. Reduzem a geopolítica a uma contabilidade desapiedada, ao deve e haver dos tirânicos donos do mundo para concluir, como é óbvio, que o saldo é positivo para o seu tirano preferido. Os “putinófilos” usufruem da sacrossanta liberdade de expressão que é apanágio da democracia para difundirem a propaganda de guerra do seu sinistro amigo Vladimir. Os “putinófilos” ignoram, ou fingem não entender, que a injustificada, e bárbara, invasão da Ucrânia pelas tropas do paranóico Putin, para lá dos irracionais factores geoestratégicos que a possam explicar, é uma tenebrosa batalha entre o Mundo Livre e o Mundo da Tirania. É isto que importa realçar.

Que santo Alexandre nos valha!

Começo por esclarecer que, consciente da grande confusão que para aí vai, designadamente no discurso dos políticos mais categorizados, pessoalmente e sem obediência a nenhum credo partidário, mais uma vez me declaro contra o Regime político vigente, o que de forma alguma significa que seja contra o Sistema Político de Democracia Liberal e Representativa. Sistema político que, convém relembrar, assenta em três princípios fundamentais: cada cidadão seu voto, separação de poderes e eleição livre e justa dos competentes representantes para bem governar a Nação, podendo assumir várias formas constitucionais, ou regimes se se preferir. Ora, se tivermos em conta os princípios atrás citados havemos de concluir que o actual Regime português não é genuinamente democrático, nem como talse comporta, porquanto muitas dúvidas se levantam quanto à justeza dos actos eleitorais, como acaba de se constatar com os votos da emigração, para lá de que a separação de poderes e a representatividade estão amplamente viciados. Desde logo pela promiscuidade que se tem verificado entre a Presidência da República e o Governo e entre este e a Assembleia da Republica, a Justiça e a alta Finança, com a complacência da primeira instância. Depois porque também são por demais conhecidas deficiências graves da lei eleitoral e da lei autárquica, entre outras igualmente relevantes, que seria fastidioso aqui enumerar. Só assim se compreende que o Regime em apreço favoreça a corrupção generalizada, os altos índices de abstenção, o nepotismo e o compadrio, sem que os tribunais tenham mãos a medir para tantos crimes de natureza política. Sobretudo porque os políticos, genericamente falando, e os partidos, eles mesmos, vivem e medram nesse seu habitat privilegiado que defendem com unhas e dentes. Com graves prejuízos da dignidade do Estado, do erário público, da justiça social, do desenvolvimento sustentado do Pais e da coesão do território, como é por demais evidente. Não é por acaso que recorrentemente alguns políticos mais lúcidos trazem a público a emergência imperiosa da revisão da Constituição e da reforma do Estado, sem as quais a democracia continuará asfixiada e o país a definhar. É que raiz do mal está no Regime que é permissivo a todo o tipo de maldades e dos malfeitores que existem em toda a parte. Reformas que mais uma vez vão ficar congeladas com a maioria absoluta que o PS acaba de alcançar. Isto significa que o sistema de Justiça, o combate à corrupção, as leis eleitoral e autárquica vão continuar dependentes do livre arbítrio do Governo que no facciosismo, nas mordomias e sinecuras, na manipulação abusiva dos órgãos de comunicação mais influentes, tem as suas pedras de toque. Por outras palavras: a governança opaca, sectária e fantasiosa de António Costa vai adensar-se com a maioria absoluta. É o mais certo. Sem que, agora mais que nunca, nada nem ninguém lhe faça frente. Desde logo porque o actual Presidente da República já deu provas de que não tem vocação para tanto. O comentário político e as selfies emblemáticas vão continuar a ser, seguramente, o seu mais delicioso entretém. Depois porque o PSD vai continuar democraticamente inútil. Inutilidade agravada com a reconhecida falta de qualidade do seu novo grupo parlamentar. Depois porque a Justiça vai continuar enredada e subvertida apenas dignificada por meia dúzia de denodados magistrados. Depois porque a alta e a baixa Finança vão engalfinhar-se na disputa do bolo da CEE. Depois porque ao BE, destroçado e desacreditado, pouco mais resta que discutir o sexo dos anjos. Depois porque o PCP desgastado e alquebrado já tornou pública a intenção de se manifestar nas ruas, embora pouco mais consiga que sobressaltar os sem-abrigo. Algumas esperanças de dinamização e renovação democrática recaem, goste- -se ou não, nos vinte aguerridos deputados eleitos pelo Chega e pela Iniciativa Liberal que na Assembleia da Republica se farão ouvir, cada uma à sua maneira, protestando, denunciando e, sobretudo, ameaçando cativar o povo para futuros combates eleitorais, o que não deixará de muito preocupar o PS. Nunca se sabe, porém, se tudo não terminará em circo e folclore e se a montanha não irá parir um rato, até porque o mais certo será a oposição tradicional correr atrás de mitos e centrar os seus ataques no Chega e não no Governo, como seria democraticamente desejável. Eu diria, por tudo isto, que mais sólidas esperanças infunde o juiz Carlos Alexandre que aqui designo alegoricamente por santo Alexandre porque, como é por demais sabido, tem protagonizado prodigiosos milagres no combate à epidemia da corrupção. Alguns dos quais continuam a abalar o Regime, como é o caso que envolve o ex-primeiro ministro José Sócrates, figura maior do socialismo à portuguesa. Que santo Alexandre nos valha, portanto! O nosso, o de Mação, não o do Egipto! Vale de Salgueiro, 10 de Fevereiro de 2022.

A tentação totalitária socialista

Escrevo esta crónica no dia 27 quando ainda não são conhecidos os resultados eleitorais, como é óbvio, e as sondagens cada vez mais baralham os espíritos. Acresce que esta Crónica apenas será publicada depois de consumado o acto eleitoral. Não tenho, portanto, a mais pequena intenção de interferir na campanha eleitoral por mais influente que pudesse ser a minha humilde opinião. Acontece que não acredito no Regime vigente, muito embora continue a ter fé no Sistema de Democracia, liberal e representativa. Para mim, só mesmo esta democracia é revolucionária! Qual foice, qual martelo, qual punho fechado, qual sinistra globalização?! (https://henriquepedro.blogspot.com/2020/09/imperio- -mistico.html) Regime que persiste em promover a corrupção, a pobreza, as desigualdades sociais e a macrocefalia lisboeta, em prejuízo das demais regiões, em especial do meu querido Trás-os-Montes. ´ Regime que persiste em denegar o muito de bom e de bem que os portugueses fizeram por esse mundo de Cristo além. Não me cansarei de dizer, a este propósito, que militei, com muito orgulho e honra, no Exército mais humano da História que em simultâneo com a missão militar rasgou estradas, ergueu escolas e hospitais, tratou, curou, ensinou a ler e a escrever e matou a fome a milhares de infelizes. Que promoveu a paz e harmonia interétnicas e corrigiu os desmandos prevalecentes do colonialismo ancestral. Por tudo isso, não deixarei de pedir à Nossa Senhora de Fátima, se necessário for, que salve Portugal do pântano político e social em que cada vez mais se afunda. Donde se depreende que darei o meu apoio a todas as forças, sejam de esquerda, do centro ou de direita, que genuinamente se empenhem numa reforma positiva do Regime e do Estado. Mais uma vez constato, com tristeza que, apesar dos quase 50 anos que a democracia já leva, os políticos portugueses mais influentes ainda não alcançaram a necessária maturidade democrática já que se têm mostrado incapazes de bem governar o País, com maioria relativa ou absoluta. Por insuficiência de carácter ou de espirito democrático, o que os leva a discutir o cão e o gato e a pôr os interesses pessoais e partidários acima do interesse nacional. O espirito da democracia é servir o povo mas optam sistematicamente por servir o partido. É o caso de António Costa que no auge da campanha eleitoral não se coibiu de apelar ao eleitorado que premeie os seus fracassos governativos com maioria absoluta, apesar da Geringonça, da oposição de direita e do próprio Presidente da República lhe terem dado roda livre para governar como lhe apeteceu durante dois mandatos sucessivos. Controlou a comunicação social como bem entendeu, influenciou a Justiça sempre que lhe interessou, inundou o Estado dos correligionários incompetentes que entendeu. A aprovação dos Orçamentos de Estado pelo BE e o PC não foi mais do que um mero subterfúgio político circunstancial. Só quando se aperceberam que António Costa lhes comia as papas na cabeça e se arriscavam a pesadas perdas eleitorais é que decidiram por termo à governança socialista. Amónio Costa, porém, não desarmou. Incapaz de governar hegemonicamente com maioria relativa reclama agora uma maioria absoluta como a que partilhou no consulado de José Sócrates, de que foi elo fundamental. Maioria absoluta que redundou no desastre nacional que todos conhecemos comprovando que quem não é capaz de bem governar com maioria relativa pior o será com maioria absoluta. Havemos igualmente de concluir que o regime político vigente não está formatado para governos positivos de maioria absoluta ainda que também não facilite governos de maioria relativa. Apenas favorece governanças desenfreadas, ao deus dará, como se vem constatando, contrariamente a outras nações de igual natureza e dimensão. António Costa, porém, ciente do impacto negativo que a maioria absoluta de José Sócrates continua a causar na opinião pública, argumenta agora que o Presidente Marcelo de Sousa lhe não deixará pôr o pé em ramo verde. Só que Marcelo de Sousa se tem revelado o Presidente da República mais promiscuo e permissivo de sempre, como se constatou em diversos momentos críticos da governança de António Costa, como os trágicos incêndios florestais ou o assalto aos paióis de Tancos, em contraste com a vida negra que Mário Soares fez ao primeiro-ministro Cavaco Silva ou como Jorge Sampaio tratou Santana Lopes. Pedir maioria absoluta nas circunstâncias actuais é reflexo da atávica tentação totalitária socialista de António Costa, que mal disfarça com mudanças de discurso quando as sondagens lhe são desfavoráveis. Tentação totalitária essa que poderá levar António Costa a perder as eleições e a perder-se a si mesmo, à democracia e ao país, definitivamente, se as ganhar. A ver vamos.

Católicos, não crentes e sem fé

Magister Rui Rio dixit :“Sou católico mas não sou crente, não tenho fé”. “Tout court”. Esta declaração do líder do PSD no debate com a doutora Catarina Martins, a líder do BE, levantou a maior celeuma nas mais badaladas redes socias, o que não é de admirar. Porque se tratou de uma confissão insólita que já se tornou lendária. Tanto assim é que mereceu críticas exacerbadas, muitas delas desmioladas, dos mais diversificados analistas, opinantes e comentaristas. Uns tomaram-na como um mero deslize, outros como uma imbecilidade, a maior parte não compreendeu o seu propósito e oportunidade, muito menos se seria para rir, se para chorar. Houve mesmo quem opinasse que Rui Rio, embora não crente, sentiu necessidade de ali mesmo se confessar a Catarina Martins, como manda a boa educação cristã, porque esta, no dia anterior, se assumiu, no frente a frente que travou com André Ventura, do partido Chega, uma devota papisa, ou uma devotada papista, como também foi classificada, nas referidas redes sociais. Mas também houve quem opinasse que Rui Rio apenas pretendeu demarca- -se de André Ventura que é católico assumido e o seu mais incómodo adversário eleitoral. A generalidade das críticas, porém, manda a verdade que se diga, são injustas porque interpretam a polémica confissão de Rui Rio num contexto religioso, ou mesmo teológico. Se assim fosse, seria, sem dúvida, ilógica e contraditória. Mas não é! Porque o cenário é eminentemente político e é nesta perspectiva que a peregrina afirmação deverá ser analisada, o que nos levará a olhar benevolentemente Rui Rio como um português do povo e não como político de topo. Ele diz que é católico para dizer que é boa pessoa, homem sério, de confiança, como a generalidade dos portugueses a si mesmos, e a ele também, se consideram, mesmo quando não vão à missa ou se limitam a esperar as namoradas à porta da igreja ou no adro distribuem propaganda política, ou outra que seja. Depois, quando Rui Rio diz que não é crente poderá apenas querer dizer que não acredita no Regime político vigente que pretende mudar, ainda que muito ao de leve. Há que distinguir, contudo, Regime político de Sistema político o que Rui Rio parece não saber ou não lhe interessar separar. É que o Sistema de democracia liberal e representativa é, para muitos, o céu político enquanto o Regime politico português é o inferno que todos conhecemos, o mundo da corrupção institucionalizada, onde campeiam milhares de ladrões legais, demónios que infernizam a vida dos portugueses. Não é compreensível, portanto, que todo e qualquer verdadeiro democrata não se declare abertamente contra o Regime e a favor de reformas fundamentais. Por fim, Rui Rio diz não ter fé. Também aqui deve ser interpretado sob o ponto de vista político e, se assim for, surpreendentemente Rui Rio declara não ter fé que as coisas mudem, isto é, que o Regime, para o bem, se transfigure. Bem lá no fundo a generalidade dos portugueses pensa politicamente como Rui Rio, com excepção dos mais devotos que vão em peregrinação a Fátima ou a qualquer outro santuário invocar milagres, nomeadamente para salvação de Portugal. A afirmação em apreço é, última análise, uma legenda nacional porque a fórmula de Rui Rio também se aplica, com as devidas adaptações, aos demais machuchos seus colegas da política. Jerónimo de Sousa, por exemplo, muito embora não possa dizer como Rui Rio que é católico religiosamente falando, é abertamente um crente, adorador de santos como São Karl Marx ou São Estaline, para lá de que mantem acendrada fé no seu comunismo que acredita um dia governará toda a Humanidade. Já Catarina Martins demonstrou a sua piedosa religiosidade quando no debate com André Ventura se revelou a tal extremosa papisa atrás citada, mais papista que o próprio Papa. António Costa, por seu lado, sempre politicamente falando, aparenta ser um político pagão, um agnóstico que deu provas de nada entender do universo “gerigonceano”. Um governante sem doutrina, que não sabe minimamente o que anda a fazer, que governa o país ao deus-dará. Ou à deusa EU- -dará. Quanto a Marcelo de Sousa, bem, esse é o romeiro típico, o crente que não perde uma romaria para tocar a sanfona, bailar, lançar foguetes e apanhar as canas. André Ventura será o único que, na política como na religião, se declara abertamente católico, crente e ter fé de que tudo irá mudar com a sua empenhada devoção. Mas não será fé a mais?! Tudo isto seria divertido se não fosse dramático. Os portugueses são, em geral, católicos que é, com quem diz, boas pessoas, acreditam nos santos da sua estima, mas não fazem fé nos políticos. Muitos até já desabafam abertamente: mas será que não há um general, um sargento, um soldado que seja que ponha termo a tamanha javardice? Ai de nós se a crise económica, social e política se agravar, como muitos funestamente auguram!

Um vergonhoso jogo de batalha naval

A propósito da nomeação do novo chefe do Estado-Maior da Armada o senhor Marcelo de Sousa, enquanto presidente da república, o senhor António Costa enquanto primeiro-ministro em exercício, o senhor Rui Rio, enquanto putativo primeiro – ministro e o senhor Gouveia e Melo, enquanto marinheiro afamado, travaram publicamente, no mar da insídia política, uma batalha naval política, a todos os títulos lamentável. Batalha que poderá não ter ainda terminado embora haja quem diga que os senhores António Costa e Gouveia e Melo venceram o primeiro round. Batalha de que faz gáudio o jornal semanal “Tal e qual” sem que tenha sido, até ver, desmentido ou contestado pelos directamente visados. Titula, de facto, o referido jornal em toda a largura da primeira página do dia 29 de Dezembro de 2021: “ Gouveia e Melo esteve á beira de alinhar pelo PSD”. A que acrescenta o subtítulo “A manobra” do almirante” e, ainda na primeira página, explica: Rui Rio tinha o sonho de ver o “homem das vacinas” ao seu lado na próxima campanha eleitoral. E isso esteve por um fio. Mas António Costa trocou-lhe as voltas e ao mesmo tempo que “ destrunfou” o líder do PSD, fez a vontade a Gouveia e Melo, nomeando-chefe do Estado-Maior da Armada. Matéria que o jornal semanal “Tal e qual”, que cito com a devida vénia (agradecendo ao jornal Nordeste permitir- -me tão longa citação), desenvolve mais detalhadamente em páginas interiores. Trata-se de uma insidiosa batalha naval, portanto, entendida enquanto jogo político, que irá ficar inevitavelmente registada nos anais da Marinha e na história da triste democracia portuguesa. Não está em causa a categoria profissional e muito menos a eficiência com que a task force liderada pelo agora almirante executou o processo de vacinação na fase eventualmente mais crítica. Não se fique com a ideia, porém, que não há centenas de militares e civis, com competência bastante para desempenhar com igual ou superior brilhantismo a missão que muito justamente prestigiou Gouveia e Melo. Competências que, é por demais evidente, escasseiam, isso sim, na alargada manada de boys partidários que pululam na Administração Pública como se vem provando à saciedade. Por isso, o que verdadeiramente choca a qualquer democrata e português do povo é que, para começar, um emergente líder partidário com ambições de vir a ser primeiro-ministro se atreva, indecorosamente, a tentar arregimentar um almirante no activo para a sua causa pessoal e partidária. Depois, que um brioso militar tenha dado mostras de se predispor para despir a farda que garbosamente ostentou e alinhar em tal projecto. Ou será que se vestia de camuflado por congeminações estratégicas e não por louváveis razões tacticas? Depois, que tal almirante tenha imposto, ainda que sorrateiramente, ao primeiro-ministro em exercício a sua vontade e que este se tenha subordinado aos desígnios do tropa finório, tratando as Forças Armadas como uma coutada pessoal e partidária. Por fim, o que é mais grave ainda, que o mais alto magistrado da Nação e comandante supremo tenha sancionado e alinhado em tão indigna tramoia. A Corporação Militar foi, em última análise, mais uma vez usada, abusada desprestigiada e os seus mais dignos servidores tratados com mentecaptos, por personalidades que mostraram não ter o requerido perfil político e deontológico para da melhor forma governar Portugal. Personalidades que mais parecem apostadas em destruir o passado, o presente e o futuro do velhinho Portugal, sacrificando a Pátria, o Estado, a Nação e o Povo, a deuses que nem eles saberão quem são. Tudo só porque em causa estão as próximas eleições de 30 de Janeiro e o que verdadeiramente lhes interessa é o poleiro. Políticos que o próprio Regime gera para se auto desgovernar. É triste mas é verdade.

O sinistro aparelho político-partidário

Entre muitas outras coisas a palavra “aparelho” também se aplica, justamente, ao conjunto de artefactos com que se arreiam as cavalgaduras e que comporta, entre outras peças, a albarda, a rédea e a cilha. Objectos que já nada dizem às novas gerações porque os burros de quatro patas são uma espécie em vias de extinção. O que é pena porque se trata de animais dóceis que cumpriram um papel fundamental nos trabalhos rurais, até ao aparecimento máquinas agrícolas financiadas pela CEE, especificamente para esventrar e desassossegar os nossos campos paradisíacos. A cilha, para quem não sabe, é uma faixa larga que aperta a barriga da besta para que a albarda não caia. Da mesma forma que o cingidouro dos impostos cada vez mais arrocha a barriga dos contribuintes, sobretudo a dos mais magros e indefesos, que são a generalidade. Ocorreu-me esta imagem quando lia notícias relativas às recentes eleições internas do PSD que referiam que Rui Rio as ganhou contra o aparelho, precisamente. A vitória não terá sido assim tão folgada como muitos pretendem. Certo é que o jumento deu um pinote inesperado, ainda que tímido, e foi o que se viu e o que mais se verá. Falta saber se o dito jerico acabará por cair de cangalhas ou pura e simplesmente se acomodará, docilmente, sem espernear, por mais ornejos que já se ouçam, ao novo aparelho que ninguém garante será melhor que o anterior. Certo é que Rui Rio teve a coragem de montar o burro em pêlo, isto é, desaparelhado, o que lhe poderia ter sido particularmente doloroso. Acabou por provar, todavia, conhecer bem a arte de bem cavalgar toda a sela, contrariamente ao que vinha dando a entender. Não se fique a pensar, porém, que é só o PSD que tem um aparelho pomposo e sinistro com que arreia as próprias clientelas e albarda os portugueses, sempre que tem tal ensejo. O aparelho do PCP, por exemplo, embora pouco conhecido, tem-se revelado coeso e resiliente, o que não é de espantar porquanto foi talhado a foice e martelo. Já o aparelho do BE não passa disso mesmo. De uma tinta de água com que anda a dar uma primeira demão nas paredes da democracia mas que, será o mais certo, acabará por borrar a pintura se os portugueses o deixarem. Quanto ao aparelho socialista, que é volumoso e possui um acentuado toque familiar, está na espectativa de saber se o cavaleiro António Costa irá ou não aguentar os pinotes do jumento eleitoral depois que a mula Geringonça arreou das quatro patas. O que não é de espantar porque António Costa, que durante o seu longo consulado se mostrou incapaz de impor uma linha de rumo e de coordenar eficazmente os seus anafados governos, sobretudo nos momentos mais dramáticos e escandalosos, a que respondeu com burricadas atrás de burricadas. Ainda assim, o mais sinistro e arrochado aparelho é o Regime político vigente, paradoxalmente antidemocrático, comunizante e fascizante e que a tudo se presta, até para se fazer passar por um estado de direito, muito embora privilegie, descaradamente, os criminosos de alto gabarito. E é por uma questão de elementar justiça que aqui expresso uma vénia respeitosa à meia dúzia de magistrados, com Carlos Alexandre à cabeça, que tudo fazem para salvar a honra do convento. Certo é que este aparelho político-partidário regimental arreia e derreia os portugueses, principalmente com a albarda dos impostos, a rédea solta da corrupção e os estribos doirados da Justiça em que se estribam os criminosos mais notórios que, como se sabe, são hábeis cavaleiros do povo. Todos nós, portugueses, independentemente do credo, da raça ou da ideologia deveríamos sentir vergonha e, mais do que isso, indignação, pela democracia que somos e ser capazes de, democraticamente, dar uns tantos pinotes e atirar com a albarda ao ar. Sem ligar aos partidos que mais uma vez já afinam as suas aparelhagens sonoras para darem a música do costume aos eleitores nas eleições que se aproximam e posteriormente os poderem ajaezar a seu gosto. Música pimba. Claro é, partido a põe. PS.: Desejo um Santo e Feliz Natal a todos quantos o Jornal Nordeste passa pelas mãos e esta minha humilde crónica pelos olhos. Vale de Salgueiro, 16 de Dezembro de 2021 (Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico)

 

Forças Armadas: o espelho do Regime

Dizia-se, noutros tempos, que as Forças Armada eram o espelho da Nação. Havia muito de verdade nessa conhecida asserção porquanto todos os jovens com idade para tanto, independentemente da sua naturalidade ou condição social, eram ajuramentados para servir militarmente Portugal. Graciosamente, note-se. Eram o melhor que a Nação tinha, que a representava com fidelidade e por isso a Nação neles se revia e dessa forma muito os valorizava. Presentemente não é bem assim. As Forças Armadas são, bem pelo contrário, o espelho em que se reflectem as piores malformações do Regime, as decisões mais gravosas de governos sucessivos, com destaque para o chefiado pelo primeiro-ministro António Costa. Governo que foi malfadado pela Geringonça, como se sabe e que tem envolvido as Forças Armadas num chorrilho de escândalos tão desprestigiantes quanto injustos. Geringonça que faliu na forma, mas não no conteúdo, já que a sua ideologia, chamemos-lhe “gerigoncianismo”, uma caldeirada de comunismo, capitalismo e oportunismo, de que o próprio António Costa é ideólogo principal, continua a condicionar negativamente a vida política, económica e social. E militar, como é óbvio. Aos sucessivos escândalos que têm rebentado no seio das Forças Armadas na vigência formal da Geringonça, com destaque para o assalto aos paióis de Tancos, que continua por esclarecer, se é que algum dia o será, mesmo depois das habituais bocas do Comandante Supremo que as comanda por megafone a partir das varandas do palácio de Belém, acaba de se juntar um outro ainda de maior amplitude e gravidade já que não se confina ao mundo menor da NATO e tem forte repercussão internacional. Escândalo que, quer os senhores do “establishment” queiram quer não, afecta gravosamente não apenas as Forças Armadas mas o Estado no seu todo. Como era de esperar, agora no caso dos diamantes que municiam as armas dos combatentes da Operação Miríade, como no assalto aos paióis de Tancos, nenhum digníssimo governante assumiu a sua responsabilidade e se demitiu. Quando muito aceitaram, seraficamente, o digno papel de ignorantes, a começar pelo Presidente da República e pelo primeiro-ministro. Escovaram a água do capote como soe dizer-se. A verdade, porém, é que na Operação Miríade como no assalto de Tancos, a culpa é de todos. Desde alto a baixo e daqui para cima. É do soldado que comete o crime, do sargento que não controla o soldado, do comandante de pelotão que não conhece os homens que comanda, do coronel que não prepara e treina devidamente os militares que envia para o campo de batalha, do ministro que não acerta uma no cravo, do primeiro-ministro que mais uma vez dá provas de não ser capaz de coordenar eficazmente o governo e do próprio comandante supremo que o finge ser para português ver. Abre-se aqui, todavia, uma outra memória do antigamente quando se dizia que que “as Forças Armadas são um mal necessário”. Máxima atribuída ao ditador Salazar mas que julgo ter sido empregue noutros tempos e espaços e por muitas outras personalidades. Ideia que não deixa de ter sentido, dependendo, muito embora, do contexto e da intencionalidade com que é proferida. Males desnecessários, porém, não faltam no Regime e no Estado português. No espírito do“gerigoncianismo” as Forças Armados são, isso sim, um mal desnecessário. A abater, portanto. Poi isso o governo de António Costa as tem reduzido a uns tantos generais com os peitos enfeitados de condecorações para ornamentar tribunas cerimoniais e a grupos de mercenários, sem alma nem pátria, como agora se viu na República Centro Africana. E que o próprio Comandante Supremo confirma quando afirma publicamente que se trata de forças da ONU e não de Portugal. Mercenários, sem dúvida. Governo que só ainda não enxovalhou ainda mais as Forças Armadas porque sabe que há milhares de portugueses vivos que não se coíbem de manifestar os seu orgulho de terem militado no Exército mais humano da História que no extinto Ultramar rasgou estradas, ergueu escolas e hospitais, tratou, curou, ensinou a ler e a escrever e matou a fome a milhares de infelizes, em simultâneo com o cumprimento das missões de combate. Que promoveu a paz e harmonia interétnicas e corrigiu os desmandos prevalecentes do colonialismo ancestral. E que jamais deixarão de evocar e de honrar os muitos camaradas, brancos e negros, que tombaram no campo de batalha ou de lá saíram fisicamente diminuídos. Sem esquecer que face à miséria que grassa pelo Mundo, em África em particular e Angola em especial, a descolonização criminosa foi uma grande perda para a Humanidade. É por demais evidente que o “gerigoncianismo” de António Costa está apostado em converter o Estado-Nação num Estado Novo de Negação da História. Do passado e do futuro. Começando por destruir o que de mais essencial uma Nação possui-as suas Forças Armadas, enquanto alfobre de virtudes cívicas e de garante da integridade e independência nacionais. E da própria democracia. Quem semeia ventos colhe tempestades. 

Requiem pela Geringonça

Seis longos anos durou a Geringonça. Bastante mais do que se previa. Geringonça que, contrariamente ao que se pensa, não se limitou a fazer prova de vida sempre que foi chamada a aprovar sucessivos Orçamentos de Estado. Sub-repticiamente corrompeu ainda mais e aprofundou as contradições do Regime em consonância com os desígnios ideológicos dos seus constituintes da estrema esquerda. Tornou o futuro do país e da democracia ainda mais problemáticos, como agora diariamente se constata. Acabou por se desconjuntar ruidosamente. Ainda bem. O estrondo ainda se faz ouvir fragoroso e as peças ainda rolam incontroladas pela última ribanceira, o OE2022, que já não conseguiu vencer de tão gasta que andava, presa por arames e a bater válvulas. E agora? Apetece perguntar. Agora que já nenhum bate- -chapas lhe pode valer, resta à rapaziada socialista divertir-se e divertir os portugueses a buzinar o velho calhambeque, com António Costa ao volante, como diz a cantiga de Roberto Carlos, enquanto aguarda, ansiosa, o restauro do Cadillac da maioria absoluta. Rapaziada para quem nem seriam precisos mais orçamentos de Estado ou eleições e melhor seria deixar ficar tudo como está. Em família. Mais divertido ainda será, porém, se o calhambeque socialista for ultrapassado, nas curvas e contracurvas eleitorais, por um Ferrari de maior cilindrada, vindo da direita e em contra mão. Depois do que se viu em Lisboa com Medina e Moedas tudo é possível. Atenção que esta história não é para rir. É para reflectir e eventualmente para chorar. Todos os portugueses livres e de bons costumes, honi soit qui mal y pense, grupo no qual eu humildemente considero que me incluo, têm razões de sobra para se sentirem enojados e desfeiteados e se indignarem cívica e eticamente com o comportamento dos políticos em geral e de muitos governantes em particular. Nunca o Regime desceu tão baixo. Por obra e graça de uns tantos artistas, poucos que fossem seriam demais, incompetentes, cínicos e traidores que campeiam na política portuguesa. Que enfie o barrete quem lhe servir. Não é da democracia que se queixam os portugueses, porém. É da politicalha e dos politicalhos que habilmente se servem da democracia para se servirem a si próprios, devastando o Estado e a Nação. A bondade da Geringonça confinou-se a pontuais e irrelevantes benefícios sociais na esteira do abrandamento da austeridade imposta pela Troica, sem a qual não teria sido possível salvar Portugal dos dislates cometidos por sucessivos governos, com destaque para os socialistas de José Sócrates. Já as suas maldades, porém, vão muito para lá da desfiguração de Orçamentos de Estado, como melhor se verá a partir de agora, à medida que o Estado regurgitar as suas dramáticas incapacidades em todos os domínios, com relevância para a Saúde, a Educação, a Segurança Pública ou combate à corrupção. Particularmente significativo é o tratamento indigno que tem sido dado às Forças Armadas, a que não é alheia a ideologia mais íntima da Geringonça, que preconiza reduzi-las a uns tantos generais enfeitados de medalhas para ornamentar tribunas políticas e a grupos de mercenários sem alma nem pátria. Justa e honrosa é, por isso, a revolta dos paraquedistas que no dia do Exército foram impedidos de cantar o seu hino em louvor ao seu patriotismo. António Costa, o demiurgo da Geringonça, tem vindo a cometer erros capitais atrás de erros capitais. Com a Geringonça foi a sua estrelinha que se apagou. Levado pela sede de poder e instinto de sobrevivência política afrouxou a corda dos princípios ao limite e sobreavaliou a flexibilidade ideológica do PCP e do BE a quem, está visto, a democracia continua a pouco ou nada dizer. Deslumbrado com o sucesso original arredou, com sobranceria e insensatez, o PSD e o CDS do seu confinado diálogo político, como se de portugueses de outro credo ou raça se tratasse. Optou mergulhar de cabeça no pântano da Geringonça, como se viu, acabando por se afundar inexoravelmente. Já nem mesmo as artimanhas de Marcelo Maquiavel, em desespero de causa, foram capazes de lhe valer. Foi com a graça da Geringonça que ambos prestaram um péssimo serviço ao país, confundindo estabilidade política com promiscuidade institucional e convertendo a democracia num perigoso forrobodó. Esperemos que a eventual colação de Marcelo e Rangel a não transforme num permanente delírio. Tudo é de esperar do próximo acto eleitoral porque os portugueses, por natureza emotivos, reactivos e de memória curta, reagem em diferido, como sentem e nem sempre decidem racionalmente. Certo é que Portugal precisa, como de pão para a boca, de uma democracia reformada e renovada, com novos políticos capazes de imprimirem ao Regime a honestidade, a dignidade e a confiança que lhe falta. Democracia é sinónimo de dignidade e de serviço público. Não de aldrabice e corrupção.