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Editorial
Carina Alves

Diretora do Jornal Nordeste

Emergência médica não pode esperar

Depois de tantos anos a reivindicar uma segunda VMER, seria razoável esperar que esta nova fase não termine simplesmente numa nova ronda de anúncios.

07 out. 2026, 05:00

Há reivindicações que atravessam anos, mandatos e governos. A necessidade de uma segunda VMER no distrito de Bragança é uma delas. Há muito que se fala da criação de uma segunda VMER, com localização a sul do distrito. Em março, voltava a ser apontada como uma necessidade por quem conhece por dentro o funcionamento da emergência médica na região. Agora, em setembro, surge uma novidade que merece ser registada, a ULS do Nordeste diz estar a desenvolver diligências para a instalação de uma segunda VMER, tendo já promovido contactos com a CCDR-N e o INEM. É uma evolução que não deve ser desvalorizada, mas também não deve ser confundida com a concretização do projeto. Entre uma intenção e uma viatura operacional existe ainda um caminho que terá de ser percorrido. E esta região tem demasiada experiência em esperar.

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A existência de uma única VMER para responder a todo o distrito significa que a sua disponibilidade, localização e tempo de resposta assumem uma importância acrescida. Se a viatura estiver empenhada numa ocorrência, o problema não desaparece para quem necessita de assistência noutra zona do território. Uma segunda equipa poderá representar uma capacidade adicional de resposta e uma maior cobertura territorial, particularmente importante numa região onde os quilómetros continuam a pesar. É por isso que esta discussão não deve ser reduzida a uma disputa sobre a localização de uma viatura. Mirandela surge agora como a localização apontada pela ULS do Nordeste, mas a questão de fundo é outra, como garantir que os habitantes de todo o distrito têm acesso, em tempo útil, a cuidados diferenciados de emergência? E aqui importa não esquecer uma realidade tantas vezes repetida, uma VMER não se instala apenas porque existe uma viatura disponível. São necessários médicos, enfermeiros, organização, meios e condições para assegurar o funcionamento permanente da equipa. A disponibilidade de profissionais tem sido uma das questões associadas ao processo e será, naturalmente, uma das condições essenciais para que o projeto possa avançar. É precisamente por isso que a articulação entre a ULS do Nordeste, o INEM e as restantes entidades envolvidas será decisiva.

Esta novidade da ULS do Nordeste permite, pelo menos, falar de um passo diferente. A unidade local está a tratar do assunto e já houve contactos com entidades com responsabilidades na matéria. Agora importa saber quais são os próximos passos, quais os obstáculos que permanecem e, sobretudo, qual o calendário para que esta intenção possa transformar-se numa resposta efetiva. Também por isso será importante que o processo seja acompanhado com transparência. A população tem direito a saber em que ponto está o projeto, que condições faltam reunir e o que está a ser feito para ultrapassar os constrangimentos existentes. Não se trata de exigir respostas instantâneas, mas sim exigir que uma necessidade identificada há tantos anos tenha finalmente um percurso claro. O distrito não precisa de mais uma promessa.

Depois de tantos anos a reivindicar uma segunda VMER, seria razoável esperar que esta nova fase não termine simplesmente numa nova ronda de anúncios. Há uma diferença importante entre dizer que uma segunda VMER é necessária e começar efetivamente a criar condições para que ela exista. Se estamos agora perante esse segundo momento, então é preciso que todos os intervenientes assumam a responsabilidade de levar o processo até ao fim. Porque, no final, esta não é uma discussão meramente administrativa. É uma questão de resposta perante situações em que o tempo pode fazer toda a diferença.

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A emergência médica não pode esperar. E esta região já esperou tempo suficiente.

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