Balanços
Um ano é pouco tempo para avaliar qualquer mandato autárquico. É ainda menos quando falamos de uma mudança política depois de quase três décadas de governação do mesmo partido.
Cumpriu-se um ano desde que o Partido Socialista assumiu a liderança da Câmara Municipal de Bragança, depois de a última vitória do PS ter acontecido há mais de trinta anos, em 1993, com Luís Mina.
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Foi uma mudança política importante. Sempre defendi, convictamente, que Bragança precisava de mudança, de uma nova ambição e de um novo futuro. Continuo a pensar exatamente o mesmo. Afirmei-o quando tinha responsabilidades políticas concelhias e continuo a afirmá-lo hoje, como simples militante de base do Partido Socialista.
Chegados ao primeiro ano de mandato, surge naturalmente a tentação dos balanços. Faz parte da política. Quem governa procura mostrar o que fez, quem está na oposição procura demonstrar tudo o que ficou por fazer. E, entre uns e outros, com alguma habilidade na escolha dos números e dos exemplos, quase sempre se consegue chegar ao que pretendemos demonstrar. Eu confesso dar pouca importância a balanços feitos ao fim de apenas um ano.
Um ano é pouco tempo para avaliar qualquer mandato autárquico. É ainda menos quando falamos de uma mudança política depois de quase três décadas de governação do mesmo partido. A democracia tem essa pequena particularidade, que permite mudar quem governa numa noite eleitoral, mas mudar efetivamente a governação demora bastante mais.
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Mudar uma Câmara não é apenas mudar quem ocupa os gabinetes. É conhecer processos que vêm de trás, perceber compromissos assumidos, concluir projetos e obras em curso, avaliar decisões anteriormente tomadas, reorganizar serviços, rever uma estrutura orgânica muitas vezes demasiado presa a rotinas e vícios adquiridos e, naturalmente, conhecer e valorizar os seus recursos humanos.
Tudo isso leva tempo. E seria ingénuo fingir que não leva. A obra pública e o investimento municipal têm os seus próprios tempos. Entre decidir uma obra e vê-la construída há projetos, licenciamentos, pareceres, candidaturas, financiamento, procedimentos de contratação pública e execução. Uma lista suficientemente longa para desesperar qualquer autarca que veja os seus projetos demorarem mais do que gostaria e os compromissos eleitorais avançarem mais devagar do que prometeu.
Por isso, nunca esperei que Bragança estivesse transformada ao fim de doze meses. Nem seria sério exigi-lo. Seria extraordinário, mas as eleições ainda não conferem poderes dessa natureza.
Neste primeiro ano, mais do que contar obras inauguradas, quilómetros de estrada ou metros quadrados de pavimento executados, interessa perceber se estão a ser criadas as condições para cumprir aquilo que foi prometido aos brigantinos.
Se existe uma estratégia. Se estão definidas prioridades. Se a Câmara está a ser preparada para responder melhor. Se estão a ser lançados projetos capazes de transformar o concelho. Se existe capacidade para aproveitar financiamento, atrair investimento e criar melhores condições para viver, trabalhar e investir em Bragança.
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É isso que, nesta fase, me parece verdadeiramente importante avaliar, e julgo sinceramente que esse caminho está a ser trilhado.
Seria igualmente estranho que, depois de quase três décadas de governação do mesmo partido, concluíssemos que doze meses seriam suficientes para mudar tudo. Não são. Até porque convém reconhecer, sem qualquer complexo, que nesses quase trinta anos nem tudo foi mau, da mesma forma que seria ingénuo acreditar que, por ter mudado a cor política do executivo, tudo passou automaticamente a ser bom.
A mudança que defendemos nunca poderia ser apenas uma mudança de protagonistas. Terá de ser uma mudança de políticas, de prioridades, de ambição e, sobretudo, de resultados.
Tal como a exigência de resultados imediatos tem de ser moderada pelo bom senso, também o recurso ao argumento da herança recebida tem prazo de validade. A determinada altura, quem governa passa a ser responsável, por inteiro, pelas suas escolhas, pelas suas decisões e também pelos seus resultados. E ainda bem que assim é.
Quem, como eu, contribuiu e acreditou nesta mudança não deve ter qualquer dificuldade em dizê-lo. Apoiar um projeto político não significa abdicar da exigência. Pelo contrário. Talvez seja precisamente quem mais acreditou na mudança que mais deve querer vê-la concretizada.
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Não faço, por isso, um balanço definitivo ao fim de um ano. Não lhe dou, para já, essa importância.
Haverá tempo para os balanços. E haverá, sobretudo, tempo para perceber se aquilo que hoje ainda são projetos, decisões e opções políticas se transforma naquilo que verdadeiramente conta.
O primeiro ano foi, inevitavelmente, um tempo para a transição. Os próximos terão de ser o tempo da concretização.
Continuo a acreditar nas razões que me fizeram defender a mudança. E continuo a acreditar que Bragança está no caminho de mais ambição, mais dinâmica e um futuro melhor.
Ganhar uma eleição depois de mais de trinta anos foi importante. Transformar Bragança é muito mais e é decisivo para todos nós.
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