…um novo futuro!
As decisões tomadas e as iniciativas desenvolvidas revelam uma nova forma de olhar para o concelho, marcada por maior dinamismo e ambição, embora os resultados exijam tempo.
Bragança mudou de governação depois de quase três décadas. Essa mudança trouxe consigo esperança, expectativa e uma vontade natural de fazer diferente. Mas, como acontece em todas as mudanças, existe uma herança. Uma herança que nos deixou coisas positivas, mas também projetos adiados, obras problemáticas, opções discutíveis e problemas estruturais que não nasceram em outubro de 2025. Ignorar essa realidade seria injusto. Mas transformá-la numa justificação permanente também seria um erro.
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Haverá sempre uma herança e haverá sempre um passado em que foram tomadas opções políticas legítimas, sucessivamente respaldadas pela população. Podemos concordar mais ou menos com elas e fazer a nossa avaliação, mas devemos aceitar democraticamente as escolhas feitas. É assim que funciona em democracia, formulamos os nossos julgamentos e fazemos escolhas. Esse julgamento foi claramente feito nas últimas eleições autárquicas. Não resultou de um instante, mas da avaliação que cada eleitor fez do passado e das expectativas que depositou na mudança e no futuro.
A mudança, contudo, não se esgota no ato eleitoral. Faz-se no presente, através de cada decisão, de cada prioridade estabelecida e de cada resposta dada aos problemas das pessoas. É assim que o presente se vai impondo ao passado. E é precisamente nesse estágio que Bragança se encontra agora.
Mais do que discutir continuamente aquilo que ficou por fazer, importa perceber aquilo que queremos fazer. Que cidade queremos construir? Que papel deve desempenhar Bragança enquanto capital de distrito? Como podemos fixar jovens, atrair pessoas e investimento, promover habitação acessível, reforçar a ligação ao Instituto Politécnico de Bragança e devolver dinamismo económico e social ao concelho?
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Bragança, enquanto cidade e capital de distrito, não pode limitar-se a gerir o quotidiano. Tem de liderar, mobilizar e representar uma região. Tem de ter voz política, capacidade de iniciativa e ambição suficientes para contrariar a distância e as desigualdades face ao litoral e aos grandes centros, combater a perda demográfica e enfrentar todas as assimetrias de que somos vítimas.
Para isso, Bragança precisa de transformar conhecimento em atividade económica, aproximando o Município, o Instituto Politécnico, o Brigantia Ecopark, as empresas e os empreendedores. Precisa de atrair investimento, apoiar quem cria emprego, promover habitação acessível, valorizar o comércio local, reforçar as respostas sociais e apoiar quem mais precisa, revitalizar o centro histórico e aproveitar melhor o potencial turístico do concelho. Tudo isto sem esquecer as aldeias, a agricultura e a necessária coesão entre o espaço urbano e o mundo rural.
Esta visão estava presente no programa eleitoral de Isabel Ferreira e do Partido Socialista, assente num novo impulso à diversificação económica e na melhoria das condições sociais, com especial atenção à fixação dos jovens, à inovação, ao emprego e à habitação.
Há sinais de que este caminho começou a ser percorrido. As decisões tomadas e as iniciativas desenvolvidas revelam uma nova forma de olhar para o concelho, marcada por maior dinamismo e ambição. Embora os resultados exijam tempo, começa a sentir-se uma perspetiva diferente sobre o presente e o futuro de Bragança. Sente-se uma nova dinâmica na forma como Bragança se apresenta e se relaciona com os diversos atores da sociedade. Há mais iniciativa, bem como vontade de colocar a cidade no centro de novos projetos e discussões.
Há, contudo, decisões que podem ser discutidas, opções que devem ser mais bem explicadas e processos em que se exige maior transparência, ponderação e capacidade de ouvir. Apoiar uma governação não significa aceitar tudo sem questionar. Pelo contrário, quem acredita num projeto político deve ser capaz de o defender, mas também de alertar quando este se afasta do caminho traçado.
Fui mandatário da candidatura do Partido Socialista aos órgãos autárquicos do município de Bragança e presidente da Comissão Política Concelhia do PS. Tive, por isso, a minha parte na construção deste projeto. Não escondo esse percurso, nem quero fazê-lo. Orgulho-me dele. Mas essa proximidade não me obriga à indiferença nem ao silêncio perante decisões com as quais possa não concordar. A lealdade a um projeto não se mede pela ausência de crítica. Mede-se também pela capacidade de contribuir para que esse projeto seja melhor, mais coerente e mais fel aos compromissos assumidos com os cidadãos.
Durante muito tempo, defendi que Bragança precisava de uma nova liderança. Hoje, concretizada essa mudança, continuo esperançado, mas consciente da dificuldade do caminho. Mudar uma governação é rápido. Mudar uma forma de governar, transformar estruturas, ultrapassar resistências e produzir resultados exige tempo, determinação e coragem.
O caminho é difícil, mas é possível. Continuo a acreditar num novo futuro para Bragança, sob a liderança de Isabel Ferreira e do Partido Socialista, a bem da cidade, do concelho e a bem das nossas gentes.

















