Mirandelense leva canto lírico ao The Voice e conquista os quatro mentores

Aos 22 anos, a cantora lírica natural de Mirandela conquistou os quatro mentores nas provas cegas da RTP1. Fernando Daniel recorreu ao novo “Boomerang” do programa para garantir a jovem na sua equipa.

02 nov. 2026, 13:17

Matilde Cepeda, jovem cantora de 22 anos, natural de Mirandela, protagonizou este domingo um dos momentos de destaque das provas cegas do The Voice Portugal, ao conseguir virar as quatro cadeiras do programa da RTP1.

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A interpretação de “O mio babbino caro”, uma das árias mais conhecidas da ópera Gianni Schicchi, de Giacomo Puccini, convenceu os quatro mentores e colocou a jovem transmontana perante a escolha de integrar uma das equipas.

A decisão acabou por ficar marcada por uma disputa particularmente intensa. Cláudia Pascoal bloqueou Fernando Daniel, mas o cantor recorreu ao novo superpoder do programa, o “Boomerang”, conseguindo recuperar a possibilidade de escolher Matilde para a sua equipa.

A cantora confessa que não esperava que a sua participação tivesse um impacto desta dimensão. “Foi uma alegria imensa poder ter virado as quatro cadeiras e ter tido os dois bloqueios e o Fernando ter utilizado o botão do Boomerang para eu estar na equipa dele”, contou Matilde. “Eu tinha uma expectativa, acho que toda a gente tem, mas aquilo superou completamente”, acrescentou. Durante a atuação, admite, estava simultaneamente “contente” e a tentar “processar tudo ao mesmo tempo”.

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A experiência é, para a jovem mirandelense, a concretização de um sonho antigo. O The Voice fazia parte do imaginário de Matilde desde a infância. “O The Voice sempre foi um sonho desde pequenina, desde quando eu era criança que eu e os meus pais e a minha irmã assistíamos na televisão de casa e foi sempre um sonho poder participar”, recorda.

A decisão de avançar para o programa surgiu este ano, numa altura em que Matilde sentia ter atingido a preparação e a confiança necessárias. “Decidi também este ano pelo facto de me sentir com a minha voz preparada, sentir-me confiante comigo mesma, a minha voz a estar num nível que eu esteja confortável”, explica.

Do fado ao canto lírico

A passagem pelo The Voice é mais um capítulo num percurso musical que começou muito cedo e que levou Matilde por diferentes géneros até encontrar no canto lírico a sua principal área de formação.

A paixão pela música começou em casa, ainda criança, com os primeiros “concertos” improvisados para a família. “Eu já fazia concertos em casa, os meus pais ficavam no sofá, eu pegava numa colher de pau para fingir que era o meu microfone, punha uns saltos e fazia os meus concertos em casa”, recorda. 

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O apoio da família foi determinante para que a brincadeira de infância se transformasse numa formação musical. Os pais levaram-na a Vila Real e a Lisboa, onde começou por contactar com o fado e com as casas de Fado do Bairro Alto, e posteriormente a Macedo de Cavaleiros, onde teve aulas durante dois anos.

No 8.º ano, Matilde ingressou na Esproarte – Escola Profissional de Arte de Mirandela, onde estudou violoncelo com o professor Paulo Cepeda e piano com a professora Svitlana Tarasova.

A passagem pela escola de música de Mirandela acabaria também por contribuir para uma das vertentes que hoje integra o seu percurso profissional: o ensino. “A Esproarte deu-me esta oportunidade também de poder fazer o que os meus professores na altura fizeram, que foi abraçar a mim e o amor que eu sentia pela música, e eu agora quero fazer isso às novas gerações”, afirma.

Mais tarde, prosseguiu a formação no Conservatório Regional de Vila Real e ingressou na Universidade de Aveiro, onde se licenciou e onde frequenta atualmente o segundo ano do mestrado em Ensino de Música, na área de canto lírico. Paralelamente, encontra-se a realizar estágio no Conservatório de Música do Porto.

O percurso de formação foi acompanhado por experiências em diferentes áreas.  Durante dois anos participou na escola de verão de Filipe La Féria, uma experiência que lhe permitiu aprofundar também a representação e o teatro musical.

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“A ópera devia ser mais abrangente”

É no canto lírico que Matilde encontra a sua principal vocação. A participação no The Voice assume, por isso, uma importância particular. Além de representar uma oportunidade de chegar a um público mais vasto, permite-lhe apresentar num programa de grande audiência um género musical que considera ainda pouco acessível em Portugal. “Infelizmente, o canto lírico acho que ainda em Portugal é uma coisa que não é abrangente a toda a população”, considera.

A jovem defende uma maior descentralização da ópera e do canto lírico, para lá dos grandes centros urbanos. “A ópera em si devia ser mais abrangente a toda a população, não só ser em Lisboa e no Porto, mas sim entrar também em Trás-os-Montes Montes”, sustenta.

Para Matilde, o objetivo passa também por mostrar a outros jovens que é possível apostar num género musical menos habitual nos formatos televisivos. “Espero que possa trazer alguma esperança a jovens que queiram utilizar uma área que é o clássico, que não é tão comum ser cantada num programa televisivo”, afirma.

Agora, depois de conquistar os quatro mentores do The Voice Portugal e de garantir um lugar na equipa de Fernando Daniel, Matilde Cepeda prepara-se para a fase seguinte do programa que são as batalhas.

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