Emprego qualificado é um dos desafios da economia de Bragança

Semana da Economia e Inovação, em Bragança, começou com sessão sobre “O impacto do emprego altamente qualificado na economia”.

28 out. 2026, 08:30

A Semana da Economia e Inovação (SEI) arrancou esta terça-feira, em Bragança, com o emprego altamente qualificado, a inovação e a competitividade da região em destaque. A iniciativa prolonga-se até quinta-feira e reúne empresas, instituições e outros agentes ligados à economia e ao conhecimento.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O emprego está a crescer e o desemprego a diminuir em Bragança, mas a falta de trabalhadores altamente qualificados continua a ser um dos desafios para a economia do concelho.

A presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, apresentou dados económicos recentes que, segundo a autarca, mostram uma tendência de crescimento desde o último trimestre de 2025. Entre os indicadores destacados está um aumento de 43% das exportações, acompanhado por uma subida do emprego, uma redução do desemprego e um crescimento das dormidas.

“A partir do último trimestre de 2025 até agora, há dados económicos do concelho que mostram uma tendência de crescimento. Uma tendência cada vez mais acentuada”, afirmou Isabel Ferreira.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A autarca considera os números “animadores”, mas defende que a evolução deve ser acompanhada por uma estratégia continuada de atração de investimento e apoio às empresas instaladas no território. “Exige uma continuação de trabalho na captação de investimento, no apoio às empresas que também já aqui estão para criar estas dinâmicas de emprego”, sublinhou.

É neste contexto que ganha importância o emprego altamente qualificado, um dos temas centrais da sessão de abertura. Hugo Borges, da Inetum, deu o exemplo do próprio percurso profissional para mostrar como a criação de emprego especializado pode contribuir para fixar jovens na região.

Quando iniciou o curso de Engenharia Informática, em 2013, a intenção era sair de Bragança depois da formação, por falta de oportunidades profissionais na área. “A minha perspetiva sempre foi sair da região. Porque em Bragança não existia emprego suficiente na nossa área”, contou.

A criação do Brigantia Ecopark acabou, no entanto, por alterar esse cenário. Hugo Borges encontrou na cidade uma oportunidade profissional e trabalha atualmente há oito anos na Inetum.

A empresa passou de nove trabalhadores quando iniciou atividade em Bragança para mais de 40, contando atualmente com seis áreas de empregabilidade. A Inetum é uma empresa europeia que se dedica a serviços e consultoria de TI (tecnologia da informação) e transformação digital.

PUBLICIDADE

“A minha ideia sempre foi sair devido a não ter oferta de trabalho, mas a vontade sempre foi ficar a viver em Bragança, também pela qualidade de vida que temos aqui na região”, afirmou.

 Apesar da evolução, a dificuldade em encontrar determinados perfis continua a ser uma realidade. Hugo Borges aponta sobretudo para profissionais com experiência e qualificações para gerir projetos e trabalhar diretamente com clientes. “Em Bragança talvez um dos perfis mais complicados seja pessoas com vários anos de experiência e qualificadas para gerir projetos, falar diretamente com o cliente”, explicou.

A transformação tecnológica acrescenta outro desafio ao mercado de trabalho. Para Hugo Borges, a inteligência artificial vai obrigar a uma adaptação das competências, mas não deverá significar necessariamente uma redução do número de trabalhadores. “Não vai significar que vamos precisar de menos pessoas, vamos precisar de pessoas com competências diferentes”, defendeu.

A capacidade de trabalhar com inteligência artificial e, sobretudo, de avaliar criticamente os resultados produzidos por estas ferramentas será, na sua perspetiva, cada vez mais importante. “Na minha opinião, acho que os riscos são as pessoas começarem a realizar tarefas sem necessidade de pensar e sem pensamento crítico”, alertou. Por isso, considera fundamental que a inteligência artificial seja encarada como uma ferramenta de apoio e não como um substituto da intervenção humana.

PUBLICIDADE

Inovação para aumentar a competitividade

Para Jorge Humberto, diretor do Brigantia Ecopark, a ligação entre conhecimento, empresas e talento é precisamente um dos objetivos da Semana da Economia e Inovação.

“Queremos que a SEI se transforme num ponto de encontro, que contribua para que o Brigantia cumpra a sua principal missão, que é ser um ponto de encontro entre os principais atores da economia”, explicou.

Segundo Jorge Humberto, essa ligação deve permitir aproximar o conhecimento produzido das empresas e do mercado, através da criação de startups e da incorporação de inovação nas empresas já instaladas na região. “É isto que nós fazemos enquanto incubadora, com a criação de startups. Por outro lado, queremos que as empresas mais consolidadas da nossa praça, do nosso município e da região possam utilizar este conhecimento para introduzir inovação nos seus processos”, explicou.

O responsável considera que a aposta na inovação terá impacto direto na competitividade empresarial e, consequentemente, na capacidade de atração e fixação de talento em Bragança e no território envolvente. “Se a competitividade crescer, necessariamente vamos cumprir o primeiro pressuposto de tudo isto, que é sermos uma região atrativa à fixação de talentos”, sublinhou.

O emprego é, por isso, um dos principais eixos desta edição da Semana da Economia e Inovação. Jorge Humberto considera que a existência de recursos humanos qualificados é essencial para que as empresas consigam inovar.

 “Sem emprego qualificado é muito difícil conseguirmos trabalhar a inovação dentro das empresas. Porque se as empresas não são dotadas de mão de obra qualificada, como incorporamos novos processos, novos métodos, novos produtos?”, questionou.

Apesar de considerar que a região se encontra numa situação próxima do pleno emprego, o diretor do Brigantia Ecopark identifica dificuldades particulares no acesso dos jovens ao mercado de trabalho e destaca também a necessidade de melhorar a qualidade do emprego, nomeadamente ao nível salarial. “Estamos em pleno emprego, sendo que a população jovem continua com uma taxa de desemprego acima daquilo que é a média nacional”, afirmou, acrescentando que “a qualidade de emprego é outro aspeto muito importante a ser abordado”, concluiu.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR