Cibercrime aumenta em Bragança e autoridades alertam para burlas cada vez mais sofisticadas
O seminário sobre Cibercrime e Cibersegurança decorreu nas instalações da PSP de Bragança
O número de Cibercrimes em Bragança tem aumentado anualmente, adiantou a magistrada do Ministério Público Coordenadora da Comarca de Bragança.
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Durante a sua intervenção, Filipa Araújo, adiantou que, apesar de não ser o crime “mais expressivo”, no distrito, estão a aparecer, cada vez mais, denuncias de vítimas de Cibercrimes.
A coordenadora da Comarca de Bragança adiantou ainda burlas relacionadas com cartões houve um aumento de 31 denúncias para 76, “e ainda só estamos em Outubro”, salientou, destacando que se tratam de denúncias, “porque a criminalidade e a prática criminosa com certeza vai muito além.”
Relativamente às denuncias de acesso ilegítimo, “houve um aumento exponencial. Estamos a falar de 5 a 10 denuncias que passaram para 34. numa comarca como Bragança deve-nos preocupar.”
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As burlas informáticas apresentavam números a rondar a centena, segundo Filipa Araújo de 103 a 117 passaram para 192 burlas informáticas denunciadas. Já as denuncias por falsidades informáticas não têm tido um “aumento exponencial” mas duplicaram em 2026.
A Magistrada da Comarca de Bragança, Filipa Araújo, reconhece que esta forma de criminalidade, além de estar em constante evolução, é “muito complexa” e que por esse motivo os números apresentados não refletem totalmente a realidade dos crimes que podem existir, sendo que alguns nem reportados são.
Em entrevista ao Jornal Nordeste o comandante da PSP de Bragança, sublinhou que o intuito da PSP com este seminário foi alertar e sensibilizar, nomeadamente as pessoas e as empresas, para a adoção de cuidados redobrados perante métodos de fraude cada vez mais sofisticados.
'Modo Operandis'
Rui Rocha e Silva explica que os cibercriminosos tendem a usar a “engenharia social” para “ludibriar” as pessoas. Segundo o comandante da PSP de Bragança, o ponto de entrada para os cibercriminosos é a retirada de tempo de reflexão, ir ao encontro das expectativas e dos gostos pessoais das pessoas, bem como entender as necessidades afetivas das mesmas.
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“Aquilo que se pretende é que as pessoas percebam este tipo de formas de abordagem e de que forma é que se podem proteger e evitar, obviamente, o tipo de cibercrime, como as burlas, nomeadamente contra o seu próprio património, que são os roubos. Não é o roubo típico, mas é uma forma de assalto e que pode vir de qualquer lado”, disse dando como exemplo mensagens de alegadas transportadoras que retêm as encomendas.
“Quando temos uma encomenda para receber, antes de ela chegar, recebemos um SMS, um e-mail ou algo do género a dizer que a sua encomenda não pode ser entregue porque há um lapso morada morada. As pessoas vão abrir o link facultado e a partir tudo se desenvolve”.
Vítimas entre as populações mais vulneráveis
Questionado sobre os alvos mais comuns destes criminosos, o comandante da PSP mencionou os idosos, nomeadamente pessoas isoladas, jovens, devido ao uso frequente das redes sociais e dispositivos móveis, mas também, e cada vez mais, as empresas.
“As próprias empresas têm um papel fundamental na disseminação deste tipo de informação junto dos seus colaboradores, por forma a reduzir ao máximo o número de portas de entrada deste tipo de ataques”, disse acrescentando que apesar de as empresas já terem sistemas de proteção “muito avançados”, também essas “grandes empresas com sistemas avançadíssimos contra cibercrime, conseguem ser penetradas por hackers, através de burlas, ransomware, etc”.
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Nesse sentido, além das ações de sensibilização nas escolas e lares, a PSP admite querer levar as medidas de alerta ao tecido empresarial de Bragança.
“Temos vários programas direcionados quer para jovens, quer para idosos. Portanto, o nosso trabalho vai continuar a ser feito neste âmbito, mas não nos podemos esquecer das empresas, das instituições e, portanto, aquilo que nós preconizamos e esperamos desenvolver mais tarde, é um conjunto de ações mais diversificadas e mais alargadas para todo o tecido empresarial e social de Bragança, no sentido de alertar as pessoas”, frisou.
Também a magistrada da Comarca de Bragança acredita que as pessoas passiveis de serem vítimas destes crimes, “que somos todos”, têm de estar “cada vez mais instruídas, cada vez mais esclarecidas sobre o comportamento imediato que têm que ter naquele momento que é preservar tudo”, frisou Filipa Araújo.
A importância de preservar as provas
Prevenir, sensibilizar e alertar para situações de ciberburla foram os principais objetivos assumidos pela PSP. Ainda assim, há outro fator importante a ter em conta, no momento de uma burla, um dos passos primordiais passa pela preservação das provas.
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Filipa Araújo destacou, na sua intervenção, que as vítimas devem sempre “preservar a ligação que aparece, a URL, um contacto, preservar as mensagens, nem que seja com prints”, para que, posteriormente, as provas permitam, não só, chegar mais facilmente aos autores do crime, mas também levar este assunto a tribunal.
Também o comandante, Rui Rocha e Silva, destacou a importância das provas e refere que o primeiro passo é “não pensar que o nosso caso é um caso isolado”.
“As vítimas não podem ter medo, nem vergonha e têm de ter a noção de que a denúncia é o primeiro ponto para se chegar a um padrão de cibercrime que pode ser mais facilmente atacado e prevenir uma série de potenciais vítimas num futuro mais próximo. É ainda fundamental não destruir prova. Porque a prova digital é muito volátil, desaparece muito rapidamente, da mesma forma como aparece também desaparece. E portanto, sem prova, depois vai ser muito mais difícil haver uma condenação na fase final do processo.”
Perante a evolução dos métodos utilizados pelos cibercriminosos, o comandante da PSP de Bragança reconhece que os meios tecnológicos de proteção nem sempre conseguem acompanhar as ameaças. Nesse sentido, a PSP aposta na prevenção e no alerta para proteger a população.
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