Editorial

Há mais de meio século um menino de dez anos chegou, em Agosto, a Bragança para mês e meio de férias, vindo da tropical Angola, terra de prosperidade anunciada.

A humanidade foi possível apesar da natureza, que continua a determinar as pulsões planetárias, reflexo de forças cósmicas que vamos compreendendo, mas estamos muito longe de condicionar, nem sequer de prever.

De passagem por Bragança, turista acidental levará, certamente, memória de uma cidade de dimensões modestas, com sinais de envelhecimento das gentes, logo de futuro breve, mas com um percurso secular longe da insignificância.

Não faltam notícias animadoras sobre este país pitoresco que, há bem pouco tempo, parecia condenado a um calvário de décadas, preço imposto por desmandos na gestão da dívida pública, uma fartura para leirões instalados à boca dos cofres, a chiar de satisfação até que chegaram as vassouradas de qu

Uma das maiores conquistas da humanidade nos séculos XIX e XX foi a construção de um conhecimento histórico, cientificamente conduzido, que permite observar com racionalidade o devir das comunidades, das culturas, das civilizações, da humanidade, essa estrutura profunda, que parece imutável, mas

Manhã de sexta, ao balcão de pagamentos da repartição de finanças de Bragança, uma mulher para lá dos setenta, aura de menina de toda a vida, esbelta, suave, de um fulgor discreto e voz serena, pergunta à funcionária se ainda terá tempo de se deslocar a outros serviços para deixar resolvida a que

A política é uma expressão notável da condição humana, a par da inteligência, das emoções e dos sentimentos, que rasgaram os horizontes da cultura e nos libertaram do determinismo puro e duro da natureza.

A cada novo dia parece estarmos destinados a acordar para o sobressalto, para a angústia que rói o ânimo e segreda a resignação, para a canseira de teimar que o país poderia encontrar outro rumo de ocupação equilibrada do território, com vantagem para os cidadãos do presente e do futuro.

Estranhamente o país de Abril, prometendo Maios encantados, tem conhecido governos que elegeram como alvo de medidas orçamentais de contenção da despesa do Estado um grupo profissional que já foi bandeira de progresso, depois utilizado como trunfo eleitoral e agora aparentemente destinado a ser o

Queixamo-nos, com razão, do centralismo das direcções políticas instaladas na república, que todos os dias nos vai esvaziando os territórios, sem que encontremos ponto de apoio para acreditar no futuro.

A educação é um dos fundamentos da construção de sociedades verdadeiramente democráticas.

Por enquanto  não se encontrou recurso mais eficaz do que a racionalidade, suportada no conhecimento, para atingir a elevação da condição humana.

Ser de Trás-os-Montes  e ter optado por ficar, resistir às voragens que a infeliz história política deste país nos destinou e continuar a acalentar certezas de que haveria outros caminhos está a tornar-se condição de insanidade irremediável, a roçar a paranóia, que nos remete para o ridículo.