Editorial

Na semana finda, iniciada a quaresma cristã, tivemos oportunidade de observar dois protagonistas maiores da política nacional a proclamar o seu arrependimento por se terem perdido décadas dando livre curso à irracionalidade do desprezo pelo território e pelas gentes do interior.

O ministro da Agricultura, veterano nas andanças da política, muitas vezes visto, com um peso pesado na máquina socialista, veio outra vez ao distrito, ao encerramento da Feira do Fumeiro, em Vinhais, depois de há duas semanas ter sido convidado especial na feira da Caça e do Turismo, em Macedo de Cavaleiros.

Antes da invasão esmagadora das modas anglo-saxónicas, que nos vão descaracterizando os ritmos de relação com os ciclos naturais, preexistia um substracto cultural que tem vindo a ser relegado para o esquecimento e qualquer dia será mesmo varrido da memória comum, para mal do nosso futuro.

Recentes acontecimentos ocorridos nas imediações do espaço urbano de Bragança, que encharcaram a terra com sangue de ovelhas, mortas por cães ditos selvagens, deveriam ser motivo de reflexão séria sobre as distorções que estamos a impor aos equilíbrios que a natureza vai instalando, que não se co

A capital da república, que já foi do reino e do quase império, vive dias de júbilo, com os negócios do imobiliário a alimentar patos bravos, moedas a tilintar por todo o lado, um aeroporto congestionado a conhecer um upgrade na consideração da aviação internacional e o Terreiro do Paço a tornar-

Os transmontanos têm razão quando se sentem objecto de discriminação, de injustiças, mesmo de desrespeito por parte dos poderes que se vão sucedendo à frente dos destinos do país há longas décadas.

As sociedades ocidentais aparentam caminhar, cada vez mais, para becos sem saída, que as podem encerrar no desespero final a relativamente curto prazo.

Todos os dias se faz festa a propósito de novidades que nos vão desactualizando, isolando e excluindo dos amanhãs, se não entrarmos no frenesim dos bytes na ponta dos dedos. Festa é festa e quem não entra no ritmo que se amanhe, porque não há tempo a perder.

É duro ver passar o tempo sobre esta terra, secando-lhe os últimos sinais de vida, sem que se sinta, ao menos, o abanão da revolta antes do último suspiro.
Há dois milénios que se alimenta a esperança, anunciada por estrela fulgurante sobre Belém, de que novos tempos reconduziriam a criação às portas do paraíso, desígnio último de um Deus afinal misericordioso, compassivo, salvador. Foi o primeiro Natal.

Depois de arrasadora tempestade vêm sempre tempos de bonança, é o que clama sem cessar o lugar comum, com o fito de tranquilizar as vítimas de todas as desgraças que o tempo nos reserva.

Que os protagonistas da política se revelam, muitas vezes, uma grande seca, sabemos de ciência certa nós, os cidadãos, que dificilmente nos cruzámos nesta triste vida com personalidades luminosas, mobilizadoras do alargamento de horizontes ou da construção de alternativas ao marasmo, à preguiça,