Editorial

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Foi do melhor que nos podia ter acontecido, a concretização, vai para sete anos, da auto-estrada transmontana, a tal estrada da justiça, como a definiu um Primeiro Ministro que tem deixado o país ruborizado pela vergonha do que terá feito e do que seria capaz de fazer, se não tivesse caído em des

Aparentemente nas sociedades em que vivemos haverá condições propícias ao reconhecimento crescente do valor do saber para o desenvolvimento de modelos de inter-relação capazes de nos elevar a patamares nunca atingidos nas condições materiais, na equidade, na ética e na estética, com reflexos na m

Vai para três décadas que ficámos sem comboio, ou quase, porque se manteve, literalmente até cair, um troço entre o Tua e Mirandela, expressão do desprezo ostensivo dos poderes centrais deste país.

A nossa gente reconhece bem a situação dos desgraçados que, nas festas e romarias, se iam chegando a uma roda de homens, desenhada numa sombra conveniente, a deslado do baile, mas não muito longe de alguma tasquinha, para tentarem a sorte de multiplicar uma notita por três ou quatro e sentir o al

É comum ouvir reflexões sobre a capacidade de adaptação do ser humano às condições extremas que não faltaram nesta caminhada, já longa, à superfície da Terra.

O apregoado lado democrático da pandemia em que vivemos, suportado na convicção de que todos estão sujeitos à contaminação, independentemente da condição económica ou do estatuto social, não é afirmação que se deva reclamar para o universo das verdades definitivas.

Ao longo do tempo pensadores da profundidade, muitas vezes boas almas, outras talvez nem tanto, foram deixando sinais de que as certezas sobre a condição humana, as capacidades de intervenção na realidade e de compreensão do que nos rodeia eram relativamente limitadas, o que nos conduziria, mais

A cada novo dia os sinais de alívio diluem-se rapidamente numa torrente de novas angústias, incertezas, perigos afinal desconhecidos, ameaças de segundas, terceiras ou quartas vagas, ao mesmo tempo que se anunciam decisões de progressiva retoma da economia, que sem pão estará tudo a ralhar, mas n

O que mais dói é ver a Primavera a fugir de nós, quando sempre a celebrámos como garantia de renovação da vida, pelo menos para mais um ano, ou cem, tudo dependia do sol, das flores e das folhas tenras que, a cada manhã, nos amparavam o ânimo.

Até a neve veio fazer pirraça, escarnecendo da nossa impossibilidade de lhe sentir a essência fôfa e a frescura que arrepia, depois de um Inverno sonso, mais quente do que é habitual.

Nada de novo enquanto a tempestade nos turva o horizonte.

Já tínhamos ouvido, mas até ao entardecer da passada sexta-feira, dia 13, ainda se vivia uma aparente normalidade, com mais atenção às proximidades, à higiene das mãos, aos juntouros numerosos, enquanto as prateleiras dos supermercados deixavam perceber comportamentos marcados pela ansiedade, pela angústia contida, mas também pelo egoísmo gebo, que se rebola aos ritmos da matraca diabólica.
Pelos vistos, estamos a passar pela verdadeira quaresma, que nos habituámos a suavizar, porque tínhamos a certeza que todas as primaveras floririam, num tranquilo processo de renovação, seguindo o curso natural da vida.