Editorial

Depois de arrasadora tempestade vêm sempre tempos de bonança, é o que clama sem cessar o lugar comum, com o fito de tranquilizar as vítimas de todas as desgraças que o tempo nos reserva.

Que os protagonistas da política se revelam, muitas vezes, uma grande seca, sabemos de ciência certa nós, os cidadãos, que dificilmente nos cruzámos nesta triste vida com personalidades luminosas, mobilizadoras do alargamento de horizontes ou da construção de alternativas ao marasmo, à preguiça,

Há uma sabedoria meio racional, meio intuitiva, que aflora nos quotidianos desta vida, expressa em ditos, aforismos e provérbios, com proveito para lidarmos com a economia, a relação social e, claro, a política.

Tempos houve em que havia professores com estatuto de escravos, naturalmente numa condição diferente da escravatura pura e dura dos serviçais ou dos remadores das galés romanas.

Uma aura romântica, por vezes autêntica mitologia, envolve figuras históricas que se constituíram como referências sentimentais para gerações inteiras de intelectuais quando jovens, ou mesmo numa adultez inquieta, geralmente identificados com propostas de ruptura nas sociedades em que viveram.

A Norcaça, Norpesca e Norcastanha decorreu no último fim-de-semana. A caça e a pesca têm sido apresentadas como recursos económicos da região, tendo em conta a sua qualidade e potencial de atracção para um turismo de bolso confortável.

Às vezes dá-nos vontade de proclamar, aos gritos, pois claro, que a única solução para o desprezo a que nos tem votado o poder central lisboeta é tornarmo-nos independentes. Geralmente acrescentamos que seria bem melhor se fossemos espanhóis.

Salazar chegou ao poder cavalgando o medo da desordem, da incúria, da corrupção e do correlativo desastre orçamental, aparecendo como salvador da honra e garante da dignidade do país a que impôs, com a conivência de interesses político-económicos retrógrados, décadas de apagada e vil tristeza.

Ontem acordámos em Bragança com cinza a cair-nos sobre a cabeça, um céu cor de brasas mortiças, o ar tomado por um fumo de lume gasto, que nos fazia respirar como nos arrabaldes do inferno.

Um balde de água gélida deixou pingados os entusiasmos que querem fazer crer que o país vive tempos de celebração do sistema educativo.

Apesar da sensação de que a política se vai reduzindo a uma trama urdida à revelia, senão mesmo nas costas do povo, de vez em quando a força da democracia irrompe, sísmica, provocando abanões que nos acordam para a inefável convicção de que a vontade dos cidadãos é factor decisivo no percurso das

As campanhas políticas já eram alegres, ao que parece, nos tempos idos em que Eça de Queiroz se dedicava ao jornalismo, no século XIX, quando o país fazia que andava, mas não andava na senda do progresso.