Editorial

A política pode ser expressão de grandeza da condição humana, mas fica-se muitas vezes pelos níveis míseros do imediatismo vicioso, sem objectivos que não a manutenção no poder, numa vertigem de ilusões que fintam a lucidez, mesmo dos mais experientes, ou assim reconhecidos pelas comunidades.

Sou um entre muitos transmontanos vindos ao mundo no princípio da segunda metade do século XX, quando os carros de bois chiavam nos caminhos, as mulheres desenferrujavam a língua junto à fonte, os ritmos continuavam a ser marcados pelo sino da igreja matriz e a senhora professora, virtuosa, beata

Há uma semana escreveu-se neste espaço que o Plano de Investimentos até 2030 poderia trazer-nos notícias demolidoras, apesar dos panos quentes em que o poder tem sido pródigo, autênticos emplastros para aliviar a dor, mas avaro em acções necessárias para reverter uma situação que se agrava todos

Chegado Janeiro, geadas à moda antiga, dias de céu límpido na Terra Fria e de nevoeiros gelados nos vales da Terra Quente, que multiplicam postais fascinantes nas redes sociais, quase nos sentimos de volta ao nordeste autêntico, como se ainda houvesse uma força telúrica a irromper, seminal, das f

Acordar a 1 de Janeiro traz sempre um não sei quê de fantasia, mesmo quando chove ou o nevoeiro nos limita o horizonte. Mas, se o sol brilhar no céu azul, depois de uma noite límpida com o tal luar que não tem parceiro, até se sente a alma a vibrar como se nada fosse impossível.

Calha este ano que a edição próxima do solstício de Dezembro sai no próprio dia de Natal, adaptação cristã de celebrações que, pelo menos desde o Paleolítico Superior, são observáveis entre os humanos, na sua relação com o pulsar da natureza, resultante da percepção que lhes era possível dos ritm

O acaso, esse imponderável monstro da obscuridade, continua a encher-nos de medo, apesar de toda a ciência e das tecnologias que nos levam a esquecer a fragilidade da nossa condição perante os caprichos de uma natureza cruel, dada a festins mortíferos.

O lenço em tons escuros, a cair-lhe nas costas, revela o brilho solar do cabelo sedoso, mais que branco, de um tom ouro claro, suave, nada metálico, nem frio.

Há uma visão romântica da História, daqueles que acreditam na evolução das sociedades em função do voluntarismo e desassombro de alguns, auto proclamados escolhidos por entidades sobrehumanas para conduzir os destinos do mundo.

Em tempos idos, quando nas escolas se faziam as contas à mão, para verificar se o resultado estava correcto, os alunos dispunham de dois processos: a prova dos nove e a prova real. A prova dos nove podia esconder o erro.

Estamos no último ano desta legislatura e dificilmente encontraremos na história do regime democrático uma representação parlamentar tão muda e queda, relativamente aos interesses do distrito, como o trio de deputados que temos na Assembleia da República.

Enquanto a festa mediática nos vai entretendo com folhetins escabrosos de viúvas alegres, com historietas de rapazes do Lumiar, armados em meninos queques, que deixam transparecer por todos os poros a boçalidade rufia, ou com tragicomédias políticas, à medida dos cinemas do piolho, vale a pena vo