Editorial

Só os burros não mudam de ideias. Esta é uma afirmação, também atribuída a Mário Soares, entre outras figuras da nossa história política, que se adapta ao que vamos presenciando na actualidade da vida deste país.

Vamos na segunda década do século e parece-nos que, afinal, a história se repete, porque no dealbar de cada novo século, a humanidade tem conhecido tragédias impensáveis.

Os europeus, todos, estamos a sujeitar-nos a uma humilhação que muitos sentimos ser inadmissível.

As dificuldades que sentimos levam-nos, muitas vezes, a praguejar contra a sorte e o mundo. Consideramo-nos desprezados até pelo criador, que nos terá, também ele, relegado para o horizonte do olho traseiro de Judas, o que, no comum imaginário cristão, é mesmo dos lugares piores de toda a criação.
 

Quando os homens no tempo não se elevam para além da condição primata, a civilização pode diluir-se, não só na barbárie, mas mesmo no retorno à selva natural.

Quando tentamos apoiar-nos na esperança e nos esforçamos, ainda, na recuperação do direito ao futuro, dias ásperos como rascalhos fazem-nos voltar à dura realidade.