Editorial

Perante a desgraça que é o resultado da incúria relativamente ao território nacional, reflectida na concentração demográfica no corredor cada vez mais estreito da festa litoral, o primeiro ministro lançou uma unidade de missão para o desenvolvimento do interior. Uma urgência, como sabemos.

Ao contrário de todas as prospectivas que, no fim do século passado, iam anunciando luminosos futuros, cada dia deste novo milénio traz-nos mais angústias e desânimos sobre a condição humana, apesar do generoso Francisco, que se desdobra em apelos e orações.

Cada dia que passa parece varrer a nossa vida de transmontanos com os ventos uivantes das bocas do inferno, que ameaçam queimar-nos os ossos até ao pó, para que não fique réstia da nossa presença.

Vivemos um início de semana, neste fim de Maio, em que os transmontanos encontraram uma razão para mostrar que são capazes de autêntica irritação, mas também de serenidade, que sempre nos caracterizou, mesmo quando somos objecto de provocações gratuitas, vindas dos milhentos Dâmasos Salcede deste

Está a alastrar, paulatinamente, uma evolução insidiosa da forma como os mais diversos responsáveis políticos e os burocratas, caseiros ou instalados nos centros de decisão europeus, se referem à nossa condição demográfica.

Apesar de múltiplas iniciativas, ao longo dos últimos anos, voltadas para a cooperação transfronteiriça, em nome de uma efectiva integração dos territórios, a caminho da Europa realmente unida, continua a sentir-se que os laços continuam frouxos.

Neste Maio, pardo como diz a tradição, mas demasiado molhado para garantir sorrisos primaveris, vivemos momentos de emoção porque, finalmente, a ligação por auto-estrada entre o litoral norte e a ponte internacional de Quintanilha foi concluída, com a inauguração do Túnel do Marão.

Os municípios da região têm vindo a anunciar que, em resultado de esforços de gestão, os endividamentos das câmaras estão em baixa.

Irmãos, na dolorosa condição transmontana.
Antes de vos falar desta tribuna, curvo-me perante a memória sublime do grande Vieira, António, o padre que tanto prestigiou a nossa língua e a capacidade de discernimento de que também somos capazes.

O Jornal Nordeste, tentando, como lhe compete, contribuir para a compreensão serena mas objectiva do contexto em que vivemos nesta nossa terra, desenvolveu um trabalho de verificação do efectivo pecuário na região, uma das actividades produtivas que tem sido proclamada

Só os burros não mudam de ideias. Esta é uma afirmação, também atribuída a Mário Soares, entre outras figuras da nossa história política, que se adapta ao que vamos presenciando na actualidade da vida deste país.

Vamos na segunda década do século e parece-nos que, afinal, a história se repete, porque no dealbar de cada novo século, a humanidade tem conhecido tragédias impensáveis.