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“Essa dor ninguém paga”: ataques de lobos marcam Jantar dos Pastores em Bragança

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Ter, 27/01/2026 - 09:10


Ministro da Agricultura e do Mar anunciou, no sábado, em Bragança, um programa de 30 milhões de euros de apoio à pastorícia extensiva e apelou ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para uma atuação mais célere, nomeadamente na resposta e no pagamento de prejuízos causados por ataques de lobos
O sofrimento das ovelhas atacadas pelos lobos, há escassos dias, ainda ecoa na memória de Alcina Afonso. Pastora há quatro décadas, natural de Carragosa, no concelho de Bragança, resume numa frase o sentimento que hoje muitos produtores pecuários da região atravessam. “Essa dor… não há nada que a pague”, esclareceu. Nos últimos meses, os ataques de lobos têm-se multiplicado em vários pontos do distrito, agravando um quotidiano já marcado por dificuldades económicas, envelhecimento do setor e falta de apoios eficazes.
Alcina Afonso gere uma exploração com cerca de 650 ovelhas, 70 vacas e 15 cabras. Trabalha com animais desde há 40 anos, por “gosto”, mas admite que nunca viveu tempos tão difíceis. Só no passado mês de setembro perdeu praticamente todas as ovelhas que tinham parido recentemente. “Matou-me as mães todas, só ficaram seis que não estavam mordidas”, contou. Já este mês, os ataques repetiram-se. Foram dois praticamente seguidos. Em cercas próximas da aldeia e até durante o pastoreio diário, os lobos voltaram a matar mães e crias. “Fiquei sem filhos, ficaram ali filhotes sem mãe, muitos acabaram por morrer. Isso ninguém paga”, lamentou.
Embora reconheça a importância da conservação da espécie, o lobo-ibérico, a pastora defendeu, no sábado, no “Jantar dos Pastores”, iniciativa promovida pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e pelo Centro de Competências do Pastoreio Extensivo, na Escola Superior Agrária, que o problema exige outras respostas. “Eu não sou contra que haja lobos, mas tem de haver medidas de proteção. O desgosto ninguém paga. E o valor dos animais também não. Em setembro, cheguei ali e vi as ovelhas mortas e outras ainda vivas, mas todas mordidas, e os filhos ficaram ali sem mãe, acabando depois por morrer, porque não tinham quem os criar… essa dor, não há nada que a pague, nada”, destacou, criticando os atrasos nas indemnizações e a ausência de soluções preventivas eficazes. Para muitos pastores transmontanos, o lobo deixou de ser apenas um símbolo da fauna selvagem para se tornar uma ameaça constante à viabilidade das explorações.
Jornalista: 
Carina Alves