Tio João

Meio século de vida partilhada a dois

Olá familiazinha!
Aí está a azáfama dos trabalhos nos escritórios da terra. Afinal a Primavera parece que já veio para ficar.
A tia Neves, de Nuzedo de Baixo (Vinhais), disse-nos que “agora para jungir os ossos é que é complicado e quem as paga são os quadrizes!”. Também nos disseram que por estes dias se gasta muito ferro a lavrar as terras. Amigos tractoristas: conduzir um tractor é uma grande responsabilidade. E que ninguém pense que o mal só acontece aos outros. As terras agora estão muito falsas. Segundo nos contou a tia Maria do Céu, de S. Pedro da Veiga do Lila (Valpaços), no dia 19 deste mês, quinta-
-feira, foi encontrado nesta localidade um agricultor de 50 anos, já sem vida, debaixo do seu tractor.
No dia do seu 85.º aniversário, o tio Isaac, de Espinhoso, contou-nos que dia 9 de Abril fez 100 anos que o seu pai foi ferido na batalha de La Lys. Continuando com os que festejaram a vida na passada semana, contam-se a tia Ana Marcos (85), de Saldanha (Mogadouro); a tia Teresa Tomeno (78), de Bragança; o tio Ramiro (66), do Castro (Vinhais); o tio Belmiro dos Santos (72), de Grijó (Bragança); a tia Natividade (78), de Sobreiró de Baixo; o tio Carlos Alberto (47), de Vilarandelo (Valpaços); o Cristiano (24) de Rebordelo (Vinhais); o tio Domingos Meirinhos (81), de Bragança e a tia Joaquina (68), de S. Julião (Bragança). Parabéns e muita saúde para todos.
Agora vamos falar de dois casais que comemoraram as suas Bodas de Ouro com grande festa.

Uma viagem à terra dos nossos compadres...

Olá familiazinha.
Vai fazer um mês desde que entrou a Primavera, mas pediu logo licença sem vencimento. A terra está muito pesada e a vontade de a trabalhar é grande. Este ano já se fez muita cinza e gastou-se mais lenha do que o habitual. Agora aguarda-se que a Primavera comece a trabalhar no activo.
A rádio família continua e, além de festejar a vida e chorar a morte, os tios e tias também compartilham as suas preocupações e problemas de saúde connosco. Na passada semana o tio Rui Reis, de Vale da Madre (Mogadouro), ligou-nos muito preocupado e com as lágrimas nos olhos, informando-nos que a sua filha, Ana Beatriz, de 5 anos, ia ser operada no Hospital de Santo António a um nódulo no peito. A família acendeu velas e rezou as suas orações para que a operação fosse um êxito.
Quem já está fora de perigo e a frequentar novamente a escola é a netinha do nosso tio Acácio, de Alfaião, depois de ter estado hospitalizada alguns meses com uma doença desconhecida. A todos os doentes desejamos rápidas melhoras.
A tia Rosalina, de Rebordelo, deu-nos conta de mais uma tragédia ligada às lareiras pois, na quarta feira, à tardinha, uma senhora daquela aldeia foi encontrada pelo seu filho, à entrada da porta de casa, queimada e já sem vida. Começa a ser preocupante o número de casos idênticos que têm acontecido nos últimos meses na nossa região.
Na última semana o nosso ministro dos parabéns, o João André, cantou para os seguintes aniversariantes: Maria Teixeira (68), de Parada (Bragança); tio Agostinho do realejo (71), de Vila Boa (Bragança), emigrado em França; a tia Carmelina (77), de Vila Boa (Bragança) e a Amélia Martins (75), de Bragança.
Agora vamos até ao interior do Alentejo.
Chegou o momento de irmos para fora cá dentro.

A forja: o escritório do ferro...

Olá familiazinha!
A nossa gente está em pulgas para começar a trabalhar nos escritórios da terra, mas como a seca foi grande e as orações para que chovesse foram muitas e a todos os santos, agora se cada um fizer chover um dia, ainda vamos ter chuva para dar e vender…
Na última semana tivemos os relatos diários e em directo do nosso tio Hélder Magnífico, de Braga, que foi a pé a Santiago de Compostela com mais dois amigos, o Hélder Sequeira e o Carlos. Todos os dias nos mantinham informados de como estava a decorrer a sua peregrinação. De Braga a Santiago percorreram 190 quilómetros em cinco dias, chegando à catedral de Santiago no dia 5 de Abril, quinta-feira, às 16:30 horas, momento que também quiseram partilhar comigo através de telemóvel. Muitos foram os tios e tias que os animaram com as suas mensagens de apoio, canções e músicas, para que o caminho não lhes rendesse tanto. Ouviram-nos diariamente durante a sua peregrinação pelos caminhos de Santiago.
No dia 6 de Abril também compartilhei as minhas Bodas de Crisopázio (27 anos de casado) com a nossa família, que nos encheu de mimos e nos desejou que “sempre dure o pão da boda”. Bem haja a todos por fazerem parte da nossa vida.
Estiveram de parabéns a senhora minha sogra, a nossa tia Sarinha (66), de Caravela (Bragança); a tia Maria Alice (97), de Podence (Macedo de Cavaleiros); as duas maninhas, Fátima (53) e Ana Maria (57), de Vale de Lamas (Bragança); Manuel Farruquinho (62), de Coelhoso (Bragança), emigrado em França; o tio Carlos Andrade (80), de Valongo dos Azeites (S. João da Pesqueira); a tia Etelinda Bastos (59), de Bragança; a tia Catarina Freitas (83), de Caravela (Bragança) e a tia Antónia (69), de Deilão (Bragança). Para todos muita saúde e que coza o forno e o pão seja nosso.

A tradição da bênção das casas ainda se mantém em muitos lares

Olá familiazinha!
Boas festas da Sagrada Ressurreição de Nosso Sr. Jesus Cristo. Entrámos no mês de Abril e estamos na semana da Páscoa, a caminho da Pascoela.

Quem ainda oferece o ramo à madrinha?

Olá familiazinha!
Já entrámos na hora de Verão. Nestes primeiros dias ainda estamos a habituar-nos à mudança da hora nas nossas vidas. Embora haja muita gente que defende a tese de que não devia mudar a hora, a verdade é uma, é que daqui a algumas semanas quase se ganham duas jeiras… Também já estamos na Semana Santa, a caminho da Páscoa.
Nestes dois últimos domingos fizemos horas extra para a Família do Tio João, numa edição especial do Domingão: no Domingo de Lázaro estivemos em directo da Feira da Rosquilha de Argozelo (Vimioso) e no Domingo de Ramos o programa foi transmitido da Feira do Pão, em Caçarelhos (Vimioso). Continuamos a promover as feiras e os eventos das nossas terras e continua a ser o concelho de Vimioso o que mais aposta e ganha com a sua promoção.
Uma menção honrosa para o nosso tio António Cavalheiro, de Vilarandelo (Valpaços), assinante deste jornal, que compôs e cantou um fado inspirado no texto da moda das
calças rotas, do tio Belmiro dos Santos, de Grijó de Parada (Bragança). A nossa família
aprecia, cada vez mais, estes bons momentos com que os artistas do povo nos brindam.
Quero mostrar também o meu contentamento porque alguém me disse há dias:
“— Eu nunca o ouvi, mas leio-o sempre!”
Agora vamos aos aniversários. O ministro dos parabéns, o meu João André, quase ficava rouco de tanto cantar os parabéns esta última semana. Principiámos pela nossa tia Gina Salazar (59), de Bragança, que fez questão de vir trazer-nos uns miminhos para festejar os seus anos também connosco; a tia Albidina (78), da Fradizela (Mirandela); a tia Helena (69), de Barqueiros (Mesão Frio), esposa do “rei do chau-
-chau”, tio Isolino; o Carlos Silva (49), de Vinhais, o nosso menino especial; o Luís Correia (55), de Mós (Bragança), emigrado em Bremen, na Alemanha; o tio João Atanásio (81), de Santa Valha (Valpaços); a tia Celeste (91), da Sarzeda (Bragança); e os gémeos José Augusto e Manuel José (50), da Cernadela (Macedo de Cavaleiros).
Que haja saúde para todos e que coza o forno.
Agora, como somos todos muito bem comportados, vamos à madrinha!

Serões nas aldeias... só recordações!

Olá familiazinha!
Ontem festejou-se o dia de S. José, o dia do pai. Escusado será dizer que tive muito miminho do meu João André e, para o meu pai, eu quero de coração
dar-lhe um abraço em sinal de gratidão. Aos filhos que já viram partir o seu pai para a eternidade, que eles descansem em paz e que os recordem com saudade.
Hoje entra a nossa prima... a vera, que reinará até dia 21 de Junho.
Na última semana festejaram connosco o seu aniversário a tia Lurdes (59), de Grijó (Bragança), emigrante na França; a Sabrine (23), de Grijó (Bragança); a tia Rosa (80), de Possacos (Valpaços); a tia Matilde (43), de Chavães (Tabuaço); o tio Cristophe (55), o suíço mais português da nossa família; a tia Ana Maria (54), de Caçarelhos (Vimioso) e por último o tio Brilhantino (93), de Saldanha (Mogadouro), que segundo nos disse a sua esposa, ainda cultiva os seus quintais e consegue fazer bem a vénia na igreja.
Hoje vamos recordar um pouco os serões de antigamente, à luz da candeia, inspirados no livro de Mónica Ferreira, filha do nosso tio Domingos Ferreira, de Genísio (Miranda do Douro), que traduziu a Bíblia para Mirandês. Este livro «Uma Noite de Serão à Luz da Candeia», contém histórias que se contavam nos longos serões à lareira, à luz da candeia, no tempo em que ainda não havia luz eléctrica.
Fica em baixo a apresentação deste livro pela mão da sua autora e também vos deixo um dos muitos contos que constam deste livro.

A moda das calças rotas...

Olá familiazinha!
Estamos a poucos dias de entrar na Primavera e agora é que o Inverno se lembrou de ‘atacar’. Nunca estamos bem com a roupa que temos. Se não chove, “ai tio, ai tio, que não chove”, se chove uns dias já é demais e já podia parar de chover, que já aborrece. Como diz o tio Lita: “- Em Caravela quando chove, deixamos chover!” O tio Pereira, de Valpaço (Vinhais), disse-nos que agora era bom que parasse de chover por quinze dias, para dar tempo de amanhar as terras e depois já poderia voltar a chover.
Como ainda não há máquina para isso, seja feita a vontade do Criador.
No passado dia 8 de Março (quinta-feira) festejámos, no nosso programa, o Dia Internacional da Mulher, embora o dia da mulher seja todos os dias do ano. A mulher rural foi a mais homenageada, mas também o tio João Castilho, de Bragança, nos confidenciou que, na sua família, tem 22 mulheres, entre esposa, filhas, noras, netas e bisnetas. Como reza na sua poesia o tio Carlos da Conceição, do Soito (Sabugal):
“A mulher é um anjo que Deus criou./No seu amor mais profundo/É a mais bela rosa que plantou/Para fazer florir o mundo”. Vivam as mulheres.
Na última semana faleceu, vítima de um AVC, a tia Alice Cameirão, de Pinelo (Vimioso), que deixou expressa a sua vontade que fosse a tia Irene, de Samil (Bragança) que rezasse as orações da manhã à sua alma. O seu desejo foi concretizado. Paz à sua alma e os sentimentos ao seu marido e ao filho Patrick que chorou a morte da sua mãe em directo connosco.
Depois das lágrimas, as alegrias. Na semana passada estiveram de aniversário a tia Antónia Pastora (58), de Rio Frio (Bragança); a tia Margarida (59), de Cal de Bois (Alijó); a tia Maria Adelaide (69), esposa do nosso tio Acácio, de Alfaião (Bragança); a tia Ilda, de Vila Nova (Bragança) e o nosso JPV (José Pereira Vieira), meu grande amigo pessoal, chegou aos três quarteirões (75). Que continuem a festejar sempre a vida connosco.
E se agora a moda é andar de calças rotas, é bom que se saiba que antigamente era por necessidade e agora é por vaidade. Quem nos vai falar disso mesmo é o nosso tio Belmiro dos Santos, de Grijó de Parada (Bragança), no texto que agora se segue.

Esta neve é pão caído do céu

Olá familiazinha!
Somos chegados ao mês de Março, o único deste ano que tem duas luas cheias.
Como nos disse a tia Celeste, de Serapicos (Valpaços), toda a gente tem andado aflita com a falta de chuva mas, “Tio João, já o meu pai dizia que a chuva não a comeu o lobo!… e a chuva e a morte não se devem pedir, porque estão certas”. A verdade é que, desta vez, a neve foi geral em toda a região e há previsões de mais chuva para a primeira quinzena deste mês. Quem também fez a sua aparição foi o gelo, que fez das dele, pois como nos contaram alguns tios, ouviam-se as árvores a partir com o peso do gelo, dando prejuízo em pinheirais e soutos. Em contrapartida, a neve prejudica quem conduz mas para a agricultura foi uma grande riqueza, ao contrário do gelo.
Na última semana faleceu o tio Canelhas, da Paradinha de Outeiro (Bragança), fiel ouvinte durante muitos anos e pai da nossa tia Delfina, assídua participante do nosso programa. O seu sofrimento chegou ao fim, depois de um mês a sofrer para morrer. Que tantos anjinhos o acompanhem como dias nos ouviu. Paz à sua alma e os sentimentos à família enlutada.
Depois de chorarmos esta perda, vamos festejar a vida com os aniversariantes da última semana, que foram o tio Luís Modinhas (79), da Paradinha de Outeiro (Bragança), grande animador da família com o seu “esfola beiços” e as suas cordas vocais; o tio António Rodrigues (83), de Asturianos (Sanábria – Espanha), que é o espanhol mais português; o jovem Benjamim (14), de Zurique, filho da nossa tia Irene Hostler, emigrantes na Suíça; a tia Paula Silva (50) , de Vinhais, mais uma do meu ano, filha do nosso grande amigo, tio Alcino Silva; o tio José Leonardo (84), de Grijó (Macedo de Cavaleiros); a tia Albertina (60), de S. Jumil (Vinhais); o tio Eliseu Fidalgo (47), da Paradinha de Outeiro (Bragança), emigrado em Londres e por fim a Tizinha (53), de Bragança. Parabéns a todos e que façam ainda muitos na nossa companhia.
E agora trago-vos a neve e os pingorelhos.

Há vidas que bem contadas fazem tremer calçadas

Olá familiazinha!
Como é tão pequeno, já está a acabar. Estou a falar-vos do mês de Fevereiro, que tem sido muito participativo no nosso programa de rádio, porque os temas que temos abordado puxam pela língua ao nosso povo, com uma média de 27 participações diárias. Também tivemos 30 novas matrículas na universidade da vida. Recordámos muito o tempo antigo, quando as pessoas viviam com mais dificuldades do que agora, mas eram muito mais felizes e havia mais respeito.
Na última semana falaram connosco pessoas de 24 aldeias onde já não há nenhuma criação de gado bovino. O tio José Luís, de Azinhoso (Mogadouro), ensinou-nos que antigamente os 7 domingos da Quaresma tinham todos nomes: “O primeiro é Ana, o segundo Magana, o terceiro Rebeca, o quarto Susana, o quinto Lázaro, o sexto Ramos e ao sétimo na Páscoa estamos”.
Tivemos mais uma perda na família, desta vez foi a tia Emerência, do Castedo (Torre de Moncorvo), que faleceu no dia 20, terça-feira, com 93 anos e prestes a fazer 94. Já que lhe festejámos a vida vários anos, também agora lhe choramos a morte. Paz à sua alma e que tantos anjinhos a acompanhem como em festas participou, sendo sempre das primeiras a chegar.
De parabéns estiveram a tia Teresa, de Cal de Bois (Alijó), a tia Irene, de Samil (Bragança), o tio António Canucho, de S. Julião (Bragança), que completaram 78 anos. O tio Arnaldo (92), de Deimãos (Valpaços), o tio António Xavier (70), de Coelhoso (Bragança), o tio Ramiro (63), de Freixedelo (Bragança), a tia Maria José (50), de Sacoias (Bragança), o tio Carlos Pinto (42), de Tabuaço e o Tio Carlos (65), de Alvarelhos (Valpaços). Parabéns a todos e que para o ano constem outra vez desta página.
Agora vamos conhecer a história de uma vida que bem contada, faz tremer uma calçada e, segundo o protagonista, “ainda deixou a missa a metade”.

Eu ainda sou do tempo em que...

Olá familiazinha!
Embora muito pouca, é melhor do que nada a chuvinha que nos tem visitado.
É preocupação de todas as pessoas que desabafam connosco a pouca chuva que tem caído, porque as barragens, rios e ribeiros estão ainda com muito pouca água nesta altura do ano.
Já temos mais um Entrudo em cima da pele! Apercebi-me que o Carnaval ‘ressuscitou’ em algumas aldeias este ano. Enquanto antigamente se brincava ao Carnaval de forma espontânea, agora tem sido organizado, com direito a jantar, baile e desfile com tractores alegóricos, como aconteceu na freguesia de S. Julião de Palácios (Bragança) onde, pelo segundo ano consecutivo, o Grupo de Gaiteiros e Bombos da Lombada se encarregou de organizar o Carnaval.
Na última semana também se festejou o Dia dos Namorados e a nossa família tem bons exemplos de namoros que duram há muitos anos, como é caso do tio Amadeu Rocha e esposa, namorados há 67 anos. Muitos dos casais que nos telefonaram nesse dia também há mais de 50 anos que namoram.
Estiveram de parabéns o tio José Maria (62), de Seara Velha (Chaves), a tia Ester (73), do Bairro do Couto (Bragança), a tia Adília (80), de Penas Róias (Mogadouro), o tio Eusébio (56), de Baçal (Bragança) e a nossa grande padeirinha, de Lagoa (Macedo de Cavaleiros). Que continuem a contar os Entrudos.
Agora vamos à gente que é do tempo em que…