Editorial

Daqui a 50 anos, se for consultado um arquivo digital “super fancy”, da memória do meado de julho de 2016, quem estiver em frente ao écran, se é que ainda haverá écrans…, passará como cão por vinha vindimada (tentação retro, esta de falar em provérbios) por uma nota obscura sobre perspectivas de

Há um em Paris, mas os 23 magníficos não passaram lá. Os romanos construíam-nos, há mais de dois mil anos, para assinalar grandes feitos dos seus pretores, um pouco por toda a bacia do mare nostrum, como chamavam ao Mediterrâneo.

As presidências abertas de Mário Soares, já lá vão trinta anos, têm sido replicadas pelos sucessores, embora com a atribuição de designações derivadas, mais ou menos criativas. Do que temos observado a ideia base é a mesma.

Há quatro séculos que a humanidade vê crescer, a partir da Grã-Bretanha, uma influência política e económica que atingiu, talvez, a condição de maior império conhecido.

Perante a desgraça que é o resultado da incúria relativamente ao território nacional, reflectida na concentração demográfica no corredor cada vez mais estreito da festa litoral, o primeiro ministro lançou uma unidade de missão para o desenvolvimento do interior. Uma urgência, como sabemos.

Ao contrário de todas as prospectivas que, no fim do século passado, iam anunciando luminosos futuros, cada dia deste novo milénio traz-nos mais angústias e desânimos sobre a condição humana, apesar do generoso Francisco, que se desdobra em apelos e orações.

Cada dia que passa parece varrer a nossa vida de transmontanos com os ventos uivantes das bocas do inferno, que ameaçam queimar-nos os ossos até ao pó, para que não fique réstia da nossa presença.

Vivemos um início de semana, neste fim de Maio, em que os transmontanos encontraram uma razão para mostrar que são capazes de autêntica irritação, mas também de serenidade, que sempre nos caracterizou, mesmo quando somos objecto de provocações gratuitas, vindas dos milhentos Dâmasos Salcede deste

Está a alastrar, paulatinamente, uma evolução insidiosa da forma como os mais diversos responsáveis políticos e os burocratas, caseiros ou instalados nos centros de decisão europeus, se referem à nossa condição demográfica.

Apesar de múltiplas iniciativas, ao longo dos últimos anos, voltadas para a cooperação transfronteiriça, em nome de uma efectiva integração dos territórios, a caminho da Europa realmente unida, continua a sentir-se que os laços continuam frouxos.

Neste Maio, pardo como diz a tradição, mas demasiado molhado para garantir sorrisos primaveris, vivemos momentos de emoção porque, finalmente, a ligação por auto-estrada entre o litoral norte e a ponte internacional de Quintanilha foi concluída, com a inauguração do Túnel do Marão.

Os municípios da região têm vindo a anunciar que, em resultado de esforços de gestão, os endividamentos das câmaras estão em baixa.