Editorial

Está a perder-se o respeito pelos exames nacionais, instituição que, com limitações, legitimou a dignidade do sistema educativo, desde a sua reposição no ano lectivo de 1993/94.

A lendária história de António, o santo de Lisboa, a falar aos peixes, na sequência das orelhas moucas dos homens, já inspirou milhentas reflexões, mas continua a constituir um bom ponto de partida para falar da sina deste humilde editorialista.

Vivem-se tempos paradoxais em que, apesar de todas as globalizações, festejadas ou sofridas, os indivíduos se deixam embalar em ilusões sobre redomas que os manteriam a salvo das agruras da história, mesmo quando os sinais de risco se repetem a ritmos avassaladores.

Artificiais são quase todas as fronteiras, muitas vezes fruto de decisões conjunturais que, nalguns casos, prevaleceram por séculos, apesar de impulsos vitais para lhes apagar o risco separador.

Sobre a História não vale a pena derramar prantos, porque o tempo é um caminho sem retorno e o que foi feito não se apaga, pelo contrário, revela-se uma força a ter em conta quando se procuram novos horizontes. 

Ao contrário de Passos Coelho, que se armou em morigerador da balda, logrando a conjugação de protestos dos velhos republicanos e do povo piedoso, valeria a pena fazer as contas para verificar se o país não ganharia com feriados acrescentados ao calendário, principalme

Há uma solidariedade que nos leva a olhar para o resto do país, a leste, faixa inteira até ao interior serrano do reino do Algarve, para dar razão ao aforismo de que mal de muitos é alívio.

Sexta-feira, ao entardecer, sol festeiro em Bragança, deputados em traje casual, já com ar de enfado, depois de algumas horas no distrito do extremo Nordeste, trinta léguas a deslado da urbe que voltou aos sonhos do mundo, como há quinhentos anos.

O fim-de-semana foi quase trágico na região, com dois episódios potencialmente mortíferos, que podiam ter contribuído para agravar o distanciamento com que somos olhados pelo resto do país.

Houve festa de três dias por esse país fora. Enquanto muitos terão sentido as almas radiosas, com o “upgrade” no catálogo de santidades, outros terão deixado referver as vísceras numa marinada de cerveja, amendoins e batatas fritas gordurosas,

A relação dos responsáveis políticos do país com o interior não tem dado mostras de mudança, apesar de intermitentes foguetórios, que anunciam, uma e outra vez, o ritual da penitência pelos males que nos têm sido infligidos, a que anexam promessas d

Em 1971 o país vivia entre a esperança e o desânimo, enquanto pelo resto do lado ocidental do mundo se fazia a festa de todas as liberdades, apesar da cortina de ferro, do muro de Berlim, do cerco a Israel, da guerra do Vietnam e das ditaduras na América Latina e do toca e foge, irritante, um pou