Editorial

Veio, finalmente, a chuva, qual bênção a refrescar-nos do fogo já quotidiano, desde o fim da Primavera.

Num país a arder, observa-se uma sequência estranha de decisões dos responsáveis da governação, que nos leva a considerar que quem manda, afinal não pode ou, pior, não quer que as coisas mudem, apesar da simplicidade das decisões que inverteriam uma situação que está a tornar-se uma normalidade i

É vulgar ouvir por aí que os órgãos de informação estão a perder credibilidade, que nem tudo o que se lê e ouve nos noticiários corresponde à realidade, que há sempre algo menos claro por trás do que se edita neste ou naquele jornal.

Quando Podence, uma aldeia do nordeste transmontano, teve quase um dia inteiro de antena na televisão pública, a propósito de um concurso que não foi realizado por lume de palhas, mas que, vá lá, serviu para divulgar algumas qualidades da nossa regi

Um calo de muitos anos não nos deixa saltar de contentamento quando ouvimos, de vez em quando, novas promessas de atenção ao interior do país.

Virtude maior de qualquer cidadão é a participação cívica, visto que as sociedades humanas não existem nos caminhos paralelos em que, ausente a política, se consuma o poder da força bruta, que esmaga ou dilacera ao ritmo do instinto.

Está a perder-se o respeito pelos exames nacionais, instituição que, com limitações, legitimou a dignidade do sistema educativo, desde a sua reposição no ano lectivo de 1993/94.

A lendária história de António, o santo de Lisboa, a falar aos peixes, na sequência das orelhas moucas dos homens, já inspirou milhentas reflexões, mas continua a constituir um bom ponto de partida para falar da sina deste humilde editorialista.

Vivem-se tempos paradoxais em que, apesar de todas as globalizações, festejadas ou sofridas, os indivíduos se deixam embalar em ilusões sobre redomas que os manteriam a salvo das agruras da história, mesmo quando os sinais de risco se repetem a ritmos avassaladores.

Artificiais são quase todas as fronteiras, muitas vezes fruto de decisões conjunturais que, nalguns casos, prevaleceram por séculos, apesar de impulsos vitais para lhes apagar o risco separador.

Sobre a História não vale a pena derramar prantos, porque o tempo é um caminho sem retorno e o que foi feito não se apaga, pelo contrário, revela-se uma força a ter em conta quando se procuram novos horizontes. 

Ao contrário de Passos Coelho, que se armou em morigerador da balda, logrando a conjugação de protestos dos velhos republicanos e do povo piedoso, valeria a pena fazer as contas para verificar se o país não ganharia com feriados acrescentados ao calendário, principalme