Editorial

A menos de um ano das eleições autárquicas, os municípios do distrito de Bragança continuam, na generalidade, a viver numa estranhamente tranquila paz do senhor, sem que se vejam surgir candidaturas capazes de animar a participação política dos cidadãos.

Pregar no deserto foi sorte que acompanhou profetas, nesta nossa civilização, longos milénios hesitante entre semear a solidariedade ou, pelo contrário, manter a selva predatória, sempre com renovadas ameaças, a ressurgir do sangue derramado na disputa de míseras migalhas do tempo.

Os líderes políticos do nordeste transmontano não têm demonstrado poder atingir condição que nos obrigue a reconhecê-los como valorosos combatentes pelos interesses da região. Não se lhes sente coragem, nem ousadia e mesmo a dedicação à causa do nosso futuro deixa muito a desejar.

Aparentemente o país está farto das nossas lamúrias, cansado da nossa pieguice, incomodado com as inconveniências que perturbam a suave leveza dos dias, sem sintomas agudos dos males que nos roem a vida.

Cento e seis anos depois do golpe republicano o ex-presidente da Fundação da Casa Real de Bragança, agora eleito primeiro magistrado da nação, festejou, entre o povo, mais uma obra grandiosa na margem direita do estuário do Tejo, cartão de visita da capital desde os tempos da Torre de Belém.

Enquanto o outono quase se abafa com um verão pândego, que não parece querer deixar a festa por mãos alheias, o idílio político entre as esquerdas portuguesas vai durando, remansoso, com meia dúzia de embirrações, aparentemente por questões de somenos, só para dar alguma cor a um fresco que não t

Duas alunas de Bragança, irmãs gémeas, Inês e Rita Andrade Trovisco, atingiram a medalha de bronze nas Olimpíadas Ibero-Americanas de química, realizadas na semana passada, na Colômbia. Estudam agora na Universidade do Porto, depois de terem feito um percurso notável na Escola Secundária Emídio Garcia.

Os sistemas educativos das sociedades democráticas constituem uma das mais celebradas conquistas da humanidade. No entanto, são realidades frágeis, muitas vezes ainda sob a ameaça do obscurantismo envolvente.

No nosso hemisfério o mês de Setembro ainda é tempo de festa, de fartura de frutos que perfumam os ares e nos concedem instantes de eternidade, quando lhes mordemos a polpa e de promessas de vinho novo, esse néctar que as olímpicas criaturas nos revelaram, valorizando a liberdade e autonomia, que

A festa foi grande no aeródromo de Bragança, no domingo. Milhares estiveram de nariz no ar, seguindo evoluções, acrobacias e até ousadias de pilotos e máquinas, num dia em que o sol mordia a pele, mesmo dos mais favorecidos pela melanina.

No declínio do verão instala-se uma agonia perturbante, uma quase vontade de vomitar, perante o que é um espectáculo de mediocridade, mesmo  de pimbalhice no que respeita à generalidade dos serviços de informação dos órgãos de comunicação social.

Em tempos propícios a equívocos, vale a pena lembrar que a cidadania é um conceito fundamental que a civilização foi construindo desde os primeiros agregados urbanos, já lá vão mais de sete mil anos.