Editorial

Todos os dias se faz festa a propósito de novidades que nos vão desactualizando, isolando e excluindo dos amanhãs, se não entrarmos no frenesim dos bytes na ponta dos dedos. Festa é festa e quem não entra no ritmo que se amanhe, porque não há tempo a perder.

É duro ver passar o tempo sobre esta terra, secando-lhe os últimos sinais de vida, sem que se sinta, ao menos, o abanão da revolta antes do último suspiro.
Há dois milénios que se alimenta a esperança, anunciada por estrela fulgurante sobre Belém, de que novos tempos reconduziriam a criação às portas do paraíso, desígnio último de um Deus afinal misericordioso, compassivo, salvador. Foi o primeiro Natal.

Depois de arrasadora tempestade vêm sempre tempos de bonança, é o que clama sem cessar o lugar comum, com o fito de tranquilizar as vítimas de todas as desgraças que o tempo nos reserva.

Que os protagonistas da política se revelam, muitas vezes, uma grande seca, sabemos de ciência certa nós, os cidadãos, que dificilmente nos cruzámos nesta triste vida com personalidades luminosas, mobilizadoras do alargamento de horizontes ou da construção de alternativas ao marasmo, à preguiça,

Há uma sabedoria meio racional, meio intuitiva, que aflora nos quotidianos desta vida, expressa em ditos, aforismos e provérbios, com proveito para lidarmos com a economia, a relação social e, claro, a política.

Tempos houve em que havia professores com estatuto de escravos, naturalmente numa condição diferente da escravatura pura e dura dos serviçais ou dos remadores das galés romanas.

Uma aura romântica, por vezes autêntica mitologia, envolve figuras históricas que se constituíram como referências sentimentais para gerações inteiras de intelectuais quando jovens, ou mesmo numa adultez inquieta, geralmente identificados com propostas de ruptura nas sociedades em que viveram.

A Norcaça, Norpesca e Norcastanha decorreu no último fim-de-semana. A caça e a pesca têm sido apresentadas como recursos económicos da região, tendo em conta a sua qualidade e potencial de atracção para um turismo de bolso confortável.

Às vezes dá-nos vontade de proclamar, aos gritos, pois claro, que a única solução para o desprezo a que nos tem votado o poder central lisboeta é tornarmo-nos independentes. Geralmente acrescentamos que seria bem melhor se fossemos espanhóis.

Salazar chegou ao poder cavalgando o medo da desordem, da incúria, da corrupção e do correlativo desastre orçamental, aparecendo como salvador da honra e garante da dignidade do país a que impôs, com a conivência de interesses político-económicos retrógrados, décadas de apagada e vil tristeza.

Ontem acordámos em Bragança com cinza a cair-nos sobre a cabeça, um céu cor de brasas mortiças, o ar tomado por um fumo de lume gasto, que nos fazia respirar como nos arrabaldes do inferno.