Editorial

A Norcaça, Norpesca e Norcastanha decorreu no último fim-de-semana. A caça e a pesca têm sido apresentadas como recursos económicos da região, tendo em conta a sua qualidade e potencial de atracção para um turismo de bolso confortável.

Às vezes dá-nos vontade de proclamar, aos gritos, pois claro, que a única solução para o desprezo a que nos tem votado o poder central lisboeta é tornarmo-nos independentes. Geralmente acrescentamos que seria bem melhor se fossemos espanhóis.

Salazar chegou ao poder cavalgando o medo da desordem, da incúria, da corrupção e do correlativo desastre orçamental, aparecendo como salvador da honra e garante da dignidade do país a que impôs, com a conivência de interesses político-económicos retrógrados, décadas de apagada e vil tristeza.

Ontem acordámos em Bragança com cinza a cair-nos sobre a cabeça, um céu cor de brasas mortiças, o ar tomado por um fumo de lume gasto, que nos fazia respirar como nos arrabaldes do inferno.

Um balde de água gélida deixou pingados os entusiasmos que querem fazer crer que o país vive tempos de celebração do sistema educativo.

Apesar da sensação de que a política se vai reduzindo a uma trama urdida à revelia, senão mesmo nas costas do povo, de vez em quando a força da democracia irrompe, sísmica, provocando abanões que nos acordam para a inefável convicção de que a vontade dos cidadãos é factor decisivo no percurso das

As campanhas políticas já eram alegres, ao que parece, nos tempos idos em que Eça de Queiroz se dedicava ao jornalismo, no século XIX, quando o país fazia que andava, mas não andava na senda do progresso.

Com a pré-campanha a terminar, houve nova corrida, nova viagem dos responsáveis dos partidos maiores, por enquanto, pelas terras do distrito.

Tempos estranhos são os que vivemos. Os sistemas democráticos parecem destinados a segregar venenos que podem matá-los em breve, quando esperávamos que o mundo estivesse à beira de fazer a festa da liberdade, da fraternidade, da igualdade de todas as diferenças, mas também da solidariedade, porque o que vier a acontecer dirá respeito a todos.

Em fim de férias, quando a maralha tuga serpenteia pelas autoestradas maravilha, tejadilhos pejados de malas e embrulhos, ocupando de forma displicente as faixas centrais, com o pára-brisas de trás tapado por roupa e sacaria, a RTP transmitiu a gala da versão do passatempo 7 Maravilhas, desta vez dedicado às aldeias do velho rectângulo. 

Veio, finalmente, a chuva, qual bênção a refrescar-nos do fogo já quotidiano, desde o fim da Primavera.

Num país a arder, observa-se uma sequência estranha de decisões dos responsáveis da governação, que nos leva a considerar que quem manda, afinal não pode ou, pior, não quer que as coisas mudem, apesar da simplicidade das decisões que inverteriam uma situação que está a tornar-se uma normalidade i