A propósito do início das aulas – A Escola e o Xadrez
Os estudos científicos sobre o impacto do xadrez no ambiente escolar são convergentes no sentido de que utilizar o jogo do xadrez para fomentar o pensamento crítico.
O início de mais um ano lectivo está aí com o arranque das aulas e das actividades escolares. O regresso das crianças e dos jovens portugueses às escolas para mais um ano escolar torna o mês de Setembro num mês especial para as famílias, para os professores e para a sociedade, pois é o tempo em que se organizam as vidas sociais e familiares, bem como se estabelecem objectivos e se traçam percursos para o futuro escolar, académico e social de milhares de crianças e jovens.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
Neste contexto importa sublinhar aspectos relevantes para a aprendizagem e para o desenvolvimento cognitivo dos intervenientes no processo ensino/aprendizagem, sendo expectável que o sucesso académico, escolar e social se torne uma realidade ao longo do tempo lectivo e que o futuro seja alicerçado de forma sólida e sustentável e os alunos tenham o necessário sucesso académico e escolar, consubstanciando-se, assim, uma parte essencial daquilo que será o futuro em termos de formação e, consequentemente, em termos profissionais, num mercado de trabalho cada vez mais exigente e mais competitivo, onde os mais bem preparados, terão obviamente as melhores oportunidades laborais, profissionais e sociais.
Os estudos científicos sobre o impacto do xadrez no ambiente escolar são convergentes no sentido de que utilizar o jogo do xadrez para fomentar o pensamento crítico, a capacidade de resolução de problemas complexos e a resiliência emocional diante dos desafios sociais e profissionais, prepara os jovens para as exigências de uma economia baseada nas tecnologias, nas análises de dados e nos mercados globais, conduzindo a impactos positivos na formação dos futuros profissionais das mais diversas áreas.
As "Competências do Século XXI" identificadas pela OCDE (pensamento crítico, resolução de problemas, criatividade, colaboração, perseverança), correspondem amplamente às competências desenvolvidas pelo xadrez.
PUBLICIDADE
Assim, com o intuito de potencializar essas competências, em muitos países o ensino do xadrez nas escolas tem vindo a aumentar de ano para ano, com resultados de elevado sucesso não apenas na transformação desses países em potências de índole intelectual e desportiva, mas também com amplos resultados na melhoria significativa do desempenho dos alunos em matemática e leitura e ainda ao nível do conhecimento e das competências, especialmente nas áreas do pensamento e da comunicação, do raciocínio lógico, da autonomia e da concentração, da tomada de decisão e da capacidade de decidir de maneira reflexiva, da gestão do erro, do respeito pelas regras e do fair-play, com evidente impacto na formação global da criança e do jovem e na sua transformação na pessoa e no cidadão activo, dinâmico e empreendedor que o mundo actual exige.
Muitos são os países que já adoptaram o ensino obrigatório do xadrez nas suas escolas
Com efeito, desde o surgimento nos anos de 1920, da chamada “Escola Soviética de Xadrez”, cuja tradição persiste na Rússia actual, que muitos países como, por exemplo, França, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Índia, Argentina, Cuba, México, Venezuela, Geórgia, Uzbequistão ou Arménia introduziram o xadrez na educação, quer como disciplina curricular, quer como complemento extracurricular ou como projecto educativo.
A Arménia foi o primeiro país a introduzir, em 2011, o xadrez obrigatório no currículo escolar, tendo o governo arménio determinado que todas as crianças com mais de seis anos terão aulas obrigatórias de xadrez nas escolas, com um investimento anual de mais de 1,5 milhões de dólares.
Em 15 de Março de2012 o Parlamento Europeu aprovou uma declaração denominada “Xadrez na Escola”, incentivando a introdução do xadrez nos sistemas educacionais dos Estados-membros. Esta declaração reconhece oficialmente que o xadrez é uma ferramenta pedagógica acessível, não discriminatória e benéfica para o desenvolvimento dos alunos.
PUBLICIDADE
Em Espanha o Parlamento votou, em 2015, a introdução do xadrez no tempo escolar. Várias regiões, como a Catalunha e a Andaluzia, desenvolveram programas com resultados muito positivos na diminuição do abandono escolar.
Na Alemanha projeto "Schach statt Mathe" (Xadrez em vez de matemática) implementado em Hamburgo, mostrou que substituir uma hora de matemática por uma hora de xadrez melhora significativamente os resultados em matemática.
Em 2021 o Uzbequistão implementou o projecto “Xadrez na Escola”, disponibilizando centenas de milhares de dólares para equipar as escolas com tabuleiros, relógios de xadrez e materiais didácticos.
Na Índia o estado de Tamil Nadu tornou o xadrez obrigatório nas escolas públicas, com um programa que visa formar 100 milhões de jovens jogadores de xadrez até 2030.
Em França, em 1985, o Ministério da Educação Nacional e a Federação Francesa de Xadrez (FFE), reconheceram o interesse pedagógico do jogo e em 2012 ministro Vincent Peillon publica uma circular incentivando a prática do xadrez na escola, destacando os benefícios na aprendizagem fundamental. Em 2015 o xadrez é integrado ao plano digital para a educação, com recursos online dedicados aos professores e em 2023 o ministério reafirma seu apoio ao xadrez escolar com o objectivo de criar um clube de xadrez em cada escola francesa até 2030.
PUBLICIDADE
E em Portugal?
Em Portugal, longe vai o tempo em que, nos anos oitenta, a então DGD divulgou o xadrez, distribuindo tabuleiros e jogos de xadrez pelos estabelecimentos de ensino e pelos clubes…
Mas, a realidade actual é que o xadrez nas nossas escolas assenta timidamente no desporto escolar, não havendo qualquer plano oficial para a implementação global do ensino obrigatório do xadrez nas escolas públicas portuguesas, ficando-se, assim, longe dos desígnios da declaração aprovada em 2012 pelo Parlamento Europeu.
No entanto, há alguns bons exemplos do ensino do xadrez quer em escolas públicas, quer em colégios privados um pouco por todo o país. Aponto, entre outros, os casos dos Agrupamentos de Escolas João de Meira (Guimarães) e D. Filipa de Lencastre (Lisboa), do Colégio Português (Aveiro) e do Colégio Efanor (Matosinhos) onde, fruto dos planos de ensino do xadrez desenvolvidos, começam a surgir muitos jovens estudantes que são já creditados xadrezistas, como é o caso da jovem estudante de medicina Filipa Pipiras, que aos 20 anos se tornou na primeira Grande Mestre feminina portuguesa, ou dos jovens de 14 anos Maksym Faryma, que em Julho se tornou Mestre FIDE e Vasco Capitão Ferreira que, neste mês de Setembro, se tornou Mestre Nacional.
A Federação Internacional de Xadrez (FIDE) celebra o ano de 2026 como o Ano do Xadrez na Educação!
PUBLICIDADE








