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Políticos (Modo de usar)

Homens de verve fácil, de argumento pronto, de cultura focalizada em temas actuais, sem grandes reservas em socorrer-se da demagogia ou da confusão (“se não podes convencê-los, confunde-os” dizia Truman) são estes os Homens que governam o Mundo. O facto de serem os Eleitos faz com que se sintam catapultados para patamares subidos de literacia que Clemenceau desmistificou quando se referia a Poincaré: “ele sabe tudo. Mas a partir daí não sabe mais nada.” Essa postura de quem pretensamente domina todos os “dossiers” empresta-lhes uma arrogância que não é compatível com qualquer limitação à acção governativa. É aqui que entra o legislador, conhecedor do “factor humano”, impondo limites, balizando assim o âmbito de acção dos políticos quer por meio das auto-regulações quer pela criação de mecanismos-travão.
Os políticos suportam mal isto. Todos nos lembramos das manifestações de rejeição com que os autarcas receberam a lei que impunha a obrigatoriedade dos Planos Directores Municipais porque estes balizavam a discricionariedade do autarca. Assim como o Visto do Tribunal de Contas faz confusão aos autarcas e também ao Governo Central. Mas o Tribunal Constitucional é o órgão que mais vezes pôs a pensar os Governos que legislaram em roda livre. Todos estamos recordados que foi o Tribunal Constitucional que impediu o esbulho com que Passos Coelho queria brindar a Função Pública. “Deixem-nos Trabalhar”, “forças de bloqueio” foram gritos contra o Tribunal num misto de insulto e de vitimização. Não tinham razão. O tempo provou que podiam governar com aquela “força de bloqueio”.
Mas quem leva a palma em insultos é o antecessor do Tribunal Constitucional,o Conselho da Revolução. Insultado por vários sectores, acusado de comunista, o Conselho da Revolução fez um belíssimo papel. Deixou que o país acertasse o azimute com a vontade do povo, mas com regras, paulatinamente. O país não pode andar de cá para lá, feito barata tonta, ao sabor de maiorias escassas e conjunturais. Mas os políticos tinham mais pressa. Por isso é que acontecem Brexits.(Vale a pena fazer um parêntesis para falar de Brexit como aquilo que não pode acontecer a um país. E estou à vontade para falar porque, para mim, eles(ingleses) estão bem onde estão e nunca deviam ter entrado na Comunidade. Aqui faço um aplauso a De Gaulle. A Comunidade Europeia, como qualquer comunidade, é para quem se sente lá bem, para quem entende que o conjunto pode trazer sinergias e não para quem esteve permanentemente com um pé dentro e outro fora sempre minando a coesão do conjunto.
Atente-se neste exemplo que caricatura a postura de Inglaterra face à Europa Continental. Quando foi inaugurado o túnel sob a Mancha as manchetes dos jornais londrinos diziam: “até que enfim a Europa deixa de estar isolada”. Bonito! Com gente desta temos de nos sentir desconfortáveis. Mas seja como for eles votaram em referendo e a saída venceu. Por muito que eu tivesse gostado deste abandono não posso concordar com a forma como foi feito. Tinha que haver um mecanismo-travão ou a exigência de uma maioria qualificada. A saída da Comunidade traz implicações marcantes na orgânica inglesa e até na comunitária. Implicações demasiado importantes para estarem dependentes de uma maioria escassa e conseguida num fim de semana em que se votou mais com o coração que com a razão).

Vemos assim o caracter absolutamente indispensável de mecanismos de regulação de poderes, de regulação da própria democracia sob pena de vermos esta transformar-se em ditadura da maioria. E àqueles que já alguma vez discordaram em absoluto das posições desses órgãos de contra poder e acham que a sua existência é perfeitamente dispensável eu convido a um exercício de análise quase abstrato. Abstrato porque não se passando cá conseguimos analisar desapaixonadamente. Vejamos: desde que Trump chegou à Casa Branca tem legislado a torto e a direito, imprimindo em tudo um cunho de retrocesso civilizacional. A nossa reacção é de ansiedade, e não é diretamente connosco, esperando que o Senado, o Congresso, uma providência cautelar ou um qualquer juiz trave esta fúria legislativa. É ao ver a falta que fazem, nos outros, esses mecanismos de contra poder que nos devemos congratular por sempre os termos tido e funcionais.

“Por vezes o barco toma porto à porta do seu dono”.

VINTE E UMA DÉCIMA

Jorge Sampaio cunhou a expressão “Há mais vida para além do déficit” que muitos viriam a repetir e a brandir, sempre que tal lhes convinha. Em coerência não podem agora vir reclamar louros, hossanas e louvores para a obtenção do resultado recordista de um déficit de dois vírgula um por cento do Produto Interno Bruto.
De igual forma aqueles que fizeram do controlo orçamental o leitmotiv de todo um ideário político e programa de ação governativa, não podem agora desvalorizar o notável feito que o atual governo obteve para as contas públicas no ano de 2016. Alegam os detratores da ação do atual Ministro das Finanças e outros opinadores independentes que o resultado foi obtido com recurso a ações extraordinárias únicas e irrepetíveis. Quanto aos independentes pode aceitar-se este argumento desde que no passado o tivessem igualmente brandido. Porque esse é que é o cerne da questão. Por um lado há já vários anos que estamos habituados a ver todos os governos a incluirem nas suas atuações pro-ativas ações extraordinárias de forma a amenizar os índices financeiros. É certo que desde a entrada do nosso país no clube do Euro todos os executivos nacionais têm dedicado especial atenção a esse indicador de tal forma que acabou por entrar no léxico popular vulgarizando a sua utilização e compreensão. Mas nenhum deles o promoveu a objetivo primeiro e primordial, subordinando toda a restante política económica à obtenção desse desiderato, como o vigésimo liderado por Pedro Passos Coelho. Não pode, ninguém que a ele tenha pertencido ou ativamente o tenha suportado e apoiado, vir agora menorizar a obtenção do valor em causa. E se o argumento que cifra tem o valor que tem, não é, genericamente, aceitável por causa de ações excecionais dado o histórico referido, muito menos o será para quem tudo sacrificou, incluindo o crescimento económico, o emprego, o investimento, as pensões, os salários e tantas outras malfeitorias, no altar do indicador imposto pelo Ministro da Finanças alemão, através da União Europeia de do Eurogrupo liderado por um holandês sobejamente conhecido. Mas não só. Ao reclamarem que a façanha de Mário Centeno se fez com suporte em eventos não re-editáveis estão a confessar que todas as ações levadas a cabo pelo anterior Governo, afinal não eram provisórias e temporárias mas seriam para repetir e continuar. Para que, como argumentam agora, os níveis do déficit fossem sustentáveis, caso se mantivessem no poder, manteriam os cortes nos salários e nas pensões e o Estado continuaria a deixar de se comportar como uma entidade de bem no cumprimento das suas obrigações e compromissos para com os cidadãos, sempre que “fosse necessário”.
Definitivamente, não é entendível, nem sequer razoável ver o grupo que deificou o controlo orçamental desvalorizar e menorizar o fabuloso resultado atingido este ano, nesse campo. O natural e razoável seria um aplauso generoso, um elogio rasgado à atuação ministerial, eventualmente acompanhados de uma glorificação adicional do objetivo primeiro defendido anteriormente. Ganharia credibilidade e valorizaria, mesmo que retroativamente, a direção e o rumo que em 2011 definiu e traçou para o nosso país. Não pensam assim os estrategas social-democratas. As próximas eleições revelarão se têm ou não razão.

Lazarinas, as laranjas de S. Lázaro

Ter, 04/04/2017 - 10:44


Olá familiazinha! Chegámos ao quarto mês do ano. No passado domingo estivemos, pela quarta vez consecutiva, em directo de Argozelo, na Feira da Rosquilha, numa edição especial de domingão, com a participação da Família do Tio João. Para a semana estaremos na Feira do Pão, em Caçarelhos (Vimioso), continuando assim a promover os eventos das nossas terras.
No domingo foi também o dia de S. Lázaro, que é sempre o segundo domingo antes da Páscoa: “Domingo de Lázaro, Domingo de Ramos e na Páscoa estamos!”. Como em Bragança há a tradição de festejar o S. Lázaro na sua capela, vamos dedicar este número ao S. Lázaro e tentar saber o porquê das lazarinas, que são as laranjas de S. Lázaro, numa conversa com Isidro José Afonso, o responsável da obra de S. Lázaro. Recolhemos também algumas orações dedicadas a este santo, que queremos partilhar aqui convosco.
No mês de Abril que agora entrou, segundo o “Seringador”, deve semear-se milho nas terras secas, feijão rasteiro, abóbora, couve-galega, espinafres, ervilhas, melancia, melão, nabiças, pepino e rabanete. Deve plantar-se alface, batata, cebola, couves, pimentos e tomates. Devem colher-se ou apanhar maçãs, laranjas, tangerinas e limões. Outros trabalhos a não esquecer são o início das mondas e o sachar dos campos semeados no mês de Março. Semeia-se o milho e plantam-se as batatas em terras mais secas. Nas terras mais fundas, só no fim do mês; tosquiar as ovelhas no minguante da lua; defender a horta dos ataques dos insectos e das lesmas com pesticidas apropriados.

 

Direcção da ACB demitiu-se e deixa clubes apreensivos

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Qui, 30/03/2017 - 15:44


A direcção da Associação de Ciclismo e Cicloturismo de Bragança demitiu-se. Rui Sousa, eleito para o cargo de presidente em Dezembro passado, deixou a ACB queixando-se da falta de tolerância e compreensão dos clubes.