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Diogo Aleixo

Eurofederalista e Liberal Social, membro da Iniciativa Liberal Bragança e comentador no programa Parlamento Jovem da Rádio Brigantia

O Jardim Liberal

Reflexo de ideais no dia-a-dia

02 out. 2026, 05:00

Jardin du Luxembourg, Paris

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Parece um conceito moderno, alguns dirão até, depriciativamente, modernaço, mas já tem mais de um século. Ao entrar em vários espaços verdes de Paris, depara-se com uma série de cadeiras verdes espalhadas pelo recinto, contrastando visualmente com a ordem do jardim de estilo francês.

Aos olhos habituados às decisões tecnocráticas que definem os nossos espaços públicos será natural o reflexo de tentar entender uma qualquer ordem escondida. "De certo as cadeiras estarão orientadas por alguma regra críptica que se revela apenas aos entendidos." Mas não.

Neste jardim, as cadeiras não seguem uma ordem superior, ninguém tentou prever a sua utilização, que grupos se formariam ou se as pessoas preferem mais a sombra ou os raios de sol. As cadeiras não estão pregadas ao chão, quem nelas se quiser sentar pode movê-las para onde quiser, sentar-se como quiser e com quem quiser.

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Estes, são jardins liberais. Jardins em que a unidade é o assento para um, mas onde só está só quem o assim preferir. Onde as pessoas se juntam e organizam como bem entenderem. Aqui a liberdade individual é o ponto primeiro da definição do espaço.

É importante ver que este jardim não é um matagal ou um espaço privado reservado a uma elite ou com bilheteira à entrada. A liberdade que aqui se sente não é fruto da simples ausência de impedimentos do Estado, mas sim fruto das condições por ele criado. As pessoas não trazem a sua cadeira de casa e quem não tem dinheiro para ela não tem que se sentar no chão. Mas também não é fruto de um Estado que na má tradição marxista pensa ter uma bola de cristal e ser capaz de microgerir a sociedade.

O equilibro na procura das duas liberdades, negativa e positiva, consegue-se na boa tradição do liberalismo social que muita falta nos faz em Portugal, país que parece estar sempre ansioso por quem lhe diga exatamente onde e como sentar. Alguns verão o caos das cadeiras espalhadas aleatoriamente, afligir-lhes-á uma certa falta de ordem. Outros verão no caos a liberdade de todos e cada um.

Pode parecer rebuscada a analogia que acompanha este artigo. "São cadeiras, não é assim tão complexo", poder-se-á dizer. Mas é importante que a política não acabe sempre em discursos abstratos, mas que seja capaz também de criar ideais, até sobre as coisas mais mundanas, sonhos que atravessem toda a sociedade e, até, um simples jardim.

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