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Editorial

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Há 102 anos o mundo resvalou para o festival de sangue porque a displicência de alguns poderosos da velha Europa, dados a festas e cerimoniais, não distinguiram uma mesa de bridge dos campos de batalha e se perderam a beber champanhe, enquanto ouviam relatórios de serviços secretos, também eles i

Nas sociedades consideradas exemplos de prosperidade multiplicam-se organismos de promoção de um dos principais desígnios da civilização: a solidariedade, a preocupação com o próximo, na terminologia cristã.

A idade do ferro é um período do catálogo da historiografia, um instrumento conceptual, útil para entendermos algumas das mudanças que se processaram na civilização desde há pouco mais de três milénios.

Aos 90 anos partiu Fidel Castro para a aventura, última quanto sabemos, da eternidade, o tudo ou nada da existência de cada um de nós.
Marcou mais de seis décadas da história recente, um perfil de profeta, com barba e tudo, a prometer, como sempre fazem os profetas, a salvação para lá do horizonte e a justiça implacável para os incréus, que seriam comidos pelas pragas que ele próprio lançava da sua praça em Havana.
 

Foram décadas a estiolar num país de misérias, reais e dolorosas, quando se sentia que havia tempo, ainda, para tentarmos erguer-nos de um destino que não procurámos, mesmo se a lassidão nos comeu as raízes, derramando a seiva sobre a inutilidade.

Primeiro o espanto. Depois o choro e ranger de dentes, os suspiros de desânimo. Este é o retrato das criaturas desesperadas, que sempre recusaram ver o outro lado do espelho.
Foi o referendo na velha Inglaterra, agora as eleições na América, com a França a desaferrolhar a porta.

A menos de um ano das eleições autárquicas, os municípios do distrito de Bragança continuam, na generalidade, a viver numa estranhamente tranquila paz do senhor, sem que se vejam surgir candidaturas capazes de animar a participação política dos cidadãos.

Pregar no deserto foi sorte que acompanhou profetas, nesta nossa civilização, longos milénios hesitante entre semear a solidariedade ou, pelo contrário, manter a selva predatória, sempre com renovadas ameaças, a ressurgir do sangue derramado na disputa de míseras migalhas do tempo.

Os líderes políticos do nordeste transmontano não têm demonstrado poder atingir condição que nos obrigue a reconhecê-los como valorosos combatentes pelos interesses da região. Não se lhes sente coragem, nem ousadia e mesmo a dedicação à causa do nosso futuro deixa muito a desejar.

Aparentemente o país está farto das nossas lamúrias, cansado da nossa pieguice, incomodado com as inconveniências que perturbam a suave leveza dos dias, sem sintomas agudos dos males que nos roem a vida.

Cento e seis anos depois do golpe republicano o ex-presidente da Fundação da Casa Real de Bragança, agora eleito primeiro magistrado da nação, festejou, entre o povo, mais uma obra grandiosa na margem direita do estuário do Tejo, cartão de visita da capital desde os tempos da Torre de Belém.

Enquanto o outono quase se abafa com um verão pândego, que não parece querer deixar a festa por mãos alheias, o idílio político entre as esquerdas portuguesas vai durando, remansoso, com meia dúzia de embirrações, aparentemente por questões de somenos, só para dar alguma cor a um fresco que não t