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Editorial

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Há menos de trinta anos lamentava-se, por estas terras, a condição de centenas ou milhares de crianças e jovens que tinham que percorrer quilómetros a pé, até às estradas nacionais, para apanhar autocarros madrugadores que os levavam às sedes de concelho, para aí frequentarem as escolas preparató

Uma das razões determinantes do estado a que se chegou no nordeste transmontano é a divisão que tem campeado, décadas sucessivas, entre os protagonistas da política local, com reflexos inegáveis nas decisões nacionais.

Um jornal que sai à terça não pode alhear-se do carnaval, abanão milenar na ordem social que, em cada tempo, vai enquadrando as sociedades.

Anunciada a enésima reviravolta no funcionamento do sistema educativo, retomando a lenga-lenga da auto-aprendizagem e do império do prazer na escola, resta-nos abanar a cabeça, respirar fundo e esperar que o bom senso ainda encontre tempo e espaço no nosso futuro e, especialmente, no das próximas

Entre as aplicações do materialismo dialéctico, com resultados úteis na observação da realidade, encontramos o modelo de análise do processo de interacção entre a superestrutura político-ideológica e a realidade profunda, resistente à mudança, mas sempre em transformação imperceptível, que design

É tão honorável fazer política nos altos estratos como na comunidade que nos viu nascer, assim como, em ambos os casos, pode ser deplorável. Depende da integridade dos protagonistas ou da falta dela.

Campeão da popularidade, Marcelo não esmorece no seu entusiasmo de bater todos os recordes, mesmo quando vai crescendo o número de cépticos que esperam confirmar, a qualquer momento, o rebentar da bolha da fama presidencial.

As boas almas já tinham relegado o demo para o lugar sórdido em que o mal se debateria com a sua própria nulidade, convencidas que, com o tempo lá iríamos, até ao novo Eden, onde a brutalidade não passaria de memória, suavizada pelas conquistas da inteligência e da sensibilidade.

Um sorriso quase empolgado aflorou-nos ao rosto quando foi divulgada a informação de que a maternidade de Bragança viu nascer, no ano findo, mais 22 crianças do que em 2015, tal é a vontade de acreditar que ainda é possível inverter a tendência demográfica e celebrar primaveras de novíssimas vida

O país está a viver o cerimonial do passamento de Mário Soares, figura que certamente, nos próximos séculos, terá lugar na história de Portugal, da Europa e do mundo.

As mudanças de ano, neste calendário do papa Gregório, são sempre marcadas por votos pios de prosperidade e felicidade, conceitos difusos que servem para que qualquer pobre de Cristo sinta um frémito fugaz de optimismo, para logo voltar à dolorosa via do absurdo, que Camus ou Kafka trouxeram, acutilante, à superfície do nosso quotidiano.
 

Bem pode Francisco apelar às lágrimas por Alepo e pelos milhões de deslocados, por cima de mais um Natal de luzes cintilantes, mesas fartas e planos para festarolas de fim de ano, que o mundo continuará no seu ritmo de desgraças, sem contemplações por piedosos lamentos ou simples alívios de consciência.