Há uma solidariedade que nos leva a olhar para o resto do país, a leste, faixa inteira até ao interior serrano do reino do Algarve, para dar razão ao aforismo de que mal de muitos é alívio.
Editorial
Sexta-feira, ao entardecer, sol festeiro em Bragança, deputados em traje casual, já com ar de enfado, depois de algumas horas no distrito do extremo Nordeste, trinta léguas a deslado da urbe que voltou aos sonhos do mundo, como há quinhentos anos.
O fim-de-semana foi quase trágico na região, com dois episódios potencialmente mortíferos, que podiam ter contribuído para agravar o distanciamento com que somos olhados pelo resto do país.
Houve festa de três dias por esse país fora. Enquanto muitos terão sentido as almas radiosas, com o “upgrade” no catálogo de santidades, outros terão deixado referver as vísceras numa marinada de cerveja, amendoins e batatas fritas gordurosas,
A relação dos responsáveis políticos do país com o interior não tem dado mostras de mudança, apesar de intermitentes foguetórios, que anunciam, uma e outra vez, o ritual da penitência pelos males que nos têm sido infligidos, a que anexam promessas d
Em 1971 o país vivia entre a esperança e o desânimo, enquanto pelo resto do lado ocidental do mundo se fazia a festa de todas as liberdades, apesar da cortina de ferro, do muro de Berlim, do cerco a Israel, da guerra do Vietnam e das ditaduras na América Latina e do toca e foge, irritante, um pou
De uma voragem avassaladora cremos ter encontrado refúgio na França, no domingo, ao cair do sol, com promessa de noite de esperança festiva, provavelmente de alegria sem freio, como se, mais uma vez, a madrugada já não escondesse ameaças ao futuro.
Semana da Páscoa, filas intermináveis de automóveis serpenteiam pela novíssima rede de auto-estradas, especialmente acima do Tejo, nos sentidos do quadrante norte.
Para os católicos a semana da paixão é o culminar do tempo de penitência, aparentemente de renovação, para uma festa que esperam se perpetue até às portas do gozo eterno.
Há dias claros, a anunciar o azul da plenitude, que nos fazem olhar para a vida com vontade de futuro e para esta terra com esperança, ainda.
Todos os dias nos damos conta de que o funcionamento das instituições está condicionado por interesses que não são assumidos com a necessária frontalidade, para que todos saibamos as linhas que nos cosem o presente e o futuro.
A renovação anunciada para Bragança, um investimento que atinge 25 milhões de euros, pode ficar prejudicada pela permanência de um verdadeiramente incómodo e despropositado mastodonte na Avenida João da Cruz, a fábrica de moagem que ensombra quase dois terços da extensão da via, no lado poente.
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