OUTUBRO, TEMPO DE COLHEITAS, DE MEMÓRIAS E DE DAR VALOR À VIDA
Chegou outubro, aquele mês em que a natureza começa a mudar de roupa, os dias ficam mais pequenos e as manhãs nos recebem com um fresco que já nos lembra que o verão ficou para trás. É o tempo do cair da folha, das árvores que lentamente se despem, dos caminhos cobertos de amarelo, castanho e vermelho, e das paisagens transmontanas que ganham uma beleza muito própria. Há qualquer coisa de especial neste tempo. Talvez seja a tranquilidade dos campos, talvez seja o cheiro da terra húmida, ou simplesmente aquela sensação de que a vida continua a andar, mesmo quando a natureza parece querer descansar.
O cair da folha tem também uma bonita maneira de nos falar da vida. As árvores deixam cair as folhas, mas não perdem as raízes. Ficam mais despidas, é verdade, mas continuam de pé, à espera de uma nova primavera. Também nós, ao longo da vida, vamos perdendo pessoas, enfrentando dificuldades e atravessando momentos em que parece faltar-nos alguma coisa. Mas são as nossas raízes, a família, as amizades e as recordações que nos ajudam a continuar.
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E é precisamente de pessoas e de histórias de vida que queremos falar nesta primeira edição de outubro.
Nos últimos dias, a vida trouxe-nos duas histórias particularmente dolorosas. A nossa tia Marcelina, mãe de oito filhos, já viu partir três deles. E a nossa tia Albedina, da Fradizela, perdeu agora o último dos três filhos que tinha. Ficou viúva e sem filhos. São duas mães que conhecem uma dor que nenhuma palavra consegue verdadeiramente explicar.
Não é fácil escrever sobre estas situações, muito menos encontrar palavras que possam aliviar tamanha tristeza. Uma mãe nunca deixa de ser mãe, e um filho nunca deixa de fazer parte da sua vida, mesmo quando já não está fisicamente presente. Há ausências que acompanham uma pessoa todos os dias, lugares à mesa que ficam vazios e recordações que chegam sem avisar.
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À tia Marcelina e à tia Albedina queremos deixar uma palavra de carinho e respeito. Não para lhes dizer que sabemos aquilo que sentem, porque ninguém pode medir a dor de outra pessoa, mas para lhes lembrar que não estão esquecidas. A nossa família também se constrói assim: estando presente quando a vida sorri, mas sobretudo quando chegam as lágrimas.
Entretanto, a Família do Tio João continua a crescer, e isso é motivo de grande alegria. Cada vez nos apercebemos melhor de quantas pessoas nos acompanham através da internet, não apenas em Portugal, mas também em diferentes partes do mundo. São portugueses que partiram da sua terra, que construíram a vida longe da família e que encontram na nossa rádio um bocadinho de Portugal, da sua aldeia, da sua língua e das suas recordações.
É bonito perceber que uma emissão feita a partir de Bragança consegue chegar tão longe. Afinal, a distância mede-se em quilómetros, mas a amizade não conhece fronteiras.
E este mês começou com uma notícia muito agradável: já tivemos 14 apresentações de novos elementos à Família do Tio João. São 14 pessoas que chegaram, que quiseram dar-se a conhecer e que passaram a fazer parte desta grande família.
Estamos a caminho dos 37 anos de rádio, uma caminhada feita de muitas vozes, muitas histórias e milhares de momentos que guardamos com carinho. Os tempos mudaram, a tecnologia avançou e hoje podemos estar mais próximos de quem vive longe. Mas aquilo que nos trouxe até aqui continua a ser o mesmo: gostar das pessoas e acreditar que ninguém deve sentir-se sozinho.
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Porque o outono também tem a sua beleza. Está nas folhas que caem, nas cores da paisagem, na tranquilidade das aldeias e nas recordações que cada um guarda dentro de si. E está, sobretudo, na capacidade de continuarmos a encontrar motivos para sorrir, mesmo quando a vida nos pede lágrimas.
Que outubro nos traga saúde, trabalho, paz e esperança. E que nunca nos falte aquilo que verdadeiramente importa: tempo para os outros, uma palavra amiga e um coração capaz de compreender.
Porque as folhas caem, os anos passam, mas as boas amizades, quando são verdadeiras, permanecem enraizadas para sempre.
Nestes últimos dias estiveram de parabéns José Pereira (89), Alfaião (Bragança); Deolinda Pires (87), Vilar Chão (Alfândega da Fé); Rogério Sá (79), Vila Nova (Bragança); Rita Moreira (79), Oleirinhos (Bragança); Luciano Preto (74), Caravela (Bragança); Helena Neves (72), Coelhoso (Bragança); Filomena Areias (70), Lebução (Valpaços); Gracinda Morais (63), Bustelo (Chaves); Teresa Trino (59), Babe (Bragança); Serafim Falcão (56), Caçarelhos (Vimioso); Maria Lopes (55), Podence (Macedo de Cavaleiros); Sílvia Pires (55), Peso (Mogadouro); Fátima Lopes (54), Podence (Macedo de Cavaleiros); Ramiro Jardino (53), Quintas da Seara (Bragança); Cidália Costa (52), Argemil da Raia (Chaves); Francisco Pereira, Chico Mau Feitio (48), Veigas de Quintanilha (Bragança); e Keli Borges (21), de Grijó (Bragança).
A todos, muitos parabéns! Que nunca vos falte saúde, amor e alegria.
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