Uma mulher, uma história, uma vida: Lurdinhas da Farmácia, a nossa madrinha
Depois de uns dias de férias em família, dias que nos fizeram bem e que aproveitámos para descansar, conviver e matar saudades de algumas coisas que durante o ano nem sempre conseguimos fazer, chegou a hora de regressar. E digo-vos com toda a sinceridade: eu estava desejoso de voltar ao nosso programa, às nossas conversas, às vossas vozes e à nossa Família do Tio João. Mas sei também que muitos de vocês já estavam desejosos de me voltar a ouvir. O reencontro aconteceu no sábado, dia 12, e foi muito especial. Só que este regresso ficou marcado por uma enorme tristeza que levo comigo no coração.
No passado dia 9 de setembro faleceu a minha madrinha de batismo, Maria de Lurdes Ribeiro Miranda, a nossa querida madrinha, a quem tantos de vocês conheciam simplesmente por “a madrinha” ou pela Lurdinhas da Farmácia. Tinha 86 anos e deixou uma vida inteira de trabalho, de amizade, de dedicação e de carinho por tantas pessoas.
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A minha madrinha foi durante cerca de 50 anos uma das caras mais conhecidas da Farmácia Confiança, em Bragança. Durante décadas, quem passava pela Avenida João da Cruz conhecia a menina Lurdinhas da farmácia. Era uma daquelas pessoas que faziam parte da vida da cidade, tal como o saudoso tio Ramiro, do Café Lisboa. Gente que não precisava de apresentações, porque o povo conhecia, cumprimentava e estimava.
Mas para mim, a Lurdinhas da farmácia foi muito mais do que isso. Foi a minha madrinha. Foi uma pessoa que esteve presente na minha vida desde que me lembro de ser gente. Fui criado em casa dos meus avós paternos e a casa da minha madrinha ficava mesmo em frente. Por isso, entre uma casa e outra, cresci com ela sempre por perto. Ainda hoje me lembro de ter sido na casa da minha madrinha que vi televisão pela primeira vez. São pequenas coisas que parecem simples, mas que ficam para toda a vida.
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Também guardo na memória os dias de festa. No Natal, na Páscoa, no meu aniversário, lá aparecia a minha madrinha com o seu presente. E, muitas vezes, em vez do tradicional pacote de amêndoas ou de bolachas que outros afilhados recebiam, vinha uma nota que, para mim, naquele tempo, parecia uma fortuna. Os meus amigos ficavam de olhos arregalados e eu, claro, todo contente. Hoje, olhando para trás, percebo que o verdadeiro presente não estava naquela nota. Estava no carinho com que ela me dava.
A vida foi passando e, há cerca de 11 anos, a minha madrinha passou a viver comigo. Foi uma decisão tomada com naturalidade, porque ela já precisava de companhia e de cuidados e eu senti que era a minha vez de retribuir um pouco de tudo aquilo que ela me tinha dado ao longo da vida. Durante estes cerca de 11 anos, fez parte da minha casa, da minha família e dos meus dias. Nos últimos dois anos, já muito debilitada e praticamente acamada, os cuidados foram maiores, mas também aí estivemos juntos, dia após dia.
Por isso, a sua partida deixa um vazio muito grande. Não é apenas a perda de uma madrinha. É a perda de uma pessoa que esteve comigo desde a infância, que conhecia a minha vida, que fez parte da minha história e que, durante tantos anos, fez parte também da nossa Família do Tio João.
Quero agradecer, do fundo do coração, a todos aqueles que nestes dias estiveram connosco. Aos que estiveram presentes fisicamente, aos que nos telefonaram, aos que enviaram mensagens, aos que manifestaram o seu carinho de tantas maneiras e também a todos os que, através do programa, fizeram questão de me transmitir uma palavra amiga. Sei que muitos de vocês também sentem esta perda, porque a madrinha era vossa conhecida, vossa amiga e, para muitos, uma pessoa muito querida.
Minha querida madrinha Maria de Lurdes Ribeiro Miranda, obrigado por tudo o que me deste, por tudo o que fizeste por mim e, acima de tudo, pelo amor e pelo carinho que sempre tiveste comigo.
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Descansa em paz. Ficarás para sempre no meu coração e na memória de todos aqueles que tiveram a felicidade de te conhecer.
Nos últimos dias estiveram de parabéns: Leonor Cruz (82) Souto da Velha (Torre de Moncorvo); Manuel Preto (82) Alfaião (Bragança); Felicíssima Rodrigues (72) Valverde (Bragança); Manuel Chaves (71) Couto de Ervededo (Chaves); José Manuel Casado (67) Bemposta (Mogadouro); Domingos Castro (64) Seara Velha (Chaves); José Manel (58) Valverde (Bragança); Emília Preto (53) Alfaião (Bragança); Lurdes Loureiro (53) Grijó de Parada; os gémeos Mónica e Miguel Ferreira (45) Genísio (Miranda do Douro); Duarte Alves (45) Prado Gatão (Miranda do Douro); Ricardina Castro (33) Sendim; Elisa Vara (26) Vale Frades (Vimioso); Mariana Lisboa (23) Coelhoso (Bragança). A todos muitos parabéns e mais anos de vida.
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