15 de Agosto: O Dia em que o Nordeste se Veste de Festa

Agosto é, por tradição, o grande mês das festas, romarias e reencontros nas nossas terras. Há casamentos, batizados, convívios e celebrações quase todos os dias, mas o 15 de Agosto continua a ocupar um lugar muito especial no calendário. Este ano teve ainda uma particularidade: calhou num sábado e coincidiu com o terceiro fim de semana de agosto. Sendo feriado nacional e Dia Santo de Guarda, dedicado à Assunção de Nossa Senhora, estavam reunidos todos os ingredientes para aquele que voltou a ser um dos maiores dias de festa do ano.

18 ago. 2026, 13:00

E assim aconteceu. Por todo o Nordeste Transmontano, milhares de pessoas regressaram às suas terras, participaram nas celebrações religiosas, acompanharam procissões e aproveitaram o dia para reencontrar familiares e amigos.

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Nossa Senhora do sardão, em procissão a sair da igreja de Santa Maria do castelo Bragança

A devoção a Nossa Senhora da Assunção voltou a estar presente em muitas localidades. Em Vilas Boas, no concelho de Vila Flor, realizou-se uma das maiores romarias do Nordeste. No concelho de Bragança houve festa em Samil, Carocedo, Pinela, Izeda, Quintas do Vilar, Carragosa, Serapicos e Deilão. Também Caçarelhos e Vale de Frades, no concelho de Vimioso, Talhinhas, em Macedo de Cavaleiros, Brunhosinho, em Mogadouro, a vila de Vinhais e a aldeia de Cidões, também em Vinhais, celebraram este dia tão importante.

Mas nem todas as festas de 15 de Agosto tiveram como invocação Nossa Senhora da Assunção. Em Nogueira, Bragança, celebrou-se Nossa Senhora da Cabeça e, em Algoso, no concelho de Vimioso, Nossa Senhora do Castelo. Na cidade de Bragança, junto ao castelo, voltou a celebrar-se Nossa Senhora do Sardão, cuja devoção se encontra há alguns anos integrada na Festa da História. A procissão ganha aí uma imagem muito particular, com a participação dos figurantes trajados a rigor, juntando devoção religiosa e recriação histórica.

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E falar da Senhora do Sardão é recordar uma das lendas mais bonitas da tradição popular brigantina.

Conta-se que, há muitos e muitos anos, quando foi construída a igreja de Santa Maria, a cidadela de Bragança sofria frequentes invasões dos mouros. Com receio de que a imagem de Nossa Senhora fosse roubada ou destruída, o povo resolveu escondê-la no tronco de um sardão, num sardoal existente nas proximidades do castelo.

O tempo passou. As pessoas que conheciam o segredo foram morrendo e a imagem permaneceu esquecida naquele esconderijo.

Até que, certo dia, um pastor que guardava o seu rebanho viu, ao anoitecer, duas pequenas luzes a brilhar à distância. Assustado e intrigado, foi chamar outras pessoas. Todos seguiram na direção das misteriosas luzinhas e acabaram por descobrir Nossa Senhora escondida no tronco do sardão.

A tradição popular diz que aquelas duas luzes eram os olhos de Nossa Senhora. Depois da descoberta, organizou-se uma grande procissão e a imagem foi transportada solenemente para a igreja de Santa Maria, dentro das muralhas do castelo.

Também Remondes, no concelho de Mogadouro, voltou a viver no dia 15 a festa de Santa Sinforosa, celebrada na sua capela. E aqui existe outra memória que merece ser preservada.

Há alguns anos, o saudoso tio Daniel Pereira, de Remondes, contou-nos que a devoção a Santa Sinforosa esteve profundamente ligada aos pastores e cabreiros. Na manhã da festa, estes levavam os seus rebanhos até junto da capela. Depois esperavam para ver qual seria o animal “escolhido pela santa”.

Aquele que entrasse na capela ou que ficasse mais próximo dela era considerado o escolhido. Posteriormente, o animal era rematado e o dinheiro obtido revertia a favor da santa. Era um momento esperado com enorme curiosidade pela população, que observava atentamente o comportamento dos animais. Por vezes, a escolha demorava e aumentava ainda mais a expectativa entre quem assistia.

Esta antiga tradição dos pastores já não se cumpre, mas a festa de Santa Sinforosa continua rija em Remondes, mantendo viva uma devoção transmitida através das gerações.

E o sábado de 15 de agosto não se fez apenas de missas, procissões e romarias. Em muitas localidades realizaram-se os tradicionais almoços-convívio, juntando famílias, vizinhos, amigos e muitos emigrantes que nesta altura regressam às suas aldeias. Em várias dessas mesas houve uma rainha que não precisou de coroa: a sardinha assada.


Nos últimos dias estiveram de parabéns: Felisbina (99) Constantim (Miranda do Douro); Marieta Martins (91) Bragança; Evangelina Miranda (85) Valverde(Bragança); Adosinda Martins (80) Ifanes (Miranda do Douro); João Afonso (80) Algoso (Vimioso); Lurdes Pires (79) Paradinha (Bragança); Amílcar Cachopo (70) Quintas do Vilar (Bragança); Filomena Fernandes (68) Quintas do Vilar (Bragança); Guilherme Morais (67) Bustelo (Chaves); João Santos (60) Torre de Dona Chama (Mirandela); Fernanda Alves (50) Prado Gatão (Miranda do Douro); António Castro (49), Guilherme Castro (45) e André Castro (42), irmãos, Valverde (Valpaços); José Carlos Lopes (48) e Miguel Romão (21) S. Julião (Bragança); Maximine Jardino (24) Bragança; Ana Patrícia Pires (13) Milhão (Bragança); Para todos haja saúde, paz e Alegria!

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