Mercado Municipal de Bragança com plano de revitalização praticamente concluído, mas lojistas pedem serviço público para atrair mais público
O Município dá como praticamente concluídas as intervenções previstas no plano de revitalização do equipamento, mas os comerciantes consideram que as melhorias não chegam para resolver os problemas do mercado. Além de mais movimento, defendem a instalação de um serviço público essencial, como a Conservatória, que possa trazer novos consumidores ao espaço.
O plano de revitalização do Mercado Municipal de Bragança, está, praticamente concluído, adiantou a Presidente da Câmara, à margem de uma visita realizada, quinta-feira, ao equipamento.
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Isabel Ferreira, explicou que o plano de revitalização incluía “a instalação de um parque infantil, que está instalado, a melhoria da iluminação, também está. O lettering e a parte estética da zona central também está feita, substituir os carrinhos do mercado de frescos que também estavam todos destruídos e partidos também foram todos substituídos. E portanto, este era um compromisso que tínhamos assumido e cumprimos.”
A Autarca adiantou ainda que, agora, resta apenas fazer a instalação de vedação na zona da feira dos frescos de forma, prevista para setembro.
“Os feirantes desde queixavam-se imenso no inverno do frio, mas sobretudo do vento, e é verdade, quem frequenta esse espaço vê que são condições muito adversas para permanecer ali e portanto vamos fechar com uma vedação em L para que as pessoas possam estar de forma mais agradável também no inverno na Feira dos Frescos. Já está contratualizado mas acordámos que iríamos fazer essa intervenção em setembro”, salientou a autarca.
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Além das obras, está também em curso um plano de marketing e comunicação, com objetivo de trazer mais clientes e atrair novos comerciantes para o mercado e que será desenvolvido a “longo prazo”.
Paralelamente, o município, em conjunto com a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Bragança (ACISB) será também promovida formação dirigida aos lojistas.
Segundo Isabel Ferreira, esta em parceria com a ACISB, com o objetivo de melhorar a forma como os produtos são expostos, e preservar a qualidade dos mesmos.
“É preciso formação também na forma como expõem os seus produtos para garantir a parte estética e também para garantir a qualidade dos mesmos, uma vez que permanecem também expostos durante algum tempo.”
Outra das novidades, que já está a ser posta em prática, é a loja Pop Up. A empresária Sandra Barbosa foi a primeira a estrear o espaço. Ao longo de dois dias, foi convidada a expor os seus produtos à base de mel. Uma iniciativa que considera ser uma boa oportunidade para dar a conhecer a marca e chegar a novos consumidores.
“Eu vejo com muito bons olhos esta iniciativa porque nem todas as lojas conseguem ter um espaço físico permanentemente. Então é uma forma de elas conseguirem expor temporariamente os seus produtos e depois, a partir dessa exposição, as pessoas procurá-las noutras ocasiões. Eu hoje consigo expor aqui os meus produtos, e há pessoas que se calhar nem sabem que eu estou no Brigantia Ecopark, além de que consigo estar mais próximas do nosso cliente final”, disse, acrescentando que os produtos estão a ser comercializados em diversas lojas da cidade mas, ainda assim, é uma iniciativa que permite ao consumidor quem está por detrás desses produtos.
“Os clientes querem, por vezes, conhecer o produtor. E quem produz consegue dar o seu conhecimento sobre o produto ao consumidor que apreciam conhecer diretamente quem é o produtor, como faz. E não há ninguém que toque melhor o negócio do que a alma de quem o faz. E é isso que nós tentamos fazer.”
Sandra Barbosa ocupou o espaço quinta e sexta-feira, dia de feira em Bragança, que é também o dia em que mais gente passa pelo Mercado Municipal.
Questionada sobre as expectativas para o dia de feira, a empresária garantiu que eram altas mas que iam além das vendas.
“Essas expectativas não as prendo só às vendas, prendo-as, fundamentalmente, àquilo que nós transparecemos , para a energia positiva que nos move. Não é só eu chegar ao fim do dia e ter a caixa cheia, ainda que seja uma mais-valia, mas é um á parte. O que me importa é eu poder mostrar o meu produto e no dia seguinte as pessoas saberem que os meus produtos estão à venda nas lojas de Bragança. Isso é uma mais-valia para mim, já me deixa contente”, rematou.
A autarca do município explicou ainda que o intuito desta loja pop Up é “dar oportunidade aos jovens empreendedores que desenvolvam produtos que queiram expô-los” temporariamente.
“Decidimos ficar com uma das lojas para podermos utilizá-la como espaço de demonstração e de inovação, nomeadamente para os jovens empreendedores que criem produtos”, disse, acrescentando que para fazerem parte do projeto os interessados podem contactar a Câmara Municipal, mas que também o Brigantia Ecopark, o NERBA e a ACISB estão a ajudar no sentido de “sinalizar eventuais interessados nesta mobilização.”
Lojistas reconhecem melhorias mas não acreditam que seja a solução
Os lojistas reconhecem as melhorias feitas, mas dizem que não são suficientes. Defendem que, sem mais movimento e sem serviços públicos de maior necessidade, os problemas do mercado vão continuar.
Lilian Boden é uma das comerciantes que vê as mudanças com bons olhos mas não acredita que a solução seja apenas as intervenções no edifício.
“Pode ser um início, sim, mas acho que não é o mais importante. O que esse mercado precisa mesmo é de um órgão público que faça as pessoas terem necessidade de vir aqui. O que temos aqui todos consomem, são coisas que precisamos todos os dias. O banco de Portugal vem agregar mas precisamos de algo com mais poder, como a conservatória.”
A lojista não entende como é que o serviço da conservatória é mantido na Rua dos Combatentes da Grande Guerra, sendo “um serviço essencial que tem uma condição de conforto inadequada” que podia ir para o Mercado Municipal.
“Eu sei porque quando vou, por exemplo, no inverno, ficamos lá fora no frio, na neve, no vento, na chuva e não tem abrigo. No verão ninguém aguenta ficar ao calor, temos que ir no primeiro horário, uma fila interminável. Então isso tudo causa muito transtorno, a gente até se aborrece de ter que lá ir. No entanto, ela seria perfeita aqui dentro. Dá conforto para as pessoas que quando viessem podiam ir ao café, dar uma voltinha, fazerem uma compra, enfim, cria uma necessidade, privilegiava-se também o mercado”, disse, frisando que “a aparência está ótima mas precisamos de algo que fomente o negócio.”
Uma opinião partilhada por Marisa Matias, proprietária do supermercado ‘Coviran’.
"É claro que estamos satisfeitos, é sempre bom termos alterações e a luz principalmente. Agora, precisamos de gente, precisamos que as pessoas venham ao mercado e precisávamos que seja instalada uma instituição pública, como uma conservatória, ou seja, um instituto que traz pessoas e gente", disse.
Questionada sobre a instalação do Balcão do Banco de Portugal no equipamento municipal, a lojista afirmou que "fica aquém das expectativas".
"Só vão estar a funcionar uma vez por semana, à sexta-feira, pelo que percebi. E fica aquém, até porque existem associações aí fechadas, que não se justifica estarem de portas fechadas, porque isso não traz pessoas ao mercado”, disse.
Uma questão que Isabel Ferreira diz estar a ser tratada. A responsável adiantou que “neste momento já temos atribuídas as lojas que agora estão fechadas, mas na verdade já estão atribuídas”, estando a ser ultimados os procedimentos para a instalação dos novos ocupantes.
A responsável explicou ainda que o município tem mantido contatos com várias entidades e associações para dinamizar o espaço, reconhecendo, contudo, algumas dificuldades na instalação de serviços públicos de maior dimensão. “Há um interesse muito grande, só que também muitas vezes quando são serviços públicos maiores, temos alguma dificuldade em garantir o espaço que precisam”, afirmou.
Questionada sobre um prazo para a ocupação de algumas das lojas, Isabel Ferreira apontou para o final do verão. “Estas três que falei seguramente até ao final do verão. Estamos a falar de três e depois as outras é o prazo que conseguirmos”, adiantou.
A visita aconteceu, na quinta-feira.





