Quando o verão aquece a terra, a Rainha Santa Isabel aquece os corações
O verão entrou de rompante no Nordeste Transmontano e trouxe consigo dias de calor intenso
Em muitos locais da nossa região, os termómetros já ultrapassam os 40 graus, obrigando a mudar horários e costumes. Agora, quem vive da agricultura sabe que o dia começa muito cedo. Ainda antes das cinco da manhã já há movimento nas aldeias. Há quem vá tratar dos animais, quem regue as hortas, quem cuide das vinhas, dos olivais ou das pequenas culturas. Quando o sol começa a apertar, chega a hora de recolher, porque ninguém consegue vencer um calor destes. Só ao fim da tarde a vida volta aos campos, aproveitando a frescura para continuar os trabalhos. É um verão que exige muito cuidado, muita água, respeito pelo sol e uma atenção permanente ao perigo dos incêndios, para protegermos as nossas terras e as nossas florestas.
Foi também neste ambiente de verão que, no passado dia 4 de julho, a Igreja celebrou a memória da Rainha Santa Isabel, uma das figuras mais admiradas da história de Portugal. No programa Bom Dia Tio João, as orações da manhã foram rezadas pelo nosso primo Marco, precisamente porque na sua terra existe uma bonita devoção à Rainha Santa Isabel.
O primo Marco é natural da freguesia de Santiago da Ribeira de Alhariz, no concelho de Valpaços, uma das maiores freguesias daquele concelho, formada por várias aldeias e lugares. Num dos montes ergue-se uma pequena capela dedicada à Rainha Santa Isabel, onde ao longo dos anos muitas pessoas continuam a subir para rezar, agradecer e pedir proteção para as famílias, para as colheitas e para todos aqueles que vivem do trabalho da terra. Foi um bonito gesto recordar esta devoção no próprio dia da sua celebração.
A Rainha Santa Isabel nasceu em Aragão, no ano de 1270, e veio muito nova para Portugal, ao casar com o rei D. Dinis. Apesar de viver no palácio, nunca esqueceu os mais pobres. Mandou construir hospitais, ajudou doentes, acolheu quem mais precisava e repartiu alimentos por quem passava dificuldades. Procurou sempre fazer a paz entre pessoas desavindas e até evitar guerras, tornando-se um verdadeiro exemplo de bondade, humildade e solidariedade.
A lenda mais conhecida é a do Milagre das Rosas. Conta-se que a rainha levava pão escondido no regaço para o distribuir pelos pobres. Um dia foi surpreendida pelo rei D. Dinis, que lhe perguntou o que levava. Isabel respondeu serenamente: "São rosas, Senhor." O rei estranhou, porque era inverno, mas quando ela abriu o manto, o pão tinha-se transformado num lindo ramo de rosas. Verdade ou lenda, esta história continua a ensinar que quem reparte com amor nunca fica mais pobre.
A maior festa em honra da Rainha Santa Isabel realiza-se em Coimbra, mas a sua devoção espalhou-se por todo o país. Também em Trás-os-Montes existem capelas, imagens e muitas histórias transmitidas de geração em geração. Entre elas permanece a tradição popular que diz que a Rainha Santa Isabel terá passado por Quintanilha, perto da fronteira. Não existem provas históricas dessa passagem, mas o povo continua a guardar essa memória com carinho, mostrando o respeito e a admiração que sempre teve por esta grande rainha.
Nestes dias em que o calor nos põe à prova e em que tantas famílias continuam a viver do trabalho da terra, vale a pena recordar o exemplo da Rainha Santa Isabel. Ela ensinou-nos que a verdadeira riqueza está em repartir, em ajudar quem precisa e em estender a mão sem esperar recompensa. São valores que continuam bem vivos nas nossas aldeias, onde ainda hoje se partilha um prato de comida, um cesto de fruta, uma palavra amiga ou um gesto de solidariedade.






