Tia Esperança mostra como a terra bem tratada continua a dar frutos enormes
Hoje, dia 8 de setembro, dia em que chega às mãos dos nossos leitores mais uma página do Tio João, celebramos a Natividade de Nossa Senhora, uma data muito querida e vivida com grande devoção em muitas terras da nossa região. É um dia grande de festa na Senhora da Serra, na Serra da Nogueira, onde muitos devotos chegam a permanecer durante os nove dias da novena, fazendo daquela passagem pela serra uma espécie de férias espirituais, de encontro com a fé, com a natureza e com outros peregrinos. A novena termina precisamente neste dia 8, que é vivido com grande alegria e emoção. Também por muitas outras localidades se celebram festas e romarias dedicadas a Nossa Senhora, mantendo vivas tradições que fazem parte da nossa identidade e que vão passando de pais para filhos. Setembro é ainda tempo de vindimas, de colheitas e de agradecer à terra aquilo que nos deu durante o ano.
E é precisamente da terra que hoje vamos falar, através de uma história que nos chega de Fradizela, pela mão da Tia Esperança Palas, uma amiga já conhecida dos nossos leitores. A Tia Esperança já teve direito a uma página, é assinante do Nordeste, ouvinte e participante no Bom Dia Tio João e, desta vez, voltou a chamar a nossa atenção por causa dos produtos enormes que nasceram na sua horta.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
Este ano, a Tia Esperança colheu um tomate com cerca de um quilo e meio, um pimento com um quilo e uma cebola que chegou aos 1,2 quilos. E não foram casos isolados. Muitas das cebolas ultrapassaram os 800 gramas e os pimentos também cresceram muito mais do que é habitual.
Quando lhe perguntei se já estava habituada a ver produtos daquele tamanho, respondeu-me que sim. Em Fradizela, tomates e cebolas grandes já não são propriamente uma novidade. O que a surpreendeu mesmo este ano foram os pimentos.
PUBLICIDADE
Mas qual será o segredo? A Tia Esperança não fala em nenhum produto milagroso, nem em adubos especiais. Diz, com a simplicidade de quem conhece bem a sua terra, que é uma conjugação de duas coisas: a qualidade da terra e a forma como ela é tratada. A terra daquela freguesia é muito fértil e boa, mas também precisa de ser bem cuidada. E aí entra um dos segredos mais antigos da agricultura: o estrume dos animais.
A família tem porcos, ovelhas e cavalos e aproveita o estrume produzido pelos próprios animais. Durante o ano vai sendo guardado e, quando chega a altura certa, é levado para as terras e espalhado antes das sementeiras. É esse o adubo utilizado na horta, sobretudo nos produtos que são para consumo da própria família. Batatas, feijão, tomates, cebolas e os restantes produtos da horta crescem com matéria orgânica dos animais, sem adubos químicos.
Também não usam pesticidas por rotina. Só em algum ano em que seja mesmo indispensável poderá ser aplicada uma calda, mas este ano, segundo a Tia Esperança, não foi necessário colocar nada. Nem nas batatas, nem no feijão, nem nos tomates. Mas há outro segredo muito importante: a água.
Nos meses de maior calor, a rega não pode faltar. A Tia Esperança explica que, quando as temperaturas sobem, a horta tem de ser bem regada, pelo menos de dois em dois dias, dependendo naturalmente do calor e das condições do tempo.
Fazem regos fundos e deixam-nos encher bem de água, para que a humidade consiga permanecer na terra durante mais tempo. É uma tarefa que exige trabalho e atenção, porque uma falta de água num período de muito calor pode prejudicar bastante as culturas. E o resultado deste ano foi verdadeiramente extraordinário.
PUBLICIDADE
A cebola já foi toda recolhida e a Tia Esperança conseguiu fazer 48 cabos, como ali chamam às tradicionais rastas de cebolas. É produção para a família, para os filhos e também para oferecer a familiares e amigos. Não é uma horta feita para vender.
As uvas, a azeitona e a amêndoa são os produtos que normalmente vendem. A vindima deste ano já foi feita e agora as uvas seguem o caminho tradicional até à adega, onde hão de dar o vinho da família.
No fundo, a história da Tia Esperança é uma história simples, mas bonita. Mostra-nos que ainda há quem trabalhe a terra como os nossos pais e avós trabalhavam: aproveitando o que os animais dão, tratando bem o terreno, regando quando é preciso e esperando pacientemente pelo resultado. E talvez seja por isso que, em Fradizela, a terra continue a saber agradecer.
Este ano agradeceu com um tomate de quilo e meio, um pimento de um quilo, cebolas com mais de um quilo e uvas de fazer inveja.
Não há aqui grandes segredos. Há uma terra boa, estrume dos animais, muita água, muito trabalho e, acima de tudo, o saber e o carinho de quem nunca deixou de gostar de cultivar a sua horta.
PUBLICIDADE









