75 anos de casamento: uma vida inteira a dois, um amor que venceu o tempo

Agosto está a queimar os últimos cartuchos. As festas, os arraiais e as romarias entram na reta final de um mês que parece querer ficar mais tempo entre nós. Mas, nesta última edição de agosto do Jornal Nordeste, quero parar o relógio por um instante para contar uma história que é, por si só, uma festa: a história de Bernardino António e Júlia do Carmo, um casal da Fradizela, concelho de Mirandela, que no passado dia 18 de agosto celebrou 75 anos de casamento.

25 ago. 2026, 15:00

Bernardino e Júlia no dia que fizeram 75 de casamento

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Setenta e cinco anos! Não são apenas três quartos de século. São uma vida inteira construída a dois. São milhares de manhãs, milhares de noites, alegrias, dificuldades, trabalho, preocupações, conquistas, perdas e, acima de tudo, a decisão de continuar juntos. Bernardino António nasceu na Fradizela a 23 de dezembro de 1926 e prepara-se para completar 100 anos. Júlia do Carmo, também natural da Fradizela, nasceu a 8 de setembro de 1932 e prepara-se para celebrar 94 anos.

Casaram a 18 de agosto de 1951. E há aqui uma coincidência que torna esta história ainda mais bonita: ele caminha para os 100 anos de vida, ela para os 94, e juntos acabam de completar 75 anos de casamento. É uma matemática da vida que dificilmente se repete e que nos obriga a parar para pensar na dimensão desta caminhada.

Em 1958 foram para Lisboa à procura de trabalho e de uma vida diferente. Bernardino trabalhou muitos anos como jardineiro na Quinta da Pimenteira. Júlia esteve também ligada às flores e à sua venda em feiras. Foram anos de trabalho, sacrifício e dedicação, sempre com a família e o futuro pela frente.

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Mas a terra natal nunca saiu do coração. Depois de muitos anos em Lisboa, regressaram à Fradizela e, em 2023, voltaram definitivamente à sua vivenda. É ali que continuam a viver, apenas os dois, marido e mulher, mantendo uma rotina que surpreende quem os conhece.

Bernardino continua a levantar-se cedo, a andar pelo terreno, a tratar das plantas e a cuidar daquilo que construiu ao longo da vida. Júlia permanece ao seu lado. Aos olhos de quem os visita, talvez esta seja a imagem mais bonita destes 75 anos: duas pessoas que envelheceram juntas e que continuam a ter uma na outra a sua principal companhia.

A vida também lhes trouxe sofrimento. Tiveram dois filhos e perderam um deles. Mas seguiram em frente, com a força de quem aprendeu que a vida tem dias de festa e dias de lágrimas. Hoje têm família, netos e um filho que, mesmo estando habitualmente em Lisboa, acompanha de perto os pais e ajuda a garantir tudo aquilo de que precisam.

No passado dia 18 não houve uma grande festa. Não houve salão cheio, música ou multidão. Mas, sinceramente, talvez nem fosse necessário. Porque a maior festa já estava feita: 75 anos de casamento.

Durante quase 37 anos de Bom Dia Tio João, nunca tinha tido a oportunidade de contar uma história assim. E talvez seja precisamente por ser tão rara que ela merece ser contada. Chegar aos 75 anos de matrimónio exige muito mais do que sorte. Exige saúde, resistência, compreensão, paciência, amizade, capacidade de perdoar e, acima de tudo, amor.

As bodas de diamante são muitas vezes celebradas aos 60 anos, porque já aí se alcança uma marca extraordinária. Mas 75 anos são outra dimensão. São três quartos de século de uma promessa cumprida.

Bernardino António e Júlia do Carmo conseguiram.

Não fizeram uma grande festa. Fizeram uma vida. E talvez essa seja a maior celebração de todas.

Que Deus lhes continue a dar saúde e que possam permanecer muitos mais anos lado a lado. Porque há casamentos que são apenas uma data. E há outros que se transformam numa verdadeira história de amor.

Bernardino e Júlia escreveram 75 anos dessa história. E a Fradizela tem, na sua terra, um dos mais bonitos exemplos de que, quando duas pessoas verdadeiramente caminham juntas, o tempo pode passar, mas o amor fica.

75 anos de casamento. 75 anos de vida partilhada. 75 anos de amor.


Nos últimos dias festejaram o seu aniversário connosco: Maria José (tia Chanqueira) (85) Sendim (Miranda do Douro); Nuno Tomeno (83) Babe (Bragança); Horácio Frutuoso (76) S. Julião (Bragança); Camila do Nascimento (76) Santulhão (Vimioso); Luís Ventura (68) Caçarelhos (Vimioso); Maria Pereira (63) Estorãos (Valpaços); Maria de Fátima Lopes (59) Santulhão (Vimioso); Humberto (58) e seu irmão Orlando Rodrigues (62) Samil (Bragança); Sónia Santos (50) Murça; Óscar Alves (48) Talhinhas (Macedo de Cavaleiros); José Lopes (48) São Julião (Bragança); Fátima Rafael (42) Valverde (Valpaços); Parabéns e muitos anos de vida.

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