Foi inaugurado o monumento de Homenagem aos Combatentes do Ultramar, instalado no Jardim da Braguinha, em Bragança.
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Para o presidente do Núcleo de Bragança da Liga dos Combatentes, José Fernandes, esta é uma forma de perpetuar dos combatentes que perderam a vida nesta guerra.
“A história não é só feita de vitórias, a história é feita de derrotas e vitórias. Temos que saber enaltecer ambas. Foi um momento para mim negro da história do país, perderam-se muitas vidas injustamente e o mínimo que podemos fazer é perpetuar essas vidas aqui num local emblemático que é a Avenida das Forças Armadas e um parque tão concorrido como é este parque”, esclareceu.
A obra de ferro e pedra é da autoria do arquiteto David Fernandes, que quis simbolizar os três ramos das Forças Armadas. “A Marinha, o Exército e a Força Aérea”, explicou. “A serpente tem um bocado a ver com o sangue que se derramou. E os bustos são os soldados incógnitos, que não se sabe quem mais morreu”, disse.
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A utilização do material deve-se à “intemporalidade e resistência”, porque “é muito duro, mas também é fácil de modelar”, referiu.
Jorge Moreira, antigo combatente, partilhou que foi um dia feliz. “Para mim é um dia especial. Por incrível que pareça, era a única capital de distrito que não tinha um monumento aos combatentes. Lutamos contra muita gente, contra espaços que nos queriam dar, que nos queriam impor. Felizmente optámos por este espaço aqui, que é um espaço magnífico, e tivemos que passar por três presidentes para ser inaugurado o monumento. É pena, mas neste momento estou muito contente porque se concretizou um dos sonhos que eu tinha quando fui para a Liga dos Combatentes”, contou.
Por outro lado, Normando Lima não gostou da escultura. “Fiquei desiludido com o monumento. Podia ter sido utilizado outro material, ter uma parede para pôr os nomes até dos falecidos ou até fotografias”, sugeriu.
O monumento encontra-se naquele espaço desde 2024, mas só agora é que foi inaugurado. “Nós quando tomámos posse também achámos que era importante, até porque o arquiteto que o fez é um arquiteto com obra feita, que merece também que as suas obras tenham um momento de destaque e em especial os combatentes sejam homenageados e por isso desde logo que tomámos posse pensámos numa data possível e considerámos uma data simbólica, que é este dia, que é o dia da nossa cidade, da nossa padroeira e que fazia todo sentido inaugurá-lo agora”, destacou a autarca Isabel Ferreira.
Mas apesar de ter sido um dia feliz. O presidente das Liga apontou as falhas no que diz respeito aos direitos dos combatentes. “Falta muita coisa, infelizmente. Muitos dos que estiveram na guerra já não vão estar cá para usufruir desses direitos, mas enquanto os que cá estiverem devem ter esse reconhecimento e esse direito. Como disse bem, a partir do próximo ano vão ter gratuidade nos transportes públicos a nível nacional. É bom, mas ainda é pouco e eles seguramente que reconhecem isso. Também falta uma pensão digna para que todos eles tenham uma vida digna. Eles e as suas famílias. São valores muito baixos, depende do grau de incapacidade, mas há pensões que posso-lhe dizer, e não emprego outra palavra, irrisórias para aquilo que se fez e o que se deu”, reforçou José Fernandes.
O monumento é uma homenagem aos 39 jovens oriundos do concelho de Bragança que morreram na guerra de África e aos ex-combatentes que lutaram nesse conflito.




