O comércio tradicional em Mirandela esteve na passada sexta-feira, 21 de agosto, de portas abertas até às 23 horas. A iniciativa foi da Associação Comercial e Industrial de Mirandela e para atrair o público à rua. Houve animação e atividades desportivas, mas para alguns dos comerciantes não foi suficiente.
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Para Cristina Ventura, da loja Cor de Flor, o negócio nessa noite “correu muito mal”, partilhou. “Porque as pessoas não aderem. Estávamos habituados a um sistema diferente. Havia animação de rua, um palco, um cantor. As pessoas vinham, tomavam um café, visitavam as lojas. Neste momento nada, passaram por aqui apenas as concertinas de Contins, apenas uns cinco minutos e foram embora”, contou, recordando uma das iniciativas semelhantes que aconteceu há alguns anos.
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A lojista acredita que a ideia já veio tarde. “Já não há imigrantes, já não há pessoas na terra e Mirandela está cada vez mais pequenino, as iniciativas são cada vez menos, não há gente”, disse.
Também diariamente já “há poucos visitantes” e o mês de agosto “foi bastante fraco, pior do que o ano passado”, frisou.
Já o lojista Fernando Teixeira, da Maxym Boutique, partilhou a mesma opinião e apontou que o negócio “correu muito mal”, afirmando mesmo que não percebe o papel da ACIM, devido à “falta de animação nas ruas”, porque “assim parece que as lojas só estão abertas por estar”, afirmou, referindo-se à falta de métodos para atrair os clientes até às ruas da cidade.
Para Flávia Ferreira, da Parfois, o problema não foi o negócio, porque garantiu que “correu bem”, mas considerou que, de facto, a pouca animação, não levou tantas pessoas à rua como esperava. “Acho que nesse aspeto faltou organização, na divisão da animação pelas ruas da cidade, concentraram tudo na rua principal, na Rua da República”, disse.
No caso de Filipa Gomes, da Geometrya, a iniciativa pecou “por ser tardia” e defendeu que “já devia ter sido desde o início de agosto, como estava previsto, uma vez por semana e nunca à sexta, porque à sexta já há festas, principalmente nas aldeias. Acho que devia ser outro dia da semana sem ser este e mais cedo, porque agora os imigrantes já foram embora”, referiu, destacando que “também falta fecharem as ruas, não temos animação, isso também faz com que ande menos gente nas ruas”, partilhou.
E recordou a mesma iniciativa antiga que Cristina Ventura. “Havia mesmo um cantor de rua, cantava e tocava. Havia palhaços a fazer balões para as crianças. Os últimos dois anos até foram os comerciantes que pagaram a animação. Mas fizemos e tínhamos a rua fechada. Não tendo a rua fechada também já não é a mesma coisa. E a falta de animação também não ajuda”, concluiu.
O presidente da ACIM, Filipe Carvalho, referiu que a iniciativa foi mais abrangente, “com animação local, com a participação também de atividade de associações e entidades locais de desporto e ainda a vertente animal, com veterinários e associações ligadas a esta área”, explicou. Os expositores com atividades ficaram distribuídos em vários pontos da cidade.
Para Filipe Carvalho acredita que era algo que os comerciantes já desejavam há algum tempo.
“Houve bastantes comerciantes a aderir. Aliás, nota-se uma ligeira mudança de perspetiva, em que realmente os comerciantes estão a querer ser mais ativos neste tipo de atividades, e é importante que as pessoas se unam, que participem, porque o comércio local sobrevive com todos juntos. Não é uma empresa, não são duas, são todos. E se todos participarem, todos estiverem ativos, consegue-se um resultado muito melhor para toda a gente. É uma primeira vez deste formato. Vamos ver o resultado também, a adesão, e certamente que para o ano que vem, ou até durante este ano, haverão mais iniciativas, dependendo do que ocorrer, como é evidente”, concluiu.
O comércio tradicional em Mirandela vai estar com o período de horário também durante o mês de setembro.




