Em São Pedro de Sarracenos, a tradição não se perde: planta-se, colhe-se e festeja-se

Setembro chegou. É a primeira página do mês na Família do Tio João, mas ainda trazemos no coração as histórias, os encontros e as emoções de um agosto que terminou em beleza.

01 set. 2026, 15:00

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O verão começa a despedir-se devagar, as manhãs ficam mais frescas e, por estas terras transmontanas, a vida continua profundamente ligada à terra, à agricultura, às colheitas e às tradições que passam de geração em geração.

Foi precisamente assim que terminou agosto: com a XXIV Feira das Cebolas de São Pedro de Sarracenos, uma das manifestações mais genuínas e acarinhadas do concelho de Bragança, realizada tradicionalmente no último fim de semana de agosto.

Nos dias 29 e 30, São Pedro de Sarracenos vestiu-se de festa para celebrar uma feira que nasceu em 2000 e que, vinte e quatro edições depois, continua a afirmar a identidade desta comunidade. Aqui, a cebola é muito mais do que um produto agrícola. É o resultado do trabalho, da dedicação e da persistência de homens e mulheres que conhecem os segredos da terra e sabem que cada colheita começa muito antes de chegar à feira.

E há uma ligação muito especial entre esta feira e a Família do Tio João. Em 2000, na primeira edição, tive a honra e o privilégio de ser padrinho da iniciativa. Passaram-se vinte e quatro edições, mudaram os tempos e muita coisa mudou à nossa volta, mas a amizade e a ligação a São Pedro de Sarracenos continuam bem vivas. Pelo terceiro ano consecutivo, a Rádio Brigantia voltou a marcar presença nesta festa, levando a nossa rádio para junto das pessoas e dando voz à terra e às suas gentes.

Nesta edição, tivemos também a oportunidade de conversar com João Alexandre, o novo presidente da Junta de Freguesia, um amigo de muitos anos, que assumiu esta responsabilidade com vontade de trabalhar pela sua terra. Falou-nos de São Pedro de Sarracenos com orgulho, da importância de apoiar a agricultura, valorizar os produtores e preservar as tradições que dão identidade à freguesia.

Mas houve outra conversa que nos mostrou, de forma muito concreta, como a tradição agrícola continua viva entre os mais jovens. Foi com Fábio Pires, um jovem de 37 anos que tem a sua profissão na área da climatização, mas que dedica também grande parte do seu tempo à produção de cebolas.

O trabalho começa em fevereiro, quando se inicia a plantação, e prolonga-se durante muitos meses. É um trabalho que exige dedicação, conhecimento e muita presença no campo. Depois da terra fazer a sua parte, chegam a colheita, a preparação e, finalmente, a venda, que pode prolongar-se até outubro.

Este ano, Fábio levou para a Feira das Cebolas cerca de duas toneladas e meia de produção. Cada réstia, ou cabo, com aproximadamente cinco quilos e meio a seis quilos, foi vendida a cerca de 10 euros. Números que mostram que, por detrás de uma simples réstia de cebolas, existe muito trabalho, muitas horas de dedicação e uma verdadeira paixão pela agricultura.

É esta capacidade de conciliar a vida profissional com a agricultura, mantendo viva uma atividade que faz parte da identidade da comunidade, que merece ser valorizada. Porque uma feira como esta não vende apenas cebolas. Vende história, trabalho, memória e orgulho.

E, claro, não podíamos falar de cebolas sem falar das lágrimas! Há quem chore por amor, quem chore de saudade e quem chore simplesmente a descascar uma cebola. Mas em São Pedro de Sarracenos estas lágrimas têm outro significado: são lágrimas de orgulho por uma tradição que continua viva.

Agosto terminou, setembro começou, mas ficou a recordação de uma manhã muito especial. A Família do Tio João esteve onde gosta de estar: junto das pessoas, junto da terra e junto das nossas tradições.

São Pedro de Sarracenos mostrou mais uma vez que uma simples cebola pode contar uma grande história. Uma história feita de agricultores, famílias, jovens, emigrantes, encontros e memórias.

E essa história continua a fazer-nos chorar… mas de orgulho!


Nestes últimos dias festejaram o seu aniversário; José António Moreira (90) Oleirinhos (Bragança); Mário Geraldes (90) e Maria dos Remédios (69) Parada (Bragança); Joaquim Teixeira (87) Fradizela (Mirandela); Luís Ventura (68) Caçarelhos (Vimioso); Denérida Fernandes (75) São Julião (Bragança); Maria Teixeira (72) Coelhoso (Bragança); Amélia Barreira (66) Estorãos (Valpaços); Georgina Morais (61) e Rui Morais (42) Milhão (Bragança); Carla Santos (50) Valpaço (Vinhais); Pedro Santos (47) Murça; Paulo Lopes e o seu irmão gémeo Duarte (42) Estorãos (Valpaços); Cátia Borges (38) Grijó (Bragança); Lia Vidinhas (25) Pinhal do Douro (Carrazeda de Ansiães); Inês Mendes (18) Lagoas (Valpaços); para todos haja saúde, paz e alegria.

PUBLICIDADE

Do mesmo autor

As mais lidas