Julgar é fácil...

Mas nem sempre o árbitro é o culpado

03 ago. 2026, 05:00

Terminada a montra do Campeonato do Mundo de Futebol, abre-se agora uma nova época desportiva. Os clubes afinam objetivos e preparam-se para os múltiplos desafios que se aproximam.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

No que toca aos árbitros, esses elementos imprescindíveis, também a preparação acontece. Sem arbitragem não há jogo. Sem arbitragem não há competição. Ponto.

O problema é que, sendo de presença obrigatória, o árbitro está sempre exposto. E, na maior parte das vezes, é alvo de julgamentos sumários, injustos e desnecessários. Julgamentos que em nada contribuem para o bem-estar, para a justiça e para a clarividência dos ambientes desportivos. E até sociais.

No futebol, por ser o mais popular, é onde as decisões do árbitro dão mais que falar. A todos os níveis. Só que nem sempre lhe é dado o devido valor. Diz-se bem dele quase sempre apenas quando convém.

PUBLICIDADE

Com os jogos de futebol, emergem as críticas mediatizadas ao desempenho de uma equipa de arbitragem. Mesmo, até quando não assiste ao jogo. O que não deveria acontecer, naturalmente.

Mesmo admitindo que o árbitro possa errar, nada justifica, inúmeras vezes, comentários pouco abonatórios, que roçam a falta de valores educacionais e de sã convivência desportiva e cívica. Não dignificam quem os profere. E, até, quem pacificamente as aceita.

Ninguém é perfeito. Errar é humano. E não podemos exigir perfeição a quem decide em frações de segundo, com milhares de pares de olhos a pressionar e julgar. Tantas vezes sem conhecimentos técnicos minimamente sustentados.

Parto do princípio da boa-fé dos homens do apito. Quando erram, erram por perceção, não por má-fé. E se for de má-fé, essa sim, é condenável.

Se os treinadores erram na tática, se os jogadores falham no passe, se os dirigentes falham na gestão... porque não conceder ao árbitro o direito de falhar também?

Uma certeza temos: nenhum árbitro entra em campo sem formação. Já a mesma certeza não temos quanto à formação de muitos dirigentes e responsáveis.

Por isso, apelo: mais contenção. Mais educação. O desporto agradece e a sociedade também.

PUBLICIDADE

Do mesmo autor

As mais lidas