Vinhos Durienses e Transmontanos em destaque no Festival Vinho Sabor Douro Superior
Festival juntou 15 expositores na Foz do Sabor
O Festival Vinho Sabor Douro destacou, mais um ano, os vinhos do Douro Superior e nesta edição estendeu-se aos produtores transmontanos.
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Uma iniciativa que permite aos viticultores promover os seus produtos e dar a conhecer os seus vinhos, alargando a sua carteira de clientes. É o que conta Manuel Martinhos, produtor de Vinhos da Quinta da Silveira.
“Há uns 10 anos ninguém ligava Moncorvo aos vinhos, agora já ligam porque fazem este tipo de ações que são interessantes. Também aqui neste caso o sítio é bonito e temos a hipótese de fazer provar os nossos vinhos e acho que é muito útil porque ajuda na promoção”, disse.
Também a produtora, Irina Brasão marcou presença no festival. Viticultora da ‘Recanto de vinhos’ diz que estas iniciativas são “fantásticas”, precisamente porque ajudam na divulgação dos produtos da região. “Acho que estas iniciativas são extraordinárias, a todos os níveis. E hoje, mais do que nunca, porque esteve cá presente o Secretário de Estado do Ambiente, foi possível fazer uma abordagem aos problemas daqui do Douro, que eu peço que que não seja só feita uma abordagem, que não passem só de palavras, mas que se passe aos atos”, frisou.
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Ao todo reuniram-se na foz do sabor perto de 15 produtores de vinhos, um “número record”, segundo o Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, José Meneses.
“É com estas festividades, com estes certames, que vamos cada vez mais promover os nossos produtores e é isso que nós queremos. Hoje nesta 11ª edição são 15 produtores e com certeza é um sinal de que há cada vez mais explorações agrícolas no nosso concelho e que é uma aposta também dos nossos agricultores, dos nossos jovens agricultores em continuarem a ser resilientes, a produzir uvas, a produzir bons vinhos porque estamos no Douro Superior”, vincou o autarca.
Produtores pedem que Governo atue
Torre de Moncorvo registou 25 projetos de jovens agricultores. Apesar deste dado ser considerado positivo as dificuldades no setor persistem. A Falta de mão de obra, o envelhecimento populacional e falta de valorização do setor, são algumas das questões que preocupam os produtores que pedem que o governo que atue.
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Irina Brasão ficou satisfeita com as intervenções do autarca de Moncorvo e do Secretário de Estado, mais reiterou que espera não serem “apenas palavras” e que medidas sejam tomadas.
Para a produtora da ‘Recanto de Vinhos’ a maior dificuldade prende-se com a falta de mão de obra e com o envelhecimento da população.
“Estamos neste mercado há nove anos, fixámo-nos aqui e sentimos diariamente as dificuldades que se vivem aqui. E de facto sente-se muito esta falta da mão de obra. O pessoal jovem, infelizmente, é difícil mantê-los cá e eu compreendo um pouco, porque aqui é mais difícil arranjar trabalho e entreter os jovens para os manter cá. Mas não falta trabalho na região. Depois as pessoas cada vez mais envelhecidas. As nossas vinhas têm ao redor três terrenos de videiras, muito bem tratados. Mas as pessoas foram envelhecendo, adoecendo e, atualmente, essas pessoas deixaram de poder tratar das vinhas. E ficámos um bocadinho aterrorizados com isso”, frisou.
Um problema que cria mais preocupações, como os incêndios.
“Temos tido alguns incêndios. Graças a Deus este ano, até agora, foram menos que no ano passado, e longe das nossas propriedades, mas quando vemos ao longe começamos a medir a quantos quilómetros estás. Estamos sempre receosos”, frisou.
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Por sua vez, Manuel Martinhos acredita que o grande problema na dificuldade em escoar o produto, numa altura em que as casas exportadoras reduziram as compras devido às dificuldades que sentem nos mercados internacionais.
“Estamos numa zona da região do Vinho do Porto e, normalmente, era onde se vinha buscar vinhos muito concentrados, de muito boa qualidade. O problema é que, neste momento, as próprias casas que compravam às quintas os vinhos do Porto para exportar deixaram de o fazer, porque eles próprios estão com dificuldade de exportar. E isso criou um problema, porque as quintas guardavam, no final da vindima, os vinhos do Porto para vender às casas exportadoras.”
Perante este cenário, a venda direta para os mercados externos surge como uma possível alternativa para os produtores, embora implique custos que podem ser difíceis de suportar pelas explorações de menor dimensão.
“Eventualmente até entrarmos para a concorrência, passar a vender diretamente em exportação. Só que isso é complicado porque tem muitos custos e exige marketing que às vezes as quintas mais pequenas não têm tanta capacidade, mas tem que se levar para a frente, é o que tem que se fazer.”
Para a Irina Brasão a solução reside na valorização dos produtos nacionais. Só, assim é que se podem ultrapassar as dificuldades que vivem. “Portugal produz vinhos extraordinários, mas falta-nos valorização para poder exportar. Falta, nós próprios, olharmos para nós cá e validarmo-nos. Agora, claro que também não queremos vender vinhos que são bons produzidos em Portugal ao desbarato lá fora”, afirmou.
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Já Manuel Martinhos acredita que tem de existir uma colaboração de todos os agentes económicos desta cadeia para que o setor ultrapasse estas dificuldades.
“Todos os apoios são importantes, mas nesta fase é um pouco mais complicado porque está a haver uma crise do vinho no mundo inteiro, não é só em Portugal ou só no Douro. Portanto, isso tem muitos fatores que têm que ser equacionados e tem que se tentar descobrir novas formas de promover o vinho e nós também nos adaptarmos ao que o mercado quer, que também vai variando. Enfim, tem que haver uma junção da parte política, da parte agrícola e dos próprios produtores que têm que ir à procura do mundo onde querem os nossos vinhos”, concluiu.
Na cerimónia de abertura do festival marcou ainda presença o Secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, que reconhece a importância de valorizar o setor e fixar mais jovens para o território.
Na cerimónia de abertura do festival marcou ainda presença o Secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, que destacou a importância de valorizar os recursos naturais e criar condições para fixar população no território.
“A valorização dos recursos naturais para nós é absolutamente essencial, criar competitividade e contribuir para o crescimento de competitividade da economia é essencial, porque isso ajuda efetivamente a fazer desenvolvimento sustentável.”
O governante defendeu ainda uma articulação entre as políticas ambientais e setores como a agricultura, através de apoios ao pastoreio, ao restauro da natureza, às raças autóctones e aos produtos locais.
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Para João Manuel Esteves, estas medidas devem também contribuir para criar emprego e rendimento e ajudar a fixar os jovens no território.
“E com que isso criar condições para que os jovens e outros possam efetivamente criar aqui o seu emprego, ajudar-se a fixar, ajudar também a eles próprios criarem aqui o seu rendimento.”
O festival dos Vinhos Sabor Douro decorreu de sábado a domingo na foz do sabor, no concelho de Torre de Moncorvo
O festival dos Vinhos Sabor Douro decorreu de sábado a domingo na foz do sabor, no concelho de Torre de Moncorvo
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