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Luís Ferreira

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As exigências servidas à mesa

As intenções de Trump, antes de tomar posse e depois de ser Presidente dos EUA, quanto à paz na Ucrânia, foram um falhanço. De uns dias passou a semanas e depois já não dá certezas nenhumas porque as não tem. Na política nada é certo e nada é fácil. Mas isto já Trump devia saber. O quero, posso e mando, nem sempre funciona. Mas parece haver exceções lá para os lados de Moscovo. Por enquanto, Putin ainda pode dizer quero, posso e mando. Prova disso mesmo é o controlo constante sobre o que à mesa se deveria discutir entre os presentes para chegar a um efetivo cessar-fogo entre a Ucrânia e a Rússia. Em cada reunião entre os interessados, mais uma proposta é apresentada por Putin, que vem alterar o alinhamento da reunião. Ele não quer discutir a paz nem o cessar-fogo. Ele quer protelar a situação enquanto continua a bombardear o território ucraniano. Perante isto, Trump, ainda não chegou à conclusão que Putin controla tudo e que os EUA não têm voto na matéria. Afinal o que conseguiu Trump com estes encontros em prol da paz? Nada. O suposto cessar-fogo, que o não é na realidade, só interessa a Putin, devido à possibilidade de escoamento dos cereais russos pelo mar Negro que, em princípio, não haverá ataques nesse espaço. E uma coisa é certa: Moscovo não vai atacar nada no Mar Negro pois estaria a prejudicar-se, já que ele é controlado pela Ucrânia. Assim, tem todo o interesse em manter aí o cessar-fogo. Esta é a única vertente válida das tréguas. O adiamento interminável das discussões que estão na mesa das negociações, de pouco valem, já que Putin envia sempre mais uma exigência para que se percorra o caminho para o cessar-fogo real. Não é caminhar para a paz. Não. Putin não quer a paz, pelo menos não sem antes obter o que pretende através das exigências que vai pondo em cima da mesa. Trump está a ser completamente embrulhado por Putin e o que ele pretende, não é assunto de discussão. Putin quer discutir o que lhe convém e isto é muito vasto. Mas, aos poucos, Trump vai perceber que está a ser levado pelas ondas russas e se vai afastando cada vez mais da praia de areias brancas onde deveria residir a paz ucraniana. Estão longe as férias. O esforço que a UE está a fazer com tantas reuniões, também não está a resultar como deveria e para Putin, isso nem é assunto com que se deva preocupar. Nas suas declarações ocasionais, nem sequer menciona a Europa. As preocupações da Europa vêm tarde. Demasiado tarde. Claro que é sempre tempo para se acautelar a segurança europeia e agora cada vez mais. Mas isto demora muito tempo. Não é para amanhã e a guerra já cá está. Trump é um homem de negócios e só. De político tem pouco. Parece demasiado inocente ao lado de Putin, ao aceitar certas exigências, sem sequer estar presente, confiando nos que envia para a cabeça do touro, sem ter a certeza de que são capazes de o segurar pelos cornos. Não são. Acabam por discutir tudo menos o que deveria estar em cima da mesa. Putin serve, assim, à mesa, as suas exigências para que se entretenham com elas e não discutam o prato principal. São as entradas que acabam por tirar a fome para o que se segue. Entretanto, continuam a bombardear as cidades ucranianas, deixando de lado o espaço energético de um lado e de outro, pois Putin também quer evitar perder mais centrais de energia, especialmente de petróleo e derivados, os quais já vai tendo necessidade de importar. Só por isso. As aldeias e pequenas localidades, vai atacando sem dó nem piedade para mostrar que está a toda a força e que, mais tarde ou mais cedo, a Ucrânia terá de se render ou sair da guerra com perdas bastantes. Será assim? O que fará Trump para evitar tal disparate? Putin está a passar de inimigo a parceiro de negócios e compincha de Trump e este não se dá conta do caminho que está a percorrer. Trump está a var o fosso que o vai engolir. A população americana já está contra as suas propostas. Cerca de 60% dos americanos não aprovam a política que ele está a seguir no que se refere à Ucrânia, especialmente ao abandono da defesa que os ucranianos esperavam. É por isso que a Europa está a tentar substituir os EUA nesse aspeto, mas não é fácil, porque há tecnologias que só os EUA têm e que permitem a Ucrânia defender-se melhor. A verdade é que Trump está a ficar farto das exigências que Putin põe em cima da mesa cada vez que se juntam para negociar o cessar-fogo. Putin diz que este já começou, mas ele ainda não parou de atacar a Ucrânia. Cumprir acordos nunca foi apanágio dos russos e aqui é mais um dos casos que o prova. Trinta dias de cessar-fogo, mas quando começa? Com começo dia 18 de março, como diz Putin, só faltam mais uns dias para recomeçar a guerra a sério e mostrar a Trump que está a ser comido de cebolada, sem dar conta. Em cima da mesa está tudo menos o que deveria estar. É sempre assim. Zelensky tem razão e tem … medo. A comida não se lhe engole.

UMA RAPARIGA SEM PRETENDENTES

Nem todas as raparigas bonitas têm pretendentes e nem todas se casam. Por isso mesmo muitas permanecem solteiras a vida inteira e morrem sem que ninguém as olhasse com olhos de ver. Mas há algumas que sendo menos bonitas, sempre conseguem ter pretendentes, casar e deixar descendentes. Enfim. Há, contudo, uma que ninguém quer. É uma rapariga airosa, sábia, atrevida e que poderia ser cobiçada por muitos, mas na verdade ninguém a quer. Independentemente do nome que as raparigas possam ter ou do nome se adaptar ou não à cara laroca da sua aparência, o certo é que isso tem conotação diferente. A rapariga chama-se culpa. Poderia ser um nome como qualquer outro, mas é tão intenso que ninguém o deseja ter ao seu lado, mesmo que o possível companheiro se pudesse habituar à sua companhia. Não, definitivamente. São poucos os que admitem ter por companheira essa rapariga. Infelizmente, ou não, ainda há quem admita ter por companheira essa carinha laroca. Há gostos para tudo. A recente aventura vivida nos meandros da política portuguesa e que levou à dissolução da Assembleia da República, teve por base, além da desconfiança, a não aceitação do casamento com essa rapariga tão carismática. Depois de esgrimidos os argumentos tendentes a justificar o possível casamento com um dos dois pretendentes, nenhum deles a quis aceitar e o casamento ficou adiado. Outras núpcias! No início, a rapariga andava por aí, passeando pelos corredores da política, deambulando pelas vielas da desconfiança e da suspeição, procurando noivo jeitoso, fiel e atencioso, mas nada encontrava. Eis senão quando ao virar da esquina se deparou com dois ou talvez três possíveis pretendentes. Ficou indecisa e esperou para ouvir o que tinham a oferecer cada um deles. Não tinham muito que dar em dote, mas, mesmo assim aguardou. Travaram-se de razões os dois, mas nenhum quis assumir a rapariga como parceira para a vida. Nada disso. A culpa que ficasse solteira. A contenda teve de ser resolvida pelas instâncias superiores e assim, o juiz decidiu que não haveria casamento possível e que deveriam todos fazer um exame introspetivo profundo durante dois meses. Assim disse e assim ficou escrito. Caberia ao povo decidir se algum deveria ficar com a culpa ou não. Mas o povo não poderá ajuizar tão levemente. E a culpa pouco poderá dizer em seu favor. Agora, em tempo de discussão política, os dois contendores, irão exibir os seus dotes para prendar ou não, essa rapariga airosa que afinal ninguém pretende. É, no entanto, contrário ao normal, a exibição dos dotes perante a culpa. Ela não quer dotes, quer injurias. Ela quer perjúrios. O seu pretendente deve exibir o lado mais negro do seu temperamento para que ela fique suficientemente satisfeita. Ela não quer um pretendente bem- -comportado. Pelo contrário. Isto torna mais difícil o casamento. Ela, além de exigente, é perseverante. Desconfiando um do outro, os dois pretendentes à culpa, buscam testemunhas credíveis para justificar as suas atuações. Exibem feitos anteriores que, à partida lhes poderão dar créditos para fugir da rapariga atrevida. Não interessa aproximar- -se, mas afastar-se. Cada vez mais distante, a culpa vê a sua situação cada vez mais difícil. Nem o líder do PS, Nuno Santos a quer por companheira. Do mesmo modo, também Montenegro, líder do PSD, a não pretende. No entanto, todos os partidos a querem dar em casamento a Montenegro que, não pretende casar de novo e muito menos com uma rapariga tão airosa e que lhe poderia causar problemas graves. Nada tem a ver com ela. Nunca andou atrás dela e ninguém pode dizer o contrário. Não há nada que prove tal tendência. Mas, este quer atirá-la para os braços de Nuno que, continua a rejeitá-la apesar de tudo. Coitada da culpa! No meio de tanta incerteza, andam todos a atirar a culpa para os braços uns dos outros. Ela continua a não ter cama onde se deitar. Talvez fique mesmo solteira. É uma guerra desnecessária cuja razão é tão banal como as pretensões da rapariga atrevida que não arrasa com quem casar. Mas poderá ter esperanças, já que esta é a última a morrer. A vontade de Nuno em conseguir provas para casar a culpa, talvez não seja conseguida, mas o PGR vai tentar, pelo menos saber quem tem os argumentos mais válidos para casar com ela. É atraente e airosa, mas mesmo assim não é apetecível para ninguém. Com culpa ou sem ela, o certo é que conseguiu derrubar um governo que fazia o seu trabalho bem feito. Teve esse defeito. Agora vamos esperar pelo veredicto final. Talvez alguém casa com ela.

Até onde chega a falta de respeito

O mundo inteiro assistiu na passada sexta feira à reunião encenada entre Trump e Zelensky na tão famosa sala Oval, da Casa Branca. Uma desilusão completa. Supostamente havia um acordo para assinar entre os EUA e a Ucrânia, mas Zelensky não assinou porque os termos não lhe eram favoráveis. Apesar de necessitar da ajuda doa EUA, Zelensky não se submeteu aos desígnios de Trump nem se ajoelhou perante o mais poderoso, como pensavam que aconteceria. Não. De braços cruzados, Zelensky ouviu e contrapôs os seus pontos de vista face a um acordo que era manifestamente favorável à Rússia e aos EUA e pouco trazia aos ucranianos. Havia subjacente um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia, mas faltaram garantias de segurança para os ucranianos o que deixava abertas as portas aos avanços russos. A deselegância dos americanos começa com o problema de Zelensky não usar fato e as questões que a esse respeito lhe foram feitas. Indigno de um jornalista pago pelo erário americano e gáudio para os assistentes, como se tudo fosse deveras ensaiado ao pormenor. Pena foi Zelensky não se ter lembrado de perguntar por que razão Elon Musk não entra de fato na sala Oval e anda de T-shirt pelos corredores como se fosse tudo dele. Ficou por responder, mas certamente muitos se perguntaram isso mesmo. Que falta de respeito. Afinal Zelensky é um Chefe de Estado como qualquer outro, não é um palhaço para se rirem na sua cara. Foi tão baixo o comportamento dos americanos que nos deixa envoltos numa raiva imensa e com vontade de ver o reverso da medalha. Ver um chefe de Estado a ser humilhado e objeto de escárnio pelo Presidente mais poderoso do mundo e pelo seu lambe-botas foi um espetáculo indigno e desconfortável para os Ucranianos. A humilhação de gente pequena que se acha grande foi um desrespeito enorme a que Zelensky assistiu sem se dobrar, mantendo-se sempre de pé, firme e sem mostrar subserviência. Talvez esta atitude fosse a que os irritou mais. Esperavam que Zelensky se dobrasse e lhes desse o que queriam e estaria no acordo. Território para a Rússia, minerais para os EUA e para os ucranianos uma mão sempre estendida à espera das esmolas que nunca chegariam. Um líder não precisa de um palco, mas um palhaço sim e aqui os palhaços estavam bem visíveis e tinham um palco enorme para fazer rir. E riram, sim, das suas anedotas horríveis e sem sentido. O Mundo ficou certamente horrorizado perante este espetáculo degradante e não irá esquecer tão cedo. O último a rir é o que ri melhor, diz o povo e com razão. Um país devastado à espera de soluções e apoios não pode ser objeto de galhofa e de humilhação. Claro que a Rússia e Putin, riram e festejaram o sucedido. Claro. O suposto pedinte foi rechaçado e mandado embora sem soluções. Mas mostrou dignidade, respeito e humildade perante a fanfarronice dos interlocutores americanos, que o atacaram como se estivessem num ringue de box. Mas não conseguiram derrubá- -lo. A guerra da Ucrânia não acabou nem acabará tão cedo. Entretanto os EUA continuarão sem os minerais e a Rússia sem os territórios conquistados. Pelo meio ficarão estendidos sem culpa nenhuma, milhares de soldados mortos que não poderão reclamar ajudas nem salvação a não ser a divina. Para o mundo inteiro ficou o conhecimento de que Trump é um produtor político e cinematográfico e que sabe encenar tudo muito bem, desde que tire resultados positivos, que os discursos proferidos não precisam de ser coerentes nem necessitam de guião e que o sofrimento humano é apenas uma publicidade momentânea. A Europa, perante este espetáculo deprimente e indigno, deverá tomar uma decisão. Ridicularizar Trump seria o mais correto, mas politicamente desaconselhável. A Ucrânia continua à espera de uma oportunidade de apoio dos EUA e a Europa não quer nem lhe interessa t^-los como inimigos. Mas a História não acaba aqui e nela se escreverão certamente páginas com mais dignidade do que a que agora se escreveu. Mas esta não será esquecida. Apesar de ter acordado tarde, a Europa terá de se armar e preparar para todos os palcos possíveis que o futuro possa trazer. Os EUA não sobrevivem sozinhos, mas a Europa também não. São jogos de números que não explicam tudo, mas é preciso saber fazer as contas. Com respeito. Ficamos à espera dos próximos acontecimentos, mas dos EUA já sabemos que a falta de respeito pelos outros é uma das suas caraterísticas. E se Zelensky pedisse ajuda à China? O que diria Trump? Será que continuaria a rir?

A nova ordem mundial

O tempo é feito de mudanças e a humanidade tem de se habituar a elas, mas nem todas são desejáveis. Possivelmente, a maior parte delas não são mesmo do agrado de ninguém com bom senso. Não falamos apenas das alterações climáticas, mas também da sociais, políticas e económicas. As consequências são graves e abrangem todo o mundo. O clima é fruto das ações do homem e todos pagam por elas, mas ninguém quer baixar os braços e admitir que o planeta corre riscos terríveis dentro de alguns anos. Já todos sabem disso, só os líderes dos países mais industrializados parece não quererem dar-lhe a importância que isso merece. Enfim. À parte essa vertente, não menos importante são as vertentes política e económica. As notícias que recentemente têm ocupado os noticiários de todos os canais televisivos, são de fazer tremer o mais pacato dos cidadãos. Já desconfiávamos que a eleição de Trump traria alterações enormes para alguns países, mas não descortinávamos que ele fosse tão longe. O que ele disse e mandou dizer recentemente são de uma agressividade incomensurável. Não sabemos se o pensou ou não, mas se levar por diante o que ele pensa executar, acaba com a ordem de funcionamento normal das relações entre os EUA, a Europa e do mesmo modo com a Rússia e com a América do Sul, para não falar do Canadá. Trump quer impor-se ao mundo e para isso usa as taxas como arma de arremesso. Nacionalista e autocrata, todos lhe devem obediência dentro da América. Fora dos EUA ele pretende dobrar os governos de modo a seguirem as suas determinações como se fossem cães de caça. A humilhação é outra arma do seu agrado. Submeter a Europa à sua vontade é uma tentativa expressa, mas pouco aceitável. Será o fim da ordem mundial que levou anos a implementar depois da Segunda Guerra Mundial. Ele não conseguiu acabar com a guerra da Ucrânia em dois dias, mas ao fim de um mês ele já falou com Putin para desenhar uma Paz duradoura naquela contenda. Isso seria ótimo se ele tivesse envolvido a União Europeia e a Ucrânia, a mais interessada, nessa conversa. Ele não pode impor à Ucrânia a sua vontade. É certo que os EUA já deram muito para essa guerra, mas isso não justifica que agora queira mandar em todos, incluindo a Europa. Zelensky não aceita essa solução de paz sem estar presente. Putin só aceita se a Ucrânia for a eleições. Isto quer dizer, se a Ucrânia eleger um Presidente pró-Moscovo. Um pau mandado. Trump e Putin são loucos. O certo é que os EUA se afastam da Europa e da NATO e querem que a Europa se defenda sozinha. A necessidade de segurança da Europa não é de hoje, mas infelizmente só agora é que os países europeus deram conta dessa necessidade. Trump quer que a Europa não dependa dos EUA e exige que os países da NATO aumentem o seu contributo para cerca de 5% do PIB o que nem a América cumpre. Como é possível? Diz ele que a América já deu demais e chega. A aproximação à Rússia e a Putin é demasiado perigosa. Os dois são espertos, mas qual dos dois é o mais hábil? Trump é um negociador e só o ganho está presente na sua estratégia de negociação. Putin tem o mesmo sentido, mas não se resume só um negócio. É mais do que isso. Ele quer ganhar e dominar. Não quer a Ucrânia na NATO nem Zelensky na Ucrânia para poder controlar tudo ao seu redor. Trump, daquela região só quer Terras Raras. Queria, pois Putin não está disposto a retalhar a Ucrânia para dar a Trump os minerais que lhe interessam. Não é fácil. E o que dirá a China? Será que Xi aceita esta negociação sem meter a colherada? O corrupio de encontros e negociações entre os representantes dos EUA, da União Europeia, da Ucrânia e talvez da Rússia, poderão levar a um retardar do final da guerra na Ucrânia. E o Médio Oriente? O que será de Gaza? A Riviera que Trump quer construir, se chegasse a comprar Gaza, outra loucura, está cada vez mais distante. O Egito e a Liga Árabe vão apresentar um Plano para a sua reconstrução a 30 anos. Isto é uma machadada nas intenções de Trump e o aplauso para os Palestinianos. Apesar de quase toda destruída, Gaza pertence aos Palestinianos e eles não vão querer abandonar a sua terra natal. Sem condições de habitabilidade, agora o Egito e a Liga Árabe esperam que Trump contribua com a sua parte para a reconstrução que ele tanto apregoa e quer fazer de modo a albergar todos os palestinianos. Mas a dúvida subsiste. Será que Netanyahu quer isso? Por vontade dele, Gaza deveria ser território de Israel e os Palestinianos deviam sair todos, acabando com o Hamas de uma vez por todas. Mas uma coisa é certa. Os 60 mil palestinianos mortos que atapetam o território de Gaza, não poderão nunca sair do solo que os acolheu. Farão parte da terra sagrada para sempre. A nova Ordem Mundial está a delinear-se, mas não sabemos exatamente qual é. O desenho que se esboça não está nítido e não agrada certamente à maioria dos países. Os três grandes querem repartir entre si os pelouros mais importantes e os mais pequenos que lhes obedeçam e aqui está a Europa que só agora começa a acordar da letargia de décadas. Assim, tem uma tarefa enorme pela frente e terá de enfrentar os desígnios de Trump. A vontade de um louco não pode vingar só por que sim. Acorda Europa, antes que seja tarde demais.

A presunção de Trump

Não foram necessários muitos dias para nos confrontarmos diretamente com as loucuras de Trump. No mesmo dia da tomada de posse, fez questão de mostrar ao mundo que ia assinar decretos destinados a alterarem o rumo de posições do governo anterior, especialmente no que se refere à imigração. E mostrou, note-se, a sua assinatura perante as câmaras para que todos vissem que tinha assinado os decretos. Francamente! Presunção ao mais elevado nível! Mas os primeiros dias foram destinados a destacar o que vai fazer e quais os objetivos desta administração. Impor a sua vontade por todo o lado e espalhar um patriotismo bacoco, assente numa falsa democracia, que ele desconhece o que seja e espalhar o medo a milhares de pessoas, fora e dentro dos EUA, é a sua razão de governar. E está a conseguir. As ameaças de taxas a aplicar aos países que o enfrentam economicamente ou não, são as armas imediatas que tem na mão. Vejam o que fez com o Brasil e com a Colômbia. O enfrentamento da Colômbia, levou-a a recuar para não sofrer 25% no agravamento das taxas dos produtos exportados para os EUA. Funcionou a ameaça. Mas será que vai funcionar sempre? A nova Administração, escolhida pessoalmente entre os seus amigos mais próximos, não parece que vá ter sucesso, mas isso também não lhe interessa muito, pois ele pode, quer e manda fazer tudo o que quiser. Até quando? Nada dura para sempre. A verdade é que está rodeado de anormais que agora pensam que são importantes e vão agir como tal. Parece um reality show, mas infelizmente não é. Ora vejamos como está formada esta Administração. Temos o homem mais rico do mundo, que lança foguetes no espaço e compra uma rede social; temos um anti vacinas fanático das teorias da conspiração que diz que um verme lhe comeu o cérebro; um médico que receitou remédios para a malária, para curar o Covid; temos uma das sócias da maior empresa de luta livre dos EUA; um ex- -jogador da NFL; um rainha de beleza que ficou famosa por confessar que executou o seu cão com um tiro na cabeça; um ex-soldado que se tornou apresentador de noticiários; um amigo do golfe. Este é o gabinete de Donald Trump. Se fosse um reality show seria certamente um sucesso, mas não é. O homem mais rico vai- -se encarregar de agilizar os procedimentos burocráticos. O senhor anti vacinas vai ser o Secretário da Saúde. O médico da malária vai ser o chefe do Serviço Médico público. A empresária de luta livre vai ser Secretária da Educação. O ex- -jogador de futebol americano será secretário da Habitação. A que matou o cão, tomará a seu cargo a Segurança Nacional. O ex-soldado, apresentador de noticiários, será Secretário da Defesa. O amigo do golfe é enviado para o Médio Oriente. Todos eles são comandados por um herdeiro caprichoso, magnata do setor imobiliários, amante do mundo das celebridades que foi à falência e foi declarado culpado de 34 delitos e até há pouco tempo tinha pendentes 24 processos penais, ou seja, Trump. Com tudo isto vai ter de lidar o mundo inteiro incluindo os americanos. São estas pessoas que vão ajudar Trump a decidir, se ele deixar, no que respeita à compra da Gronelândia, o que se vai passar quanto ao Canal do Panamá, o que se vai passar na Ucrânia, no Médio Oriente e até no Canadá. Autênticas loucuras. A mudança do nome do Golfo do México para Golfo da América, já foi feita, somente para os americanos. Fora da América o nome continuará a ser o inicial. Mesmo com o dono da Google ao seu lado, não significa que possa alterar tudo. Não pode. Ele é que ainda não se deu conta disso. Mas vai acabar por dar. A sua presunção de poder controlar tudo e todos vai acabar por derrotar a sua própria política. Vai ganhar mais inimigos do que amigos, a começar dentro da própria América. A China, a Rússia e a Coreia do Norte, são inimigos com que terá de contar. O Irão é um inimigo figadal e perigoso. Trump não pode virar-se para todos os lados e enfrentar toda a gente ao mesmo tempo. Não vai querer fazê-lo. Não lhe interessa, pois pode perder. O que lhe interessa de imediato é a questão da imigração onde dita as regras e, com reticências, o que se passa em Israel e na Palestina. A este respeito é bom não esquecer a loucura pronunciada de levar todos os palestinianos para outros países e acomodá-los lá, o que significaria acabar com a Palestina e com Gaza dando a Israel o poder de controlo absoluto sobre todo o território. Simplesmente aberrante. Certo é que tantos meses de guerra não foram suficientes para acabar com o Hamas. Netanyahu não conseguiu e mesmo que Trump lhe dê pano branco para continuar, talvez não consiga. A guerra nunca será solução para este conflito, nem para outros como a Ucrânia. A presunção de Donald Trump não será bastante para levar a paz a alguns lugares, mas também é verdade que nenhuma guerra lhe interessa. Mas que ele tem muita presunção, alguma loucura, água benta e vaidade, isso todos vemos.

A possível confrontação de blocos

A tomada de posse de Trump depois da tremenda vitória que obteve nas eleições, vai-lhe permitir ter uma larguíssima margem de manobra sobre quase tudo o que quiser. Certamente não vão bastar os apelos de Biden no seu discurso final, para incutir uma democracia aceitável nas ideias do novo presidente dos EUA. Se assim fosse, estaríamos todos mais sossegados. A verdade é que com Trump, o que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Disse que acabaria com a guerra da Ucrânia em dois dias e agora já veio dizer que demorará algumas semanas ou meses até chegar a um acordo. Claro. Conhecemos bem o show off a que ele nos habituou. A vaidade é um dos seus atributos e não é dos piores, apesar de tudo. O acordo que está em vias de se efetivar entre o Hamas e Israel, devido a um esforço titânico da administração Biden e também de elementos das nova administração, nada tem a ver com o trabalho de Trump, mas não evitou que ele se gabasse e dissesse que se não fosse ele e a sua vitória, isso não seria possível. Biden riu-se da presunção. O que havia de fazer? No entanto, inicialmente o Gabinete de Israel não aprovou o acordo, tal como todos contavam que acontecesse. Viveu-se um impasse cuja culpa foi atribuída a novas exigências do Hamas, mas a verdade é que o governo de Israel não aceitou e nós sabemos que o próprio governo está dividido sobre o assunto. Uns querem a exterminação completa do Hamas e outros acham que já houve demasiados mortos e uma destruição que demorará algumas décadas a reparar. Segundo alguns analistas, a reconstrução de Gaza demorará cerca de um século. Significa isto que tudo foi completamente destruído. Talvez o acordo se mantenha para dar sossego aos palestinianos. Mas voltemos a Trump. Ele já afirmou que se iria reunir com Putin para falar sobre um possível acordo de paz sobre a guerra da Ucrânia. Curiosamente, Putin já informou que ele ainda o não contactou. Típico. Resta saber o que resultará dessa possível reunião entre os dois e as possíveis consequências para a Ucrânia. Por sua livre vontade, Trump não gastaria mais dinheiro na defesa da Ucrânia e abandonaria o país ao seu destino, culpando a União Europeia do que daí possa resultar. Se isso acontecesse, seria mais fácil à Rússia dominar a Ucrânia e depois tentar alargar o seu domínio a outros Estados satélites mais fracos, cujo domínio não teria muitas barreiras. Isto não parece muito irreal, especialmente se nos fixarmos nos objetivos de Putin. Por outro lado, ele está a alargar os seus contactos para a Eurásia, Índia e mais países asiáticos, além do Irão, com quem firmou mais um acordo, com a China e Coreia do Norte. Ao formar estas alianças, inicialmente económicas, mas não só, ele está a enfrentar, de certo modo, a enorme influência que os EUA têm no mundo em quase todas as regiões, formando um bloco enorme de influências. As tontices de Trump em querer “comprar” a Gronelândia, dominar o Canadá e controlar o Canal do Panamá, não são a melhor estratégia para demonstrar o seu poder e pode ser catastrófico. Criticado por todos perante estas ideias surrealistas, pode ver-se sozinho e mesmo abandonado pela Europa que ele tanto critica. O aumento das taxas e impostos específicos que quer impor à China e à Europa também não são benéficos a entendimentos políticos. Restam poucos “amigos” a Trump se continuar a afastar a Europa e a NATO dos seus interesses. É verdade que os EUA estão longe de Moscovo e de Pequim, mas não tão longe que o seu território não possa ser atingido com os novos mísseis e mesmo com uma bomba atómica, se isso passar pela cabeça de Putin, o que não seria despiciendo. Não é difícil ver a construção de dois blocos enormes e a possibilidade de uma confrontação futura se nada for feito, entretanto. As cabeças duras destes líderes têm de ser iluminadas de modo a que a luz lhes indique o caminho do bom senso. A questão da Gronelândia não é nova. A maior ilha do mundo tem imensas riquezas no seu subsolo, tendo só o frio como contratempo. Há uns anos atrás já foi ventilada a ideia da compra pelos EUA. Aliás, sabemos que a América tem lá uma base com cerca de duzentos militares, o que é muito pouco, mas serve os seus interesses imediatos. Também a China tem interesse igual, mas está muito mais longe. No entanto, se acontecesse a ideia de Trump, serviria à China para justificar uma invasão a Taiwan, por exemplo. No fundo, Putin fez o mesmo à Ucrânia! A bola de neve continua a rolar e a ficar enorme. O Canadá já é outra coisa diferente. Claro que está “à mão se semear” dos EUA, mas não é uma ilha fria e quase deserta. Se os EUA compraram o Alasca à Rússia por 20 dólares no século passado, o mesmo seria impossível hoje em dia. Nem a Gronelândia nem o Canadá estão à venda e comprar uma guerra com a Dinamarca ou com o Canadá deve estar fora dos objetivos imediatos de Trump. Imaginemos, contudo, que eles pediam ajuda à Rússia para impedir as loucuras de Trump? Teríamos um confronto enorme entre dois blocos imensos e o EUA não seriam os mais beneficiados certamente. As loucuras pagam-se sempre, mais tarde ou mais cedo.

Será que o novo continua velho?

Para trás ficou 2024 com todas as suas terríveis mazelas, rodeadas de consequências atrozes onde só esta humanidade desprotegida foi completamente atingida. Todos os anos, quando chegam ao fim, faz-se o levantamento do que mais sobressaiu ao longo dos 365 dias. Muitas coisas más e poucas boas. É sempre assim. Nada muda ou muda muito pouco. O ano que terminou foi diferente. Repleto de acontecimentos muito maus e inesperados que rotularam alguns dos intervenientes de assassinos e genocidas. Fez lembrar o tempo em que Hitler imaginou conquistar um Império igual ao de Napoleão e dominar a Europa. A diferença é que parece que são muitos a tentar fazer o mesmo. Não é só um. Putin começou há quase três anos, com a tentativa falhada de conquistar a Ucrânia em três dias. Invadiu um país independente e soberano com uma desculpa esfarrapada envolta numa operação especial contra o nazismo. Esta guerra sem sentido vai entrar em 2025. Cansados da contenda, todos clamam por uma paz justa, mas ainda não deram um passo em frente. Esperam por Trump. Quem espera? O ano passado levou a guerra à Palestina e à destruição de Gaza, numa busca incessante pela derrota do Hamas. Teve o condão de se estender para a Líbia e para a Síria. Em busca da derrota do Hezbollah e indiretamente do Irão, levou à fuga do Presidente da Síria, que abandonou o cargo e refugiou-se na Rússia, junto com o seu amigo Putin. Isto foi a derrota de Putin naquela região. As bases que lá tinha, foram desativadas quase completamente. A Rússia ficou sem um porto na zona do Mediterrâneo. Uma fragilidade enorme para a Rússia. Entrámos em 2025 com a esperança de que os horrores das guerras em presença se extingam rapidamente. Na mesa estão afirmações importantes a este respeito. Trump disse que acabaria com a guerra da Ucrânia de um dia para o outro. Ninguém acredita, mas Zelensky continua a acreditar que algo de positivo poderá vir dos EUA e que Trump poderá travar Putin. A partir do dia vinte deste mês, logo veremos, mas não sejamos demasiado crentes. Seria bom, mas… Por outro lado, ele também se está a voltar contra a Europa e a querer abandonar a NATO. O jogo do aumento das taxas à China e aos países europeus, pode ter consequências económicas mundiais terríveis. Que impere o bom senso. Zelensky, para marcar a sua posição contra a Rússia, cortou a passagem de gás para a Europa, pelo seu território, o que significa um prejuízo enorme para a economia russa. Mas a Moldova já está a pagar por isso. O frio não é bom conselheiro! É a moeda de troca possível para a Ucrânia. O conjunto de sanções que os diferentes países fizeram à Rússia, não foram suficientemente persuasivas para Putin se sentar à mesa das negociações. Talvez uma ameaça de Trump a Putin consiga levar Putin a uma negociação de paz. Resta saber os contornos das negociações. Haverá cedências de parte a parte certamente, mas quais? Vamos esperar. Por outro lado, Netanyahu quer uma vitória para Israel, mesmo à custa de um quase genocídio em Gaza e de atrocidades inqualificáveis no Líbano e na Síria. Ainda restam o Iémen e os Houtis a quem Netanyahu jurou destruir igualmente. E se as negociações entre o Hamas e o Estado de Israel andam aos soluços e não se vê solução, o cessar fogo com o Hezbollah está constantemente a ser violado, levando a inúmeros mortos incluindo crianças que não têm culpa nenhuma das tontices dos senhores da guerra. Neste início de ano, continuamos a ter a mesma roupagem do ano passado. Está difícil mudar a roupa velha por uma nova e mais acolhedora. A busca pela paz em todas estas paragens do globo, não é fácil de concretizar. Entretanto, luta-se contra o tempo e contra a morte. Luta-se contra o tempo e contra a morte…matando. Incongruência terrível. Os milhares de mortos já contabilizados não são suficientes para sensibilizar os donos da guerra. A morte de crianças aos milhares, nada significam para eles, talvez porque não têm filhos na guerra ou não têm mesmo filhos que os olhem profundamente nos olhos e lhes chamem assassinos. Os intervenientes destas guerras loucas deveriam ter a humildade de reconhecer o horror que praticam diariamente e parar para não carregarem mais culpas que, mais tarde ou mais cedo, os vão enfiar numa vala pouco profunda, onde desaparecerão comidos por bichos não tão horríveis como eles. Infelizmente, é difícil acreditar que tudo termine neste Ano Novo. Mas é urgente que algumas das regiões afetadas pela guerra cheguem a uma paz que já tarda. Todos desejamos que 2025 vista roupa nova e não seja uma simples continuação da miséria que acaba de terminar. Bom Ano Novo é afinal o que todos pedimos, mas dificilmente acontece.

A 1ª derrota da Rússia

O mundo está em convulsão. O caminho indicado não é o da paz, mas sim o da guerra, como se nada mais interessante houvesse ao cimo da Terra para entreter os homens desocupados. Todos ansiamos pelos tempos de tranquilidade e sossego que se viviam há una anos atrás, mas cada vez mais nos afastamos deles. A tranquilidade que vivíamos na Europa acabou e hoje somos todos arrastados para uma guerra que não é nossa, mas que acaba por nos influenciar totalmente. E se a Ucrânia é parte integrante nessa guerra com a Rússia e nos afeta, neste momento não é o único foco de desestabilização e de guerra aberta neste mundo de loucos ou onde só os tontos parecem querer governar com a autorização dos que deviam ser mais inteligentes e menos permissivos. O conflito no Médio Oriente alargou-se contrariamente ao que se pretendia. Os rebeldes Sunitas tomaram Damasco em poucos dias. O regime totalitário de Bashar Al-Assad caiu. Faltou- -lhe o apoio da Rússia que, comprometida com o que se passa na Ucrânia, não tinha forças para continuar na Síria. Bashar Al-Assad fugiu ou simplesmente desapareceu. Há quem diga que o avião onde seguia caiu, mas certamente estarão no Irão ou na Rússia. Não se sabe. A Rússia tem a sua primeira derrota. Um dia amargo para Putin. Perde toda a influência que tinha no local e só lhe resta o Irão que, acaba por perder igualmente já que não conta com o Hezbollah que Israel desmantelou. A Síria está nas mãos dos rebeldes sunitas. Moderados e dissidentes do Daesh parece quererem um país livre e independente. Querem boas relações com Israel. Sendo Israel inimigo do Irão e este inimigo dos rebeldes e amigo da Rússia, claro que interessa não se meterem com Israel depois de verem o que aconteceu ao Hezbollah. Mas que governo poderá surgir depois deste caos? O Primeiro Ministro sírio quer colaborar com os rebeldes numa transição pacífica. O povo terá de colaborar com os revoltosos até porque há muito que queriam derrubar o regime de Assad. Esperemos que estes supostos moderados, sejam mesmo moderados. Os EUA não querem esta guerra nem se querem meter. Como disse Trump, “esta guerra não é nossa”. E não, embora pareça um contrassenso. Mas há mais neste mundo em mudança. A Rússia começa a ter outros problemas fora do Médio Oriente e da Ucrânia. O seu aliado, a China, informou que uma ilha que repartia com a Rússia, é toda dela. Isto levantou uma celeuma enorme que levou os dois países a justificarem as suas posições. Mas a China não desmentiu a sua ação nem reverteu o que inscreveu no mapa de ocupação. Para Putin, isto terá sido um alerta e uma desconfiança face ao seu suposto aliado, mas como necessita da China para desenvolver a sua economia e depende dela, não foi além de uma declaração. Mas Taiwan está ali ao lado e numa situação semelhante. Por isso, este evento diplomático poderá funcionar como alerta ao mundo e aos EUA que Taiwan continuará a ser da China, mesmo que ninguém concorde com isso. E a ser assim, um conflito enorme pode surgir na região entre a China, os EUA, Taiwan e a Rússia. O epicentro de uma possível terceira guerra mundial, que ninguém deseja, pode acontecer, não no Médio Oriente, mas no Pacífico. Entretanto e enquanto Zelensky espera o apoio de Trump para a Ucrânia, Putin continua a bombardear o território ucraniano e a apoiar o novo governo da Geórgia. Eleições fraudulentas que levaram ao poder um partido impensável, teve seguramente a influência de Putin, já que esse governo é pró-russo e não pró-União Europeia. O povo saiu à rua e as manifestações sucedem-se. Pobre mundo este que enfrenta o pior que os homens têm. O belicismo terrível que atravessa este globo perdido no espaço, vai servir não só para o destruir como para acabar com todas as boas intenções que ainda existem para o salvar. Também em França, o governo caiu. Perdido entre a extrema esquerda e a extrema direita, Macron não sabe muito bem o que fazer e quem vai indicar para formar governo. Que governo? Os socialistas não gostam dele e Le Pen já disse que apresentaria nova moção de censura se o governo não integrasse as suas linhas orientadoras de governação. Macron não vai indicar um primeiro ministro de esquerda, embora fosse a esquerda que tivesse ganho as eleições. Faltou-lhe a maioria. O centro direita pode ser uma solução, mas já não será novidade. Numa imensidade de partidos e divisões políticas em França, o que resta a Macron? Ele não se demite. O que espera os franceses? O caos político e novas eleições dentro de meses. Mas se pensarmos bem, tudo isto está ligado. Ninguém está a salvo desta loucura coletiva mundial. E Portugal também não, já que apanhamos por tabela as alterações que se verificam nos quatro cantos. A Europa está em cima de um barril de pólvora.

Enigmas explosivos

A indecisão dos EUA e as recentes eleições americanas, levaram ao solo ucraniano, consequências inesperadas, especialmente para o líder ucraniano. A eleição de Trump trouxe para a América uma indecisão momentânea quanto ao modo como encarar a guerra ucraniana. A divisão da sociedade americana e dos políticos americanos não sossegou o mundo ocidental. As promessas de campanha que Trump fez foram tão somente isso mesmo, promessas de campanha, já que também ele não contaria com o acelerar dos acontecimentos subsequentes. Para a Ucrânia, a eleição de Trump não trouxe um futuro descansado, muito embora ele prometesse acabar com a guerra de um dia para o outro. Zelensky adivinhou um futuro negro, não em termos de guerra, mas em termos de uma paz que ambiciona, mas que nunca será a pretendida. Antes de se despedir da Casa Branca, Biden resolveu dar à Ucrânia o que Trump não daria. Zelensky já pedia há muito tempo a autorização para disparar mísseis de longo alcance contra a Rússia e Biden fez-lhe esse favor. Claro que isso traria consequências, pois Putin nunca se ficaria sem tomar decisões mais drásticas. E foi o que fez. Também ele lançou mísseis intercontinentais contra a Ucrânia, ameaçando com outras soluções mais contundentes não só em solo ucraniano como também em países que fornecessem mísseis à Ucrânia o que incluiria países da NATO. O mundo já se habituou a estas ameaças de Putin a às referências ao nuclear. São para amedrontar o ocidente e para consumo interno russo. Ninguém se mata avisando antes que se vai matar. Mas é facto que as ameaças não se devem descartar por completo, especialmente quando vêm de pessoas loucas como é o caso. É, de facto, um enigma que vai pairar no ar durante algum tempo. Pode ser que Trump consiga dissolve-lo logo que tome conta do seu lugar como Presidente. O acelerar desta guerra que ninguém queria nem quer, tem contornos esquisitos. Enquanto Putin enviava um novo míssil para a Ucrânia e lançava mais uma ameaça, uma porta-voz do Kremlin vinha à televisão dizer que a Rússia estava aberta a uma negociação de paz. Uma contradição que é enigmática, já que não se entende como é que se quer paz acelerando a guerra. Talvez Putin esteja à espera de retirar dividendos da Ucrânia antes de Trump começar a governar para depois dizer que já estava à espera de conversações de paz. Só que, entretanto, ganharia mais território do que já tinha perdido em Kursk, o calcanhar de Aquiles da Rússia e ao mesmo tempo, uma moeda de troca de Zelensky. Mas ainda faltam dois meses até Trump ser empossado. Entretanto, os mísseis continuam a explodir e a dizimar vidas, para entretenimento de Putin e para encher o seu ego imenso de líder imbatível. Mas será assim mesmo? Possivelmente não. Putin está com medo embora não pareça. A sua reação, aparentemente furiosa e drástica contra a Ucrânia, não é tão real como quer fazer crer. Se assim fosse, não necessitaria de comprar armas ao Irão nem aceitar tropas e armamento da Coreia do Norte. Isto é a demonstração cabal do seu temor e da sua fraqueza. Claro que a Rússia é um país imenso e com recursos enormes, mas o armamento que usou até agora era antigo e ainda do tempo da União Soviética. Está a acabar-se. Agora, só uma paz urgente servirá para tapar esta fraqueza e para acelerar essa paz, nada melhor que pôr no terreno os últimos recursos balísticos e as ameaças que quer que todos acreditem ser reais. Pode não ter tempo para isso. A escalada da guerra pode vir a ter outros contornos. Mas para Trump existem outros problemas para resolver. Internamente já vimos que as escolhas para cargos políticos têm sido péssimas e já há desistências. Com- por o seu Gabinete não está a ser fácil. Além disso, tem a guerra no Médio Oriente e agora a decisão do Tribunal Penal Internacional contra o seu amigo Netanyahu. Mais dia menos dia, este terá de ir para os EUA já que não são signatários do TPI. Sorte a sua. Assim, em termos geopolíticos jogam-se interesses profundos e alargados. A tentativa de domínio de Israel em Gaza e na Cisjordânia, arrasta-se no tempo e envolve os países da região e não só. Os inimigos de Israel têm-se limitado a verbalizar a situação e algumas ameaças. Esperemos que não vão além disso, ao mesmo tempo que a esperança de Trump contribuir para essa paz se mantenha. A Turquia insurgiu-se contra o líder israelita e contra o que tem feito em Gaza e no Líbano. Tem as suas razões. Por sua vez, a entrada da Coreia do Norte no conflito ucraniano, alarga a influência geopolítica dos conflitos e ninguém quer perder. A Coreia do Sul, receosa, já se pronunciou. Nesta parte do globo onde tudo já foi muito mau, pode reacender-se um conflito maior. A China mesmo ao lado, atenta, mas não interventiva inteligentemente, mantem a ameaça sobre o que poderá acontecer com Taiwan. Um enigma enorme que pode explodir também. Qual será então o papel de Trump? Perante tudo isto, será que vai preferir descansar em Mar-a-Lago? Enigma.

Condenado e Presidente

A América tem finalmente um Presidente eleito que é um criminoso já condenado e com muitos processos em andamento que o podem condenar e até levar à prisão. Se não tivesse sido eleito, certamente iria agora diretamente cumprir pena pelos crimes de que é acusado. A condução do assalto ao Capitólio como protesto da derrota que sofreu para Biden, é talvez o processo mais importante e que o irá condenar mais tarde ou mais cedo. Um rol imenso de crimes e acusações contra ele bastam para o rotular e esperar uma condenação severa. Será a primeira vez que um Presidente americano é condenado, mas há sempre uma primeira vez. A vitória republicana não seria nada de especial se não fosse protagonizada por uma pessoa que já conhecemos e que não deixou saudades. Contudo, muitos hoje, referem que se ele se tivesse mantido no governo da América, o mundo hoje estaria melhor. Estaria? Putin gostou da vitória de Trump. Diz que está disposto a encontrar-se com ele e a discutir a paz da Ucrânia e a voltar ao tempo da confiança com o Ocidente e com os países europeus. Será? Entretanto é aliado do Irão, da Coreia do Norte e da China. Ele fez grandes promessas durante a campanha e uma delas é que acabaria com a guerra da Ucrânia de um dia para o outro, mas não disse qual seria o dia. Mais amigo de Putin do que de Xi, talvez chegue a um acordo sobre essa tão desejada paz, mas Zelensky terá certamente a última palavra. Aliás, esta vontade de Putin chegar a uma paz, seja ela qual for, só põe mais a claro as dificuldades que a Rússia enfrenta em termos globais, seja de armamento ou de soldados. Já foi preciso recrutar imberbes da Coreia do Norte para colmatar as falhas. Enfim! E dizer que quer que as relações com o ocidente e com a União Europeia voltem à normalidade com confiança de parte a parte, é igualmente prova disso mesmo. Resta saber o que é que ele vai querer em troca. Victor Órban é outro presidente que queria que Trump tivesse ganho há quatro anos. Diz que não teria havido guerra na Ucrânia e que a Europa estaria mais forte e segura. Acrescenta que a América seria mais forte economicamente e Trump teria cumprido os acordos assinados. Quais? Ele até saiu do Acordo de Paris e talvez queira agora acabar com a NATO. E ainda não sabemos o que vai na ca- beça dele a esse respeito. A verdade é que os pretensos ditadores se juntam e comungam das mesmas ideias. Com a vitória de Trump, talvez a China não se movimente contra Taiwan, já que pode enfrentar um escudo que a impede de chegar ao Pacífico, desde o Japão, Indonésia, Taiwan, Coreia do Sul e Austrália onde existem bases americanas. Talvez Taiwan continue a salvo de uma invasão da China. Mas fica no ar o acordo que Putin fez com Xi e com o líder da Coreia do Norte. Como vai descalçar a bota? Isto é francamente o saldo mais positivo da vitória de Trump. Na verdade, a América não quer guerra com ninguém, mas não vai deixar para outros a liderança da política mundial. Do mesmo modo, os outros líderes também não pretendem a guerra. Talvez Israel seja exceção. Com a vontade de se afirmar e conquistar território, deixa para segundo lugar a destruição, os mortos que ficam pelo caminho e o genocídio que leva a cabo em Gaza, sem razão alguma que não seja essa mesma. Mas também Netanyahu espera de Trump o maior apoio nesta guerra que não é americana e onde todos têm a perder. Só Netanyahu espera ganhar. Assim, Trump tem pela frente uma série de problemas que terá de resolver o mais rapidamente possível, se conseguir. Tem pelo menos a facilidade de ter ganho em todas as frentes e nada o impedir de tomar decisões e alterar inclusive, leis do anterior executivo. Perigoso, muito perigoso. Sem ninguém para o controlar, imprevisível e até contraditório como é, pode pôr em perigo a estabilidade do planeta e levar a uma terceira guerra mundial. Se a guerra da Ucrânia não parar e a Rússia continuar a entrar pela Ucrânia dentro, se Trump retirar o apoio à NATO e à Europa, nada impede Putin de querer refazer o antigo território da Federação Russa, o que leva ao facto de haver três países satélites da Rússia que pertencem à União Europeia. Como vai a Europa defender esses países que pertencem à UE e à Nato? Onde estão as tropas europeias? A Europa só agora acordou para esse facto. Nunca se pretendeu construir um exército europeu que defendesse a Europa de qualquer ataque, porque nunca se imaginou que isso fosse necessário, mas pelos visto é. A Europa precisa de garantir a própria segurança. Demasiado tarde, talvez. Ninguém quer a guerra, mas certo é que ela ronda a Europa, o Médio Oriente e até a Ásia. Assustador. Os americanos têm agora o presidente que escolheram democraticamente. Bom para uns, mau para outros, a ele cabe resolver os grandes problemas que existem den- tro da América e fora dela, especialmente os que a ela se ligam diretamente. A América não é uma ilha. Precisa de todos e todos precisam dela em termos de segurança e em termos económicos e sociais. Curiosamente, cabe a um condenado e criminoso, resolver as equações que estão em cima da mesa. Não é fácil, mas se as resolver, ficará para a História com uma página bem menos negra.