À beira da terceira guerra mundial

O mundo vive neste momento uma revolta generalizada enorme e algumas guerras declaradas que nos levam a equacionar se não estará latente uma terceira guerra mundial.

16 out. 2026, 05:00

O Mundo está em revolta generalizada. Uma revolta que ninguém pediu, que ninguém queria, que ninguém organizou, mas que está a acontecer.

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Para além das guerras que nos têm solicitado a atenção quase diária, o mundo vive uma agitação tremenda em quase todos os países, que tem levado a que os jovens se manifestem violentamente, ou não, mas que mostrem o seu descontentamento perante os problemas que enfrentam diariamente.

Se até há pouco tempo a ira era protagonizada pelos adultos que se distraiam e ainda continuam a praticar, jogos de guerra fazendo tremer as economias mundiais, hoje é a juventude que desempenha esse papel. E qual é a causa? Talvez sejam precisamente as consequências desses jogos sem sentido. São coisas como a educação, a habitação e a inflação. Sinteticamente, podemos dizer “custo de vida”.

No século passado, quando as democracias liberais lideravam na Europa e se pensava que resolveriam os problemas sociais existentes e eram muitos, afinal não conseguiram resolvê-los e o resultado foi a revolta, a manifestação e uma viragem política tremenda, relegando as democracias liberais para um segundo plano. As sociedades, revoltadas e desmotivadas com a falta de soluções dos governos democráticos, seguiram os que lhe ofereciam e prometiam melhores condições de vida e de trabalho e uma estabilidade que não tinham.

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Surgiram dessa revolta os governos de extrema direita como o nazismo na Alemanha com Hitler e o fascismo na Itália com Mussolini. As democracias caíram e a Europa mergulhou durante décadas num obscurantismo extremista que levou à Segunda Guerra Mundial. Viveram-se então anos de desespero, de miséria, de morte, de fuga, de medo, de ódio, de racismo e de uma guerra sem fronteiras que envolveu o mundo inteiro.

As democracias falharam. Hoje as democracias estão a falhar. Não resolvem os problemas sociais, os problemas económicos agudizam-se e a juventude, mais atenta e matingida, revolta-se e exige dos governos, soluções que eles não têm ou não são capazes de dar. Estão a falhar.

Na França, a juventude revoltou-se e saiu à rua reivindicando melhor educação e habitação. Na Espanha, a juventude revoltou-se sob o tema habitação e o nível de vida e o governo demitiu-se e vai para eleições. Em Portugal, mais brando nos costumes, está a manifestar-se também contra a falta de habitação e contra o custo de vida insuportável.

Embora estes temas sejam bandeiras da esquerda, o que é mais caricato é que são os partidos de extrema direita que tiram dividendos e sejam os que mais sobem nas sondagens. Estamos s verificar o mesmo que aconteceu no século passado. As tendências saõ de direita. Na França, cresce e vai à frente nas sondagens a extrema direita de Le Pen. Na Espanha, o socialismo preso por arames, cai nas sondagens e dará certamente lugar à vitória do PP nas eleições que se aproximam. Em Portugal, o partido de extrema direita, sobe nas sondagens e está em segundo lugar, quase igual ao Partido Socialista, relegando a AD para terceiro lugar.

Mas não se pense que é um problema só da Europa. Não. No Brasil, Bolsonaro ganha as eleições na primeira volta e relega Lula para segundo. A segunda volta vai ser renhida e Lula corre o risco de perder. A direita pode volta ao poder.

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Mas também este cenário é do agrado de Trump que apoia os governos de direita de onde pretende tirar dividendos. Se no Brasil ganhar Bolsonaro, isto é muito bom para Trump, porque assim pode conter o avanço da China no hemisfério sul.

No entanto, também Trump luta para ganhar as próximas eleições intercalares que, se perder, perde muito do poder de decisão que tem neste momento. Além disso, está metido nas guerras que não conseguiu acabar, como a da Ucrânia, a do Médio Oriente incluindo os crimes de Gaza e as pretensões megalómanas que conjuntamente com o seu amigo de direita Netanyahu, faz questão de realçar. Na verdade, o Irão é demasiado grande para ser derrotado só com a vontade de Trump e isso já ele sabe.

Putin e Xi, assistem à distância ao desmando mundial e como não vivem em democracia, esperam pelos resultados das revoltas, na esperança de que as mesmas não entrem em suas casas.

Assim, o mundo vive neste momento uma revolta generalizada enorme e algumas guerras declaradas que nos levam a equacionar se não estará latente uma terceira guerra mundial. E porquê? Simplesmente porque as democracias não são capazes de resolver os problemas essencialmente sociais que são demasiado graves para que as sociedades se calem. O pior é que elas vão atrás de quem lhes oferece mais, mesmo sem ter a certeza de que o consegue fazer. Será que também vamos perder a democracia?

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