O recomeçar político
Agosto é o mês da esperança. Ele marca o começo e o fim de momentos especiais. É o começo das férias para muitos que escolhem este momento para descansar e espreguiçar nas praias do nosso país ou mesmo do estrangeiro, mas também é o fim desses instantes de lazer. As férias não duram sempre. Mas agosto também é o mês em que o Parlamento fecha as portas e os deputados vão, também eles, de férias, bem merecidas ou não, despedindo-se por alguns dias das turbulências políticas. Do mesmo modo, o governo entra em modo de ralenti esperando que nada especial o faça reunir de emergência e perturbe o descanso dos senhores ministros.
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O mês de agosto deste ano trouxe sustos enormes em termos de incêndios nacionais, trazendo preocupações grandes ao governo, especialmente ao Ministro da Administração Interna e mesmo ao Primeiro Ministro. Não chegava a Luís Neves os problemas de que tem sido acusado. O país ardeu um pouco por todo o lado principalmente a Norte e, uma vez mais, trouxe a morte às Corporações de Bombeiros. A floresta sofreu novamente um corte imenso. Famílias perderam os seus bens que tanto lhes custaram a ganhar e estão desesperadas perante mais um infortúnio.
A chegar ao fim, agosto e o tempo trouxeram descanso. A chuva apareceu para amenizar os calores tórridos da primeira quinzena e acabar com os fogos devastadores.
Pelo meio, a política escolheu o espaço e os partidos fizeram as suas apostas nas conhecidas rentrées onde os líderes políticos resumiram o que têm para apostar até ao final do ano. Cresce aqui uma barreira enorme chamada Orçamento. Aqui se vão esgrimir todas as cartas e todas as apostas, jogando os melhores trunfos.
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Claro que agosto ainda não permite o renascer de uma política aprofundada, já que o governo se encontra de férias e o Parlamento continua fechado, mas as facadas de alguns líderes contra ministros a isso suscetíveis e até contra o Primeiro Ministro, sempre mantêm acesa a chama política num mês de aparente sossego. É a preparação para um recomeçar mais aceso, mas possivelmente menos sério. O tempo o dirá.
A verdade é que agosto nos brindou com um Luís Neves atacado por todos os lados que o obrigou a defender-se o melhor que foi capaz. Uma casa e um tanque num terreno deserto está a ser objeto de inspeção e a procura de ilegalidades. Um camião com um carregamento esquisito e uma movimentação suspeita, são também uma carga de aparentes problemas de difícil visionamento. Acresce a tudo isto, um VW Golf GTD decido pela PJ, em que o ministro se desloca, mas que até parece estar a poupar dinheiro ao Estado. Enfim. Um agosto com histórias para contar.
Montenegro que disse não ir para férias face aos problemas que o país enfrentava devido à quantidade de fogos e à sua extensão, logo foi criticado por ser apanhado numa praia num fim de semana, como se isso fossem umas férias normais e ele não tivesse o direito de ter um fim de semana com a família nas areias douradas algarvias. E quem criticou? Sempre o mesmo. Sem razão e chamando a si algum protagonismo político anormal, quis evidenciar o que não tem lugar a realce. Enfim, quem não tem cão caça com gato?
Mas é verdade, agosto marca o recomeçar da política, de uma forma ou de outra. São as rentrées, são as apostas dos políticos nas diversas intervenções para a comunicação social e os ataques críticos ao governo e seus ministros. As férias acabam em agosto e recomeça o mexer dos cordelinhos políticos com as afinações tendo já em mente o Orçamento do Estado e a sua aprovação. É a grande política.
Pelo país profundo, outras apostas e outras diversidades foram acontecendo. Agosto é o mês das festas de Verão, dos arraiais, dos imigrantes que chegam ansiosos por abraçar as famílias e passar essas festas repletas de alegria, ainda que fortuita. Agosto é assim, o mês do reencontro. Aqui não interessa a política. Ela passa ao lado das preocupações dos imigrantes.
Na reta final de agosto, tudo se prepara para o tal recomeço político. De facas afiadas, os partidos da oposição estão à procura dos alvos onde possam ser certeiros no golpe. Cabe ao governo preparar-se para se defender e também saber atacar os que nada mais fazem do que atirar atoardas só pelo simples prazer de o fazer e dar nas vistas. Podem ficar cegos!













