class="html not-front not-logged-in one-sidebar sidebar-second page-frontpage">

            

PUB.

Ex-funcionárias da CERCIMAC denunciam maus-tratos a pessoas com deficiência dentro da instituição

ESTA NOTÍCIA É EXCLUSIVA PARA ASSINANTES

 

Se já é Assinante, faça o seu Login

INFORMAÇÃO EXCLUSIVA, SEMPRE ACESSÍVEL

Ter, 29/10/2024 - 11:53


Há maus-tratos físicos, psicológicos e verbais na Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Macedo de Cavaleiros (CERCIMAC), segundo denunciam quatro ex- -funcionárias da instituição. Uma delas, conforme foi reportado ao Jornal Nordeste, já apresentou queixa na GNR.

Produtores de Vinhais lamentam ano de pouca castanha mas em qualidade o fruto foi abençoado

ESTA NOTÍCIA É EXCLUSIVA PARA ASSINANTES

 

Se já é Assinante, faça o seu Login

INFORMAÇÃO EXCLUSIVA, SEMPRE ACESSÍVEL

Ter, 29/10/2024 - 11:42


Os produtores de castanha do concelho de Vinhais estão a viver mais um ano pouco simpático. Em 2023 havia, segundo dizem, muita castanha mas, devido à podridão, grande parte dela foi para o lixo e, por isso, as quebras foram dramáticas.

Ondas negras

Partiu neste fim de semana um dos maiores artistas nacionais. Não foi inesperada, mas deixou um rasto de tristeza e saudade enorme. Ícone nacional da música portuguesa, Marco Paulo marcou profundamente um tempo e um modelo de honestidade, bondade e sinceridade, como é difícil de encontrar. Uma onda enorme de uma tristeza só igualável com a partida de Amália, marcou este fim de semana. Não será esquecido certamente nos tempos mais próximos e nas gerações que se seguem. Mas se nos compadecemos com a partida de alguns, já não conseguimos ter igual sensibilidade com outros que, embora não tenham partido, têm atitudes tão tristes que não nos merecem qualquer sentimento de comiseração. A semana que acabou foi envolvida por uma manta negra que abalou a sociedade portuguesa de uma forma invulgar. A onda de violência que se viveu após a morte de Odair e se espalhou um pouco por todo o lado, foi simplesmente lamentável em todos os aspetos. Uma onda que ainda não terminou e não se sabe quando terminará. Violência brutal que espalhou o medo e a insegurança pelos bairros e pelas ruas da capital e se alastrou a outras localidades. Polícias e bombeiros foram chamados a terreiro para travar a onda, mas não tem sido fácil. Em muitos bairros há gangues que se organizam e atuam onde lhes apetece, assaltando e dedicando-se a negócios obscuros. Escaramuças e confrontos causaram o pânico. O que aconteceu foi a faísca que incendiou estes gangues que se sublevaram contra a polícia e contra o governo. Nada justifica esta violência. Autocarros e carros incendiados, caixotes do lixo destruídos e queimados é o selo da violência instalada em muitos bairros. É a revolta contra a atuação da polícia, segundo parece. Será? Acusam os polícias de violência policial. Prática ou teoria? A verdade é que a violência gera violência. Talvez esta violência eseja relacionada com problemas sociais cuja resolução é premente resolver, mas não pode ser justificativo para destruir vidas e bens materiais que nada têm a ver com os possíveis culpados. Afinal a polícia tem de agir e tentar manter a ordem quando é necessário. O que não pode é ultrapassar limites. Limites que eles bem conhecem, mas que algumas vezes são empolgados por qualquer razão. A morte de Odair a tiro, pode ter sido um caso de exagero ou um engano. Há várias teorias sobre isso e nenhuma ainda em concreto que explique o sucedido. Aconteceu. Uma vida ceifada talvez injustamente. Talvez desnecessariamente. Um polícia culpado. Só? Pior do que o sucedido é haver partidos políticos que se aproveitam para tirar dividendos desta violência, quase incentivando para uma onda de revolta ainda maior, menosprezando a perda de uma vida e rotulando o racismo como racional e até legal. Nada mais desprezível do que este tipo de sentimento ou pensamento retrógrado numa sociedade do século XXI. Parece nada se ter aprendido ao longo dos anos de democracia. Quando a democracia aceita no seu seio partidos antidemocráticos racistas e xenófobos, então há que rever a própria democracia. Algo está mal. Já não estamos no tempo dos cowboys onde tudo se resolvia ao tiro e a justiça não tinha dono. O Ministério Público irá certamente averiguar o que foi dito a este respeito. Agora passou-se para a fase de inquéritos. O balanço é terrível. Quase vinte carros incendiados, cinco ou seis autocarros que ar- deram totalmente, pessoas feridas, polícias atacados e alguns que acabaram por ir a hospital com ferimentos ligeiros. Que mais haverá a acrescentar a tudo isto? Quem vai pagar os estragos feitos? Quem vai dar carros novos a quem perdeu os seus no meio do tumulto e que nenhumas culpas tiveram neste caos de insurreição? A questão da imigração, a falta de emprego, os salários baixos e uma assistência social deficiente, não podem justificar estes tumultos que alguns teimam em rotular de raciais e racistas. É verdade que há uma maioria de elementos de etnia negra no meio desta confusão, mas não pode ser só por isso que eles têm de ser os culpados de tudo. Há mais propensão para que se envolvam nestas situações devido a uma si- tuação social menos positiva, mas o caso vertente foi uma morte e não nos podemos esquecer disso e que quem matou foi um polícia branco. Não se pode estar nos dois lados ao mesmo tempo. Não se pode estar nem contra os polícias nem contra os negros. Viver em sociedade não pode ser sinónimo de guerrilhas contantes. O desfavorecimento de uns não pode justificar a violência e os abusos como o favorecimento de outros pode dar-lhes o direito de matar. Só nos faltava isto em Portugal! Haja ordem, mas com com respeito. Estas ondas negras, sejam elas causadas pela partida natural de alguém que deixou marcas positivas enormes, sejam elas de guerra ou de ordem vandálica, são coloridas de uma escuridão tão grande que nem o mais puro sol as consegue penetrar. O Sol faz sempre falta.

Reconciliar-se

É uma palavra sinal dos tempos, uma palavra difícil hoje nas trevas dos conflitos, das guerras, das tragédias sangrentas, mas também entre todos nós, nas diversas comunidades que formamos. O Santo Papa, Paulo VI, em 1975, exortava a juventude – com quem ele tinha uma relação muito próxima- a trazer esta palavra “para o vocabulário das (suas) esperanças”. O vocábulo em questão, reconciliação, significa literalmente “unir-se novamente”. Poderemos nós unir-nos novamente, após uma dilaceração, depois do abismo do rebaixamento, duma raiva cega, e agindo sobre a nossa própria violência e a violência do outro? Não é certo, na minha opinião, que a reconciliação seja uma simples reparação, um ato que nos reconduza a uma mesma situação anterior. Pelo contrário, deve ser entendido que a reconciliação abre algo novo na relação. Transforma mais do que restaura. (Pode ser banal, mas tenho como prática procurar a etimologia da palavra – e a diacronia - pois permite-nos encontrar a carga histórica que transporta o vocábulo); a raiz grega do verbo katallassó (termo eminentemente paulino), que se traduz por reconciliar, evoca uma mudança, um “tornar-se outro”, um “fazer diferente”. A reconciliação transforma as partes presentes e faz com que o próprio relacionamento evolua. Reconciliar significa fazer diferente, criar surpresa e algo novo. Reconciliar significa fazer diferente, criar surpresa e algo novo ou inédito. A reconciliação não pode, portanto, significar apenas o regresso à situação anterior ao conflito, à violência - situação em que as sementes desta violência eram vistas com mais frequência. Rejeito também a ideia romântica duma reconciliação que traria harmonia ou equilíbrio de forças opostas, numa espécie de dialética hegeliana. Não, a reconciliação só é possível reconhecendo o nosso desequilíbrio, as nossas fraquezas, e é também, ainda mais misteriosamente, concordar em unir-nos confiando e estribando-nos nas nossas feridas e nas nossas amarguras. No trauma da violência sofrida e exercida. Aquilo que o filósofo checo Jan Patocka (um dos mais importantes contribuintes da Fenomenologia e da Filosofia na Europa Central do século XX) magnificamente chamou de “a solidariedade dos abalados”. Nas trincheiras da guerra, os combatentes vivenciam uma “transmutação de todos os valores sob o signo da força”, a tal ponto que alguns encontraram uma forma de superá-la. Solidariedade daqueles que entendem que, levados pela violência, esta violência foi-os dominando e fez-lhes perder tudo. “A solidariedade dos abalados constrói-se na perseguição e nas incertezas: esta é a sua frente silenciosa, sem propaganda e sem brilho.» No campo de batalha, escreve Patocka, “o inimigo é aquele com quem podemos chegar a um en- tendimento na oposição, nosso cúmplice na agitação do dia, da paz e da vida” (Ensaios heréticos, cujo interessante prefácio é do Sociolinguista e amigo francês Paul Ricoeur). Se houver reconciliação, ela só pode vir deste abalo das consciências. Perante o desencadeamento da violência, a nossa e a dos outros, como é que podemos trabalhar para uma possível reconciliação? Esta questão está bem presente, bem à frente dos nossos olhos. Deveríamos testemunhar “o avanço da vida durante a noite”, para usar outra expressão de Patocka. A reconciliação não deve querer restaurar, entre as ruínas, os escombros do passado, mas inventar, encontrar o que resta, apesar do conflito, duma promessa não cumprida, um instrumento perdido na empreitada para recomeçar tudo de novo. Na linguagem cristã, a reconciliação é uma graça. Ou seja, uma resposta inédita a um pedido impossível, que não sabíamos, ou não queríamos, poder formular.