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David Fernandes

Comentador do programa Parlamento Jovem da Rádio Brigantia

O tempo dá razão a quem a tem

Vamos ao essencial: O que mudou verdadeiramente Isabel Ferreira num ano?

16 out. 2026, 13:00

Um ano do novo executivo camarário em Bragança. Na história, Isabel Ferreira terminou com 28 anos de executivos municipais liderados pelo PPD/PSD. Repito e assumo esta crença: Foi Isabel Ferreira quem derrotou o PSD, não o Partido Socialista.

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O processo de constituição do atual executivo municipal começou de forma atribulada e com emoção. Na tomada de posse, o PS perdia a maioria no executivo que tinha com o afastamento de Nuno Moreno do grupo de vereadores do PS. Era uma situação boa para o PSD, a governação teria de incluir o programa dos sociais-democratas. Mas, teoricamente, sem ninguém se aperceber, Ricardo Pinto, eleito pelo PSD, abandona este grupo de vereadores e assume pelouros como independente, dando, novamente, uma maioria a Isabel Ferreira. Até aqui chegados, tudo normal, é a democracia a funcionar. As decisões ficaram com quem as toma.

Na Assembleia Municipal, o PSD assumiu a liderança da mesa pois tinha o maior número de mandatos (deputados + presidentes de junta) nesta assembleia. Estava previsto que, com este cenário, a facilidade de governação da câmara municipal esbarrasse na assembleia municipal por força da minoria que o PS tem. Mas, tal como no executivo camarário, e segundo se consta, poucos são, dos 34 presidentes de junta eleitos pelo PPD/PSD, aqueles que votam como o partido indica nos momentos da verdade. É a democracia a funcionar. Não acho que seja justo haver o apontar do dedo aos que agora mudaram de lado e de convicções. Não nos podemos esquecer que, no passado, as transferências funcionaram ao contrário. O que as sessões da assembleia municipal nos têm mostrado, e que já o referi no Parlamento Jovem, ´e que estamos perante o pior grupo de deputados de que me lembro. Aos que estão no poder, sempre lhes é mais fácil fazer a defesa da governação, pese embora às vezes o silêncio fosse a melhor resposta. Aos que estão na oposição, o simples facto de tentarem vender a história que só há problemas agora não é comprada pelo povo, por muito que se mude o sotaque quando se discursa. Tal como a quem defende a governação, às vezes, para as oposições, o silêncio fosse a melhor resposta. No entanto, como já disse, as decisões ficam com quem as toma.

Mas vamos ao essencial: O que mudou verdadeiramente Isabel Ferreira num ano? Bom, podemos começar com os aspetos positivos: Na agricultura, realizou a FAB, aumentou os apoios com a sanidade animal, alterou o modelo das chegas de touros. Na gestão municipal, reformulou os serviços com a intenção de os tornar mais eficientes (se acontece, ou não, você tem sabedoria para dizer), criou o regulamento de atribuição de apoios às freguesias, aprovou o novo plano para o aeródromo de Bragança, elaborou o plano de revitalização do Rio Fervença, valorizou o Mercado Municipal, definiu um novo plano de mobilidade e aproximou o executivo do povo, com a realização de reuniões municipais no meio rural. Até aqui, tudo bem, os meus parabéns!

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Agora vamos à parte que, no meu entender, está a falhar. A alteração do nome de eventos já marcadamente reconhecidos pelos brigantinos foi uma decisão que desrespeitou as decisões que o povo tomou, essencialmente, de 2013 a 2025. Havia uma política fortemente legitimada e validada pelo povo. A definição das novas taxas municipais por este executivo não deram, ao mercado, o sinal que este estava à espera. Bragança precisa de ter uma política fiscal atrativa para quem quer viver e investir no nosso concelho. Quando se aumentam taxas diretas à população (como a água), o sinal não é bom. Apontei a restruturação dos serviços municipais como algo positivo. No entanto, a algumas das novas divisões não se lhe conhece nenhum trabalho até à data exemplo disso, o gabinete de apoio ao agricultor (Onde está? Quem lá trabalha?). A questão da comunicação do município também tem de ser analisada. Não acho que a divulgação de imagens de onde está Isabel Ferreira seja um excesso. Considero é que a pouca divulgação de imagens do restante executivo nos leve a uma questão de estudo: Qual a percentagem de brigantinos que consegue dizer o nome dos 2 vereadores do Partido Socialista que têm pelouros e do vereador independente? Não menosprezo o trabalho destes autarcas eleitos legitimamente pelo povo, pelo contrário, acho que são merecedores de mais destaque para a demonstração daquilo que têm feito ao longo deste ano.

Deixando-vos aquilo que eu interpreto como aspetos positivos e negativos à vossa discussão, (com a ironia que quem me conhece sabe que possuo) e consideração, em jeito de término deste artigo, só posso deixar umas notas quanto ao futuro: Devemos olhar para o passado e seguir, com humildade, aquilo que foi deixado de bem. Olhar com ambição para aquilo que falhava e tentar melhorar. Com uma governação aberta e uma oposição responsável. Onde cada um sabe o lugar que deve ocupar. O tempo dos partidos políticos não é este. Este é o tempo de deixar governar, tendo sempre a certeza que o tempo, e o povo, dá sempre razão a quem a tem.

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